Não estudo as palavras, gosto de as inventar, de lhes trocar o sentido, (o que não é tarefa de todo própria para quem mergulha em números e tarefas outras, dia a dia, todo o dia.)
Hoje (re)inventei uma palavra, ou melhor, foi ela, a própria, que me segredou, ao emprestar-me o seu sentir, a sua origem, a sua essência, que acalmar, queria dizer:
estar com a alma, estar dentro da alma… (para quem não sabe, que fique desde já a saber, as palavras falam e sentem sozinhas, vivem por elas, só nos emprestam o sentir)
Só me disse isso, a matreira, porque não deu resposta, só sorriso, quando lhe perguntei:
na nossa, ou de outra alma?
Talvez outro dia, mais calmo, ela me diga afinal, qual é a alma que acalma…
27 maio 2004
poema desenhado
Há poemas que não se escrevem, desenham-se, depois, com sensibilidade, ou ilusão descrevem-se com emoção. Este que vejo, que fixo, que me transforma, é quase paixão. É linha única, de homem, talvez rapaz, que brinca, que joga. A linha é precisa que o desenhador não é qualquer, (por isso quem vê, imagina que o que se joga, não é só brincadeira, é coisas outras, mais profundas, só dele, que sentiu). Dentro da forma, a dar-lhe cor e sorriso, no mesmo corpo, nas mesmas linhas, está mulher, talvez menina. O poema, não está na linha, está na sombra, suave e colorida do abraço da mulher.
Tentativa de descrição do poema desenhado de Mestra Almada - La raqueta Japonesa
26 maio 2004
árvore-laranja
Olhei arvore-laranja, fresca de sombra, pintada de sua cor. Convidou-me, simpática, a levar cores que lhe pesavam. Não gostava ela, sabia-o eu, de ver suas cores pingadas no chão, que este se quer verde , castanho, ou de outra qualquer. Laranja é que não! “Colhe-me, insistiu!”
Fui buscar escada, em passos solenes, que árvore avó merecia respeito, não só pela sombra, não só pelas cores, por ela, que me dava a sorrir sangue dela, em doces coloridos. Uma a uma, guardei as cores que me oferecia, todas diferentes, todas dela, com cuidados muitos, como ela merecia.
“Não sejas tonto, não me colhas assim, que não me vês toda. Dessa escada, mesmo alta, só me tiras cor pouca, e só por fora fico outra, em tons verde-sem-laranja. Sobe-me os ramos, olha-me de dentro, que eu envolvo-te de fresco e de cores, que daqui vês muitas. Só daqui, por mim, de mim, me vês frutos todos, os de dentro, os de fora, e os que chorei para o chão."
Fui buscar escada, em passos solenes, que árvore avó merecia respeito, não só pela sombra, não só pelas cores, por ela, que me dava a sorrir sangue dela, em doces coloridos. Uma a uma, guardei as cores que me oferecia, todas diferentes, todas dela, com cuidados muitos, como ela merecia.
“Não sejas tonto, não me colhas assim, que não me vês toda. Dessa escada, mesmo alta, só me tiras cor pouca, e só por fora fico outra, em tons verde-sem-laranja. Sobe-me os ramos, olha-me de dentro, que eu envolvo-te de fresco e de cores, que daqui vês muitas. Só daqui, por mim, de mim, me vês frutos todos, os de dentro, os de fora, e os que chorei para o chão."
25 maio 2004
uma flor chamada Maria...
(titulo emprestado por Mestre Alves Redol, que um dia soube escrever história simples de uma flor, mas essa era história de crianças. Esta é muito mais séria. Tem cor.)
Passou por uma flor. Não sebe se a viu se a sentiu. Estava ali. Deixou-o passar. Mas estava ali, sabia-a ali, era o seu lugar. Não lhe sabia cor. Não a viu (sei-o agora, que escrevi,).
Depois, só depois, roubou-lhe o olhar, a sua cor. Seguiu-o e quis levá-la, levantando-a do chão. Olhou-o triste só com a cor. Queria tanto as cores daquela flor. Só lhe tinha jarra para lhe dar, mas aí só lhe sentia dor. Hesitou passos. Perdeu-se no andar. Ah, se ao menos a flor lhe emprestasse pelo menos o odor…
Mas o que ele queria era mesmo a cor. Era linda aquela cor, da sua flor. Por mais que andasse (não nos vamos a atrever e dizer, por mais que ele fugisse, não vá a flor saber e sentir-se triste), ia sempre ao lugar, onde longe da jarra, ali estava, amor-perfeito (nome que damos àquela flor). Sentou-se, fez-se laço e ali ficou até se transformar em flor (contam os antigos, que àquele sitio, por causa da cor, lhe deram nome de Vale Flor…)
Passou por uma flor. Não sebe se a viu se a sentiu. Estava ali. Deixou-o passar. Mas estava ali, sabia-a ali, era o seu lugar. Não lhe sabia cor. Não a viu (sei-o agora, que escrevi,).
