Caiu no chão
só,
desamparada,
sem mão estendida,
sem nada
vazia,
sem escada,
lágrima,
contida,
encharcada.
silêncios
de pedra,
só
desamparada.
27 novembro 2003
26 novembro 2003
o desgaste da vida
Os acasos colocaram-me perante a decomposição da consciência, obrigando-me a RE-VER o conceito de realidade sob o prisma da loucura, e aceitá-la de forma paciente e reflectiva.
Convivo com a demência, causada pelo desgaste da Vida, que se arrasta no dia, parada num Tempo “Alzaimeriano”, onde a percepção da "visão" toma outros contornos.
Entrar e perceber a vivência de um idoso é abrir uma porta para uma dimensão desconhecida que nos obriga a vasculhar a sensibilidade no nosso mais profundo conceito de humanidade.
O ritmo das ilusões, intercalam-se no “surreal”, ao ponto de nos envolver num quadro sem cor, onde tudo é possível, e o inexistente toma forma, volume e vida.
Conviver e aceitar esta relação com o desmoronar dos sentidos é um desafio ao Amor, onde o sentimento deixa de ter dimensão.
Convivo com a demência, causada pelo desgaste da Vida, que se arrasta no dia, parada num Tempo “Alzaimeriano”, onde a percepção da "visão" toma outros contornos.
Entrar e perceber a vivência de um idoso é abrir uma porta para uma dimensão desconhecida que nos obriga a vasculhar a sensibilidade no nosso mais profundo conceito de humanidade.
O ritmo das ilusões, intercalam-se no “surreal”, ao ponto de nos envolver num quadro sem cor, onde tudo é possível, e o inexistente toma forma, volume e vida.
Conviver e aceitar esta relação com o desmoronar dos sentidos é um desafio ao Amor, onde o sentimento deixa de ter dimensão.
21 novembro 2003
20 novembro 2003
esmola
Fitou-me em olhar fundo, criança cigana, seca de lágrima com face cortada em rugas de vida. Pedia beijos de esmola e caminho para andar sem olhar o chão...
19 novembro 2003
dúvida ocidental
Quando se admira o Mestre, fica-nos a dúvida se devemos correr a seu lado, ou usando o seu Saber, cortamos a meta à sua frente...
18 novembro 2003
afectos
Os afectos são como lâminas afiadas, ora deslizam suaves como pena pelos sentidos, ora golpeiam, sem aparente dor, em lágrimas de sangue, em choro sem som.
17 novembro 2003
Duas papoilas, uma mesa, e um pensador ausente que não queria ficar no quadro, mas ficou...
Uma enorme vontade, transfigurada em impulso, devolveu-me as cores, os pincéis, e uma luminosidade, que transformou uma esguia tela em duas grandiosas papoilas, vermelho amarelo, que se acomodaram no quadro. Ao longe, em plano segundo, nasceu uma mesa elíptica que se metamorfoseou em silhueta humana quase transparente. Traço contínuo de desenhador impaciente. Em jeito de fundo, em cama de cores, pincelei tons de amarelo-verde torado de forma a por as papoilas a dançar à frente do pensador transformado em mesa. Não me perguntem qual o significado do impulso materializado em cor, não sei resposta. A verdade é que naquele momento era só eu e as cores que se envolveram numa fuga ao atropelo dos últimos dias. É uma forma diferente de nos vermos reflectidos no espelho e de nos descobrimos no silêncio como quem vasculha a alma que se encolheu com o frio que nos cegou, no quotidiano que se nos impôs, ao som de uma trovoada desmedida.
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