16 maio 2004

sem sentido unico e nunca obrigatório

“Temos a tendência para colocarmos a Verdade bem lá no fundo do nosso Sentir. Quando a vemos, colocamos-lhe olhares interrogativos e transformamo-la em pensamento profundo, com sentires de propriedade e sentido único… “

In “apontamentos para um manual da serenidade, ou a forma de ensinar que basta retirar o peso que lhe colocamos, para ela (verdade), suavemente emergir, e flutuar na vida sempre perto do nosso olhar. Mas cuidado, não lhe retires o lastro, todo de vez só, retira-o em tempo certo e cuidados muitos, não vá ela emergir vulcão e saltar à tua frente e em vez de flutuar voa-te para outros rios e ficas a olhá-la longe, como às cegonhas, que estão lá no alto, a rir-se de nós com o seu voar quase sem sombra…"

14 maio 2004

quando andamos a passear um sorriso, esquisito, sem jeito...

Andei dia todo, com um poema no peito,
não tinha forma, nem rima,
não tinha jeito,
não cabia em palavra,
era,
perfeito…

calaivos!

Cientistas de todo o mundo,
calai-vos!
Biólogos,
Médicos,
Físicos,
Genéticos,
Róboticos,
Engenheiros,
Filósofos,
Sábios,
E outros que tais,
Relinchem bestas!
Sebentas,mortais!
Parem de mentir,
de ser banais!
Porque não dizem o simples!
Porque não ensinam
que Morrer, é deixar de Sentir!

Parem, não digam nada!
Não façam nada,
recolham a vossas casa,
aos Hospitais
Não vos vou ouvir,
JAMAIS!
Vou,vou gritar!
Vou por aí, de porta a porta,
até deixar de sentir,
até deixar de sonhar,
não importa,
vou, dizer, nem que seja a cantar:Deixem os poetas falar…

visita

Mestre, fui visitar-te!
Estavas pendurado, ainda sonho, quase Homem-menino em paredes pintadas a electrico-lisboa.
Foi encontro estranho, porque o foi, o sentir e o ver-te evoluir, em desenho, em movimento, sozinho, todo ao mesmo tempo…
(Os traços estavam lá todos, depois , ah depois, andaste a bricar com os olhos e foste crescendo, até...começar...)

(Retratos do sentir na visita à exposição de Mestra Almada Negreiros “ El Alma de Almada el impar: obra gráfica 1926-1931" no Palácio das Galveias em Lisboa.)

13 maio 2004

a aventura de um cágado

Não era vez nenhuma.
Não o era,
porque não só uma,
mas muitase porque não história.
Era assunto sério, que se conta com gravidade, austero e olhos de criança. Não tem fadas, nem fábula, mesmo que contada por animais.
Vez era, portanto,
que cágado pachorrento, todos os dias-noite-lua, se espreguiçava e descia a rua, (Não havia necessidade nenhuma de rima. Deixa-te de fragilidades emocionais e conta lá a tua história, que somos todos olhos, mas pouco Tempo), (Logo vi que ia ter problemas. Qual é o mal de pôr uma rua, descida por um cágado, que só rima por mero acaso. Ele descia a rua e ponto final, pelo menos no que diz respeito à rima, que isto não é verso nem história). Não ia beber-se de água, que essa tinha de perto, ia olhar a luz que de noite se escondia dos candeeiros e os transformava em reflexos, já que ela, a própria tinha luz emprestada (convém recordar os distraídos, que o cenário é de noite-lua). Naqueles dias-noite em que ele se emprestava ao sentir, era para, em sossego olhar a sua flor. Ela crescia junto à calçada entre pedras unas, nua. Também ela se espreguiçava em cor, em noites sem nuvem. Ali ficavam os dois, cágado-feio-enrugado e flor-sem-nome de amarelos-lua, toda a noite a olhar-se, a amar-se em silêncios, com ternura.
(Mas a história? Conta lá a história!)
Não é história coisa nenhuma, disse já que é coisa séria, é só ternura, e essa não cabe em história, nem em coisa nenhuma, é AVENTURA!

12 maio 2004

conta-me uma história

Papá! Papá, ensina-me a amar, que eu não percebi nada do que me ensinaste!
Eu não te ensinei, não se ensina a amar. Também não te ensinei a ter sede pois não?
Mas eu não entendo!
Diz-me papá, porque é que as pessoas guardam todo o amor que tem dentro de si e só o dão aos bocadinhos. Eu quando tenho sede bebo o copo de água todo de uma vez, quando amo, dou-o todo e só assim fico satisfeito. Só o dando todo ele volta a nascer em mim…
Diz-me papá porque se incomodam tanto as pessoas de receberem quantidades enormes de amor e não sabem o que fazer com ele? Porque se aborrecem com quem lhes dá todo o amor que têm e dão tanta atenção a quem só o dá aos poucos, ou com quem lhe oferece sorrisos cínicos?
Porque têm todos tanto medo de se darem, porque se riem tanto de quem se entrega?
Tenho tanto medo de andar enganado…
Diz-me!
Conta-me uma história como só tu sabes contar!
Conta-me…

apontamentos de um ilusionista

“Estás demasiado perto para veres!
Portanto, afasta-te!
Estás certamente longe para sentires!
Portanto, estás com um enorme problema para resolveres…”

Inapontamentos para o manual da serenidade, ou como se chega à conclusão que há um ponto em cada instante que é mágico

não uso tempos, nem agendas ou instrumentos outros que meçam pedaços do existir. é jeito meu. por isso passar de um ano para o outro é cousa...