18 agosto 2003

Tempestade

Hoje vi a morte, numa tempestade de reflexos.
O que nos separa da Vida e da Morte é uma ínfima fracção de destino a que só damos valor no momento em que o turbilhão da existência nos foge do olhar.
Renascemos todos os dias a cada fracção que o destino nos concede.
Somos um ponto de um caminho que julgamos dirigir, mas que se constrói em Jogo de dados. Hoje, desenho palavras porque os dados olharam para mim e eu sinto-me impotente e esmagado pela incerteza do Existir.

13 agosto 2003

A fuga do espelho

Quando nada te toca e te sentes somente Tempo, algo morreu.
Perdeu-se o sentido e a luz andou por aí à procura de espelho.
O espelho fugiu.
Talvez amanhã me reencontre, mas o tempo levou a admiração do Existir.

12 agosto 2003

Uma palavra cheia de Universo

Sento-me a ouvir o silêncio e os sons do sonho.
Os ventos dos moinhos continuam a trazer-me perguntas que me angustiam e me deixam o olhar vazio.
- Porque usas sempre as mesmas palavras?
Há décadas que te embrulhas pelos sentidos e te repetes em quimeras.
Será que não crescestes ou as palavras que desenhavas, eras tu que te ouvias no Hoje?
O lápis parou o desenho, e a palavra ficou ali a pairar cheia de Universo.

11 agosto 2003

O Eco

Sentado na praia, inspiro todo o Mar que o olhar, sôfrego, engole.
O Mar que me coube em sorte, anda de um lado para o outro dentro de mim, com sons infinitos.
Todo o Mar que inspirei, transforma-se em ecos e em perguntas sem resposta.
- Quem és tu? Pergunta-me o eco.
- Jeremias. Jeremias Almaro.
- Que fazes na praia a inspirar-me com o olhar?
- Sou poeta-pintor, nas horas em que Me vivo!
O eco apagou-se, o Mar fugiu e voltou a ser imagem em azuis de outra cor.

09 agosto 2003

Todas as palavras rimam

Todas as palavras rimam, porque traduzem sentimento. Traduzem o desenho da nossa alma. E o desenho, tenha ele cor ou não é na sua essência um Poema de vida.

08 agosto 2003

Dúvida

Diz-me, Papá, porque é que Deus se esquece de Nós?
Porque dizes isso?
Porque o Luís morreu, sabes quem é o Luís, não sabes?
Sim, Filhote, sei que era um grande amigo teu.
Sinto-me tão triste. ELE não me ouviu, e eu falei com ELE todos os dias!
Sabes Filhote, ELE não cuida de nós individualmente, para ELE nós somos um todo, e o Todo que nós somos é um pedacito DELE.
É como o nosso coração. Ele bate e leva o sangue a todo o nosso corpo. Tem essa função. Também ele é um pedacito do Nosso Corpo. Nós não falamos com ele, nem ele fala connosco, mas está ali a bater sem descanso, para que possas viver. Ele bate, e não estás à espera que ele te pergunte se pode bater. Está ali, e isso te basta.
Também nós somos um pedacito DELE. Também nós, sabendo que somos parte dele o não questionamos. O que devemos questionar, é o que Ele quer de nós, e isso meu filhote não te sei responder, e a isso meu amor querido chamamos FÉ.
Papá, sinto-me tão pequeno. Dá-me um abraço forte. Quando me abraças é tudo tão Bonito!

07 agosto 2003

Quando nos pomos a revisitar os sentimentos

A olhar o mar e a sentir o Sol a penetrar o vazio, revisitei sentimentos.
Encontrei um conjunto de palavras dispersas recheadas de afectos.
Dei comigo a conjugar o verbo Dar.
Não posso negar que senti uma enorme solidão...

não uso tempos, nem agendas ou instrumentos outros que meçam pedaços do existir. é jeito meu. por isso passar de um ano para o outro é cousa...