Olho-te,
desenho-te perfume.
Altiva,
de mãos postas em reza,pensas,
não oras,
moras,
ausente.
Mistério fêmeo,
efémero,
fugaz,
crente.
25 março 2004
prazeres
Olho o livro, em distância de respeito, acaricio-o, como quem adivinha prazeres.
Hesito!
Tenho-o na mão, peso-o.
Antevejo histórias, sentimentos e angústias partilhadas, solidárias.
Decido-me, e lúcido mergulho, dentro-fundo no Ensaio do Mestre…
Hesito!
Tenho-o na mão, peso-o.
Antevejo histórias, sentimentos e angústias partilhadas, solidárias.
Decido-me, e lúcido mergulho, dentro-fundo no Ensaio do Mestre…
24 março 2004
desenho sem cor. vermelho!
Engulo palavras sem sabor,
ásperas,
ácidas,
translúcidas.
Lágrimas-amêndoa,
Que pingam, em ping-ping
lento,
de dor,
lúcidas!
Traço risco,
gravado,
fundo,
Vermelho-sangue
escoado em lava que pinga,
em ping-ping de raiva,
mudo,
sujo,
em vergonha que esconde do espelho,
palavra que desenha "amor",
que pinga,
em ping-ping,
sem cor
ásperas,
ácidas,
translúcidas.
Lágrimas-amêndoa,
Que pingam, em ping-ping
lento,
de dor,
lúcidas!
Traço risco,
gravado,
fundo,
Vermelho-sangue
escoado em lava que pinga,
em ping-ping de raiva,
mudo,
sujo,
em vergonha que esconde do espelho,
palavra que desenha "amor",
que pinga,
em ping-ping,
sem cor
a papoila
Encontrei uma papoila cor amarelo-tulipa. Estava triste e sozinha, porque todos lhe chamavam tulipa e ela queria ser somente papoila, mesmo que amarela…
(versão do patinho feio, contada a uma criança que se julgava feia...)
(versão do patinho feio, contada a uma criança que se julgava feia...)
23 março 2004
o silêncio da árvore
Abracei-me a uma árvore para lhe ouvir os segredos e o murmúrio, de quem assiste paciente, à loucura da paisagem que indiferente, atropela o tempo.
Nada me disse e desfolhou-se em vermelhos de-nuvens-ao-fim-de-tarde.
Insisti com questionar permanente e contínuo, o porquê de tamanha dor…
Não murmurou, nem segredou…
Remeti-me ao silêncio, coberto de verdes-escuros, a aguardar a cor de uma flor, apreensivo com o amanhã, porque isto das árvores ficarem mudas tem que se lhe diga...
Nada me disse e desfolhou-se em vermelhos de-nuvens-ao-fim-de-tarde.
Insisti com questionar permanente e contínuo, o porquê de tamanha dor…
Não murmurou, nem segredou…
Remeti-me ao silêncio, coberto de verdes-escuros, a aguardar a cor de uma flor, apreensivo com o amanhã, porque isto das árvores ficarem mudas tem que se lhe diga...
22 março 2004
desabafo
Normalmente não me exalto, e mastigo com serenidade, paciência e algum gozo, confesso, quando confrontado com o que não entendo, obrigando-me a accionar os mecanismos de auto-controlo, que a idade me ensinou.
No entanto dificilmente consigo digerir frases ocas e saudosistas do tipo “ no meu tempo é que…” ou “ esta geração, meu Deus… “
É de mais para mim e sinto-me descontrolado, irado com vontade de abanar quem as vomita.
Será tão difícil de perceber, que esta geração, seja ela qual for e em lugar qualquer, é única e exclusivamente aquilo que conseguimos criar?
É o nosso último estado de evolução.
Somos todos nós, os de hoje e os de ontem a olhar o amanhã!
O Jovem, criança ou não, é o elemento mais velho do nosso ramo familiar. Não o mais novo. O mais novo foi o primeiro!
Não este, que está a olhar com tudo aquilo que os outros viram e lhe deixaram no Ver, e no Sentir.
Todos não seremos suficientes para lhe orientar o olhar!
Ajudem-no a correr para diante, em vez de lhe cuspirem o Eu!
No entanto dificilmente consigo digerir frases ocas e saudosistas do tipo “ no meu tempo é que…” ou “ esta geração, meu Deus… “
É de mais para mim e sinto-me descontrolado, irado com vontade de abanar quem as vomita.
Será tão difícil de perceber, que esta geração, seja ela qual for e em lugar qualquer, é única e exclusivamente aquilo que conseguimos criar?
É o nosso último estado de evolução.
Somos todos nós, os de hoje e os de ontem a olhar o amanhã!
O Jovem, criança ou não, é o elemento mais velho do nosso ramo familiar. Não o mais novo. O mais novo foi o primeiro!
Não este, que está a olhar com tudo aquilo que os outros viram e lhe deixaram no Ver, e no Sentir.
Todos não seremos suficientes para lhe orientar o olhar!
Ajudem-no a correr para diante, em vez de lhe cuspirem o Eu!
21 março 2004
distrações
Estava tão absorto, nos meus passos, nos pensamentos e na minha utopia de imaginar o renascer de uma nova humanidade que nem os bons dias dei ao rio que me acompanhou na caminhada. Vou ter que voltar, pelo menos para lhe dizer obrigado.
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