11 setembro 2003

terrorismo da indiferença

Hoje, 11 de Setembro, ano dois (*) do Século XXI (2003), morreram 3000 pessoas vítimas do TERRORISMO DA INDIFERENÇA.Morreram, sem rosto, sem nome, sem MEMORIAL!Amanhã, morrerão mais 3000, que caem uma a uma, sem grito, sem lágrima, Guerrilheiros sem nome, sem farda, mortos em batalha de sobrevivência.
Olhos esquecidos, almas pedidas mortas pela humanidade!

(*)Nota: O autor, não resistiu, neste pequeno texto de desabafo a que o seu inconsciente se permitisse a fixar na palavra alguns laivos de futurismo. Resignou-se aos senhores do Mundo e acreditou que mais tarde ou mais cedo, a hipocrisia do poder, transformada em arrogância, venha a assumir-se como senhora do Tempo. A tragédia que assolou os ditos senhores em 2001, à semelhança de tempos idos, irão, na óptica resignada do autor, levar a ajustamentos do calendário, que nos rege a alma. Assim escreveu ano DOIS do século XXI, para evitar ter que, certamente muito em breve, rever o pequeno texto, que lhe surgiu em forma de grito. Aqui fica portanto o esclarecimento, aos olhos de quem lê, que não foi erro de cálculo, mas uma, tropelia do inconsciente de quem também desenha com palavras.

09 setembro 2003

sem máscara

O que o poeta desenha com os olhos, não é mais do que o instinto que lhe vai no gesto.
É como uma pedra, lançada ao Rio.
A água desdobra-se em círculos a desenhar o momento do reencontro.
A imagem é o reflexo do instante que surgiu sem introspecção e sem mascara.
É reflexo de luzes que vem do nada.

08 setembro 2003

exercito sem nome

Quando mergulho na realidade, sinto a revolta de ter andado fugido no sonho e não ter agido, em sons de luta e juntar-me aos guerrilheiros da Humanidade.
Eles andam por aí fardados em exercito sem nome a distribuir afectos e a criar o Homem Novo.

04 setembro 2003

luz

Ah, como é bom acordar com o sorriso das cores, sem o peso da densidade interrogativa da tempestade, que ofusca o desenho inibido de dançar na tela.

03 setembro 2003

árvore invertida

Sonhei com um “embondeiro”, aquela árvore misteriosa e disforme que salpica a paisagem africana.
Quis ser um dos ramos que absorve a atmosfera densa, cheia de silêncios e perguntas sem resposta.Sonhei com um “ embondeiro” que se transformou numa Cruz que se envolve na dor e nas lágrimas de sangue que fotografam a Humanidade com a luz e os gritos de trovoada.
A imagem que o sonho me deu, foi uma árvore invertida de raízes a sangrar, viradas para o céu.
O quadro que pintei, fixou uma imensa savana, em tons de toranja vermelha polvilhada de cruzes em oração de desespero incontido.

02 setembro 2003

o carrasco das cores

As cores não mudam. A imagem fixou-se no quadro, que transpira tédio e aborrecimento.A culpa é de quem aprisionou as cores no quadro em tons de sofrimento.

não uso tempos, nem agendas ou instrumentos outros que meçam pedaços do existir. é jeito meu. por isso passar de um ano para o outro é cousa...