17 outubro 2003

cumplicidades

Já não tenho idade para andar a descobrir palavras, e de me admirar com a tonalidade e a intensidade da luz de um amanhecer de primavera em mês de Outono. Mas as palavras fundem-se em sentimentos que amadurecem a vivência, que se constrói segundo a segundo numa caminhada pelo desconhecido.
As palavras que me envolvem no Espanto, misturam-se entre conceitos estereotipados que se saboreiam em Serenidade.
A essência do mistério da redescoberta do significado das palavras está na degustação do conceito e na convicção que se forma através da vivência e da atitude.
Sem querer limitar outras interpretações, não tenho duvidas que a CUMPLICIDADE é um estado de alma que sintetiza e colora o AMOR.É como um quadro!
A relação que o quadro tem com o artista é intensa e fruto de múltiplos sentidos e sentimentos que só se completa com a assinatura da obra. O Amor é um quadro que se assina em jeito de CUMPLICIDADE.A CUMPLICIDADE é o elo de ligação que cria a magia do AMOR.

16 outubro 2003

começar

Hoje senti uma enorme Liberdade. Entrou ao de leve, como que envergonhada no meu espírito.
Apareceu desfocada e lentamente foi-se apoderando dos sentidos, até ficar clara e presente, tão presente que foi possível identificar e dar-lhe nome.
Momento único e intransmissível, porque resultado de um somatório de Tempo e de caminhos percorridos, fruto de inquantificáveis quedas e consequentes reinícios.
Hoje entendo o significado pleno da palavra COMEÇAR.

15 outubro 2003

a outra dimensão

Isto de ser vários ao mesmo tempo, tem o que se lhe diga. (mais uma vez o autor necessita de dar uma breve explicação, não vá o leitor considerar que este está demente, ou assumidamente esquizofrénico. Isto de ser vários ao mesmo tempo, tem a ver com as imagens que a memória produz. Em casos vários, não sabemos se o resultado da percepção é a realidade vivida, se a contada por outrem. É também verdade que o que realmente somos, é diferente do que os outros vêem, no entanto, ambas as versões existem. E depois há os artistas que são eles-próprios (quando inspirados) e o outro-próprio (quando ausente o impulso da criação). Sem querer ser confuso, acabei por o ser, pelo que aconselho o leitor, se paciência tiver, voltar ao principio e esquecer o breve esclarecimento, saltando de imediato para o paragrafo seguinte).
Andam Físicos, Filósofos e outros tantos Cientistas a tentar provar a existência de outra dimensão, para além do Espaço-Tempo.
Não sei se é Terceira, Quarta ou outra qualquer, mas a existência que percorre a minha memória é certamente uma, qualquer que seja a sua hierarquia.
Não se esforcem Cientistas do Mundo! A Outra Dimensão EXISTE! (ficou amplamente demonstrado, espero...)

14 outubro 2003

ajuda!

Alguém me ensina, como convencer um amigo, amargurado, que apesar de tudo, a Vida não é um fardo, mas sim um espaço para preencher, ao ritmo do tempo e sorrir, quando este tiver esgotado?
Preciso da vossa ajuda, porque um abraço, não foi suficiente...

13 outubro 2003

equivocos

As palavras andam por aí a dançar e a provocar uma enorme confusão.
Quando assim é, mais vale fechar os olhos, sentir os sons da música e não colocar nada na imagem…

11 outubro 2003

imaginem

Imaginem ( obrigado John Lennon),um grande estádio de futebol, tipo Maracanan, ou melhor, o maior estádio que caiba na vossa noção de espaço monumental . Coloquem um céu cinzento negro, emoldurado por nuvens de chuva, bem lá no fundo da imagem.( Aqui o autor, sentiu necessidade de se explicar, no que diz respeito à escolha do cenário. Teve intenção de colocar na imagem uma selva, tipo amazónica, mas teve receio que a noção de espaço, de grande espaço, do Homem Cosmopolita do Século XXI, ficasse limitada, já que mais facilmente reconhece a monumentalidade de uma obra sua, do que outras, de autores diversos, e ainda por cima desconhecidos )
Fiquemo-nos portanto com a dita referência pictórica.
Imaginaram?
Sim?
Continuemos então…Imaginem agora, um ser (sim, um ser vivo).
Para simplificar a reflexão e que se produza o efeito pretendido pelo autor, um ser vivo, raça: Humana, Subespécie: ingénuo, Idade: entre os 5 e 6 aos ( ou qualquer outra, não é de facto importante). Uma criança, suficientemente desalinhada no seu vestir (desculpem, falávamos de imaginação e eu entusiasmo-me sempre. A vestimenta fica ao critério de cada um que se der ao trabalho de continuar com este exercício).Agora coloquem essa mesma criança, algures nas bancadas do dito estádio.
Já está?
Coloquem-se agora no centro do campo e sentem-se.
Sim, pode ser no chão, ainda não começou a chover…( e também não é necessário ser em posição de lótus, se bem que até ajudava!)
O que conseguem ver?
Conseguem vê-la?
Quem?
A Criança!
Certamente que não!
E como a não conseguem ver, possivelmente nunca se questionarão por que é que aquela criança se encontra ali sentada e sozinha, num estádio de futebol de dimensões do tamanho de uma multidão.
Provavelmente, sentou-se ali a perguntar a Deus, porque se sente tão só!

10 outubro 2003

ciumes

Hoje limitei-me ao desenho.
As palavras aterrorizaram-se e esconderam-se na invisibilidade do sentido.
O lápis, esse, correu endiabrado entre a silhueta de dois corpos que se amam, formando uma linha única sem fim.
As cores evoluíram entre a sépia e o branco puro, em aguarela que deixou o lápis invejoso e ciumento do pincel e das cores que jamais conseguirá inventar.
O papel agradeceu a ambos e sentiu-se poema.

não uso tempos, nem agendas ou instrumentos outros que meçam pedaços do existir. é jeito meu. por isso passar de um ano para o outro é cousa...