28 outubro 2003

história de um livro cansado

Sujei uma folha branca de palavras que desenhavam o reflexo de uma gaivota que se escondia de um gato que não gostava do Mar.
A folha, transfigurou-se em Livro, cansado de contar a história que se ocultava nas pegadas cortadas na areia da praia. As páginas, revoltadas, transformaram-se em ondas que se divertiam com o gato que olhava a gaivota que cheirava a peixe.
Nem o gato gostava do mar, nem o mar da gaivota, nem a gaivota do gato, por isso o Livro sacudiu as paginas que semearam a areia de palavras que desenharam as pegadas de um pescador que pintava ondas, em tons de branco azul.
Foi assim, que a folha, transformada em livro, passou a ter a cor dos olhos do pescador pintor que gostava do mar, do gato e da gaivota.

Pescador = Pintor, criador
Gato = criatura
Gaivota = criatura
Livro cansado = o que ensina a Amar
Pegadas cortadas na areia = sinais do criador que a criatura não vê porque não olha para trás
Onda = movimento, vidaBranco azul = branco azul

27 outubro 2003

imagens de um ecrã gigante de um concerto sem som

Joguei às escondidas numa estrada plantada de candeeiros saltitantes, envoltos num nevoeiro azul. Ao fundo projectavam-se imagens de uma humanidade sem rumo, sedentas de sangue, onde se sentia o silêncio angustiante da ausência de convicções.
Entrei numa história sem argumento, onde até o pincel se recusou a misturar as emoções. Perdi-me entre os candeeiros que corriam loucos a fugir da luz.
Chove água sem som, lágrimas incolores de um fado sem acordes, de uma guitarra sem cordas, sem vida e sem alma.

24 outubro 2003

choque de cores

Cruzaram-se duas linhas que fugiam apavoradas do pincel surrealista, em choque de cores.
Choravam o quadro que lhes pintaram no EU.

23 outubro 2003

o saltimbanco que não sabia saltar à corda

A Máscara era de Veneza e mesmo assim colou-se ao rosto. Do conjunto, apenas ficou o espanto do menino que estava à espera, olhando o longe, de um jogo de laranjas, a saltar das mãos do malabarista que não sabia saltar à corda. (o narrador, pintor de palavras, abriu parênteses para esboçar uma explicação, mas baralhou-se tanto, que não teve outra opção que a de voltar a fechar parênteses, não fosse estragar o quadro que lhe fugia dos olhos.)

21 outubro 2003

20 outubro 2003

ilusões

As ilusões não são mais do que imagens que projectamos no caminho que constroi a nossa própria realidade. O sonho descobre-se entre o corpo e a sombra, onde só os nossos olhos guardam as cores com que pintamos o universo.

não uso tempos, nem agendas ou instrumentos outros que meçam pedaços do existir. é jeito meu. por isso passar de um ano para o outro é cousa...