16 março 2004

cura

Sou pedra esculpida, renascida, em Mar, moldada, removida.
Espreito a noite, farol que me acalma, a dor, a amargura, no infinito, em sinal de procura.
Contraste de luz que aponta afectos,ternura.
Olho direcções, em cores que se cruzam, que hesito.
Palavras ocas, que dançam, se abraçam e loucas, se curam.

15 março 2004

raiz morta

Hoje, simplesmente, não sei,
analfabeto de mim,
não sei de onde vim,
para onde vou,
ao que vim.
Sinto-me árvore desenraizada à procura de alimento,
desesperado,c
onfuso,
difuso.
Sou sentimento,
raiz de braços infindos,
abertos,
inseguros,
sedentos.
Só nascendo outra vez,
replantado em terra outra,
porque esta jaz morta,
em sangue do mundo,
decapitado,
humilhado,
mudo.
Morreu-me o olhar puro que se desfez,
caído no fundo.
Não chamem por mim,

Hoje morri,e amanhã também...

14 março 2004

guardião

Gosto da Cidade Grande e de lhe emprestar os passos à procura de luzes e de espaços que só ela sabe pintar, mas só (des)encontro quem os não procura e os únicos olhos que me fixam são os que me guardam.

13 março 2004

12 março 2004

interiores

Sento-me em mesa resguardada, em fundo e em fumos interiores e deixo que os pensamentos me fujam em vazios surdos que me gritam

acordar

Estado do sentir I
Entro na manhã e visto-a.
Visto-me todo, com o entusiasmo de a percorrer e preencher.
Estado do sentir II
Entro na manhã e visto-me.
Visto-me todo, com os olhos postos nos gestos ritmados em tarefas do cumprir.
Metamorfose de mim
Entro na manhã e visto-a.
Visto-a toda em metamorfose que se movimenta em voo lento e suave em busca do Sentir…

11 março 2004

grito

Indigno-me com os gestos que não consigo travar.
Cego-me na intolerância da dor que Os move,
Indiferentes,
impunes.
Ergo o vazio que me cobre de morte,
e choro!

não uso tempos, nem agendas ou instrumentos outros que meçam pedaços do existir. é jeito meu. por isso passar de um ano para o outro é cousa...