Depois, só depois, roubou-lhe o olhar, a sua cor. Seguiu-o e quis levá-la, levantando-a do chão. Olhou-o triste só com a cor. Queria tanto as cores daquela flor. Só lhe tinha jarra para lhe dar, mas aí só lhe sentia dor. Hesitou passos. Perdeu-se no andar. Ah, se ao menos a flor lhe emprestasse pelo menos o odor…
Mas o que ele queria era mesmo a cor. Era linda aquela cor, da sua flor. Por mais que andasse (não nos vamos a atrever e dizer, por mais que ele fugisse, não vá a flor saber e sentir-se triste), ia sempre ao lugar, onde longe da jarra, ali estava, amor-perfeito (nome que damos àquela flor). Sentou-se, fez-se laço e ali ficou até se transformar em flor (contam os antigos, que àquele sitio, por causa da cor, lhe deram nome de Vale Flor…)
21 maio 2004
fim do desenho do ver
Este espaço chegou ao fim.
Não é morte, é fim, como as histórias.
O fim não se desenha, nunca vi quadro ou cor com fim.
Tentei desenhar uma história, sem quadro mas com cor e senti-la.Senti-a.Coloquei-lhe um ponto, o meu ponto. Não conheço pontos finais.
Este é só um ponto, com fim.
Mas, mesmo antes do ponto, desenho um beijo para a mana, que sem querer, criou este espaço.
Nasceu de um impulso, numa carta-resposta, para ti.
Depois vieram memórias, depois o desenho e o sentir.Das memórias ficaram as nossas fugas de meninos, por entre, e por dentro do “mato” de Angola, por onde caminhávamos como se fossemos para a escola, DESCOBRIR.Íamos sem saber perigo (Se criança não o sabe, é porque não existe). Não sei se era eu que te puxava a mão, ou se me deixava ir, não recordo, sei que foi aí que me nasceram os olhos e o sentir…
Foi assim que nasceu este espaço, Ana Maria…
Fim…
(Porque com três pontos se sente um poema)
Não é morte, é fim, como as histórias.
O fim não se desenha, nunca vi quadro ou cor com fim.
Tentei desenhar uma história, sem quadro mas com cor e senti-la.Senti-a.Coloquei-lhe um ponto, o meu ponto. Não conheço pontos finais.
Este é só um ponto, com fim.
Mas, mesmo antes do ponto, desenho um beijo para a mana, que sem querer, criou este espaço.
Nasceu de um impulso, numa carta-resposta, para ti.
Depois vieram memórias, depois o desenho e o sentir.Das memórias ficaram as nossas fugas de meninos, por entre, e por dentro do “mato” de Angola, por onde caminhávamos como se fossemos para a escola, DESCOBRIR.Íamos sem saber perigo (Se criança não o sabe, é porque não existe). Não sei se era eu que te puxava a mão, ou se me deixava ir, não recordo, sei que foi aí que me nasceram os olhos e o sentir…
Foi assim que nasceu este espaço, Ana Maria…
Fim…
(Porque com três pontos se sente um poema)
espero, chuva de palavras, que não vêem
Espero, não sei se palavras. Simplesmente não sei, mas espero. Sinto-me pescador que olha, o mar, o céu e se funde no ar, em espera. Não é hora, pensa, (talvez), e o que era só olhar, foi-se transformando em sentir. Mais que sentidos, porque o corpo acelera compassos, ritmos já esquecidos. Aguardo palavras. Sentença. Sem juiz, porque o não há. Os minutos, são lentos, são horas. Que coisa estranha o dia. Afinal, ele brinca, ele baralha. Espero palavras. Perdi-me no tempo, no sentir, nesta interminável espera. Fiquei preso em cores já esquecidas. Estou bem. Até as palavras esperam. Estão presas no tempo. Oiço o Mar, está calmo, também ele espera, gaivotas, (talvez).
O sentido das palavras mudou. Estranho a incerteza, mas sinto-me confusamente, bem. Serenidade? Não sei! Espero palavras que não vem. Andam por certo por aí a voar. Ficaram ao colo? De quem? Não é angústia, é calma, já disse, é Mar que se espreguiça, não esqueçam. Vai e vem. Limpa passos de areia. Passos perdidos? Não sei, perdi-me de pensamentos. Só sinto. Espero.
Nem as palavras vêem, por isso as repito. São as que tenho. Afinal, espero chuva, de palavras.
Dava jeito.
Abraços também…
O sentido das palavras mudou. Estranho a incerteza, mas sinto-me confusamente, bem. Serenidade? Não sei! Espero palavras que não vem. Andam por certo por aí a voar. Ficaram ao colo? De quem? Não é angústia, é calma, já disse, é Mar que se espreguiça, não esqueçam. Vai e vem. Limpa passos de areia. Passos perdidos? Não sei, perdi-me de pensamentos. Só sinto. Espero.
Nem as palavras vêem, por isso as repito. São as que tenho. Afinal, espero chuva, de palavras.
Dava jeito.
Abraços também…
20 maio 2004
o meu dia
O dia entrou violento,
mal educado.
Entrou furacão,
feito paixão,
em atropelo,
incontido,
mutação.
Feriu-me em luz ,l
acerou me o sentir,
o entendimento,
a razão,sem mentir.
Olhei-o!
Fitei-o,
mas continuou galope crina em vaga-turbilhão.
Todo ele era nuvem ao vento,
onda,
explosão.
Parei,
invisualizei-me,
ausência do sentir,
mas ele gritou,
abanou,
empurrou,
parecia multidão.
Pára!
Quase gritei!
Implorei, quase oração.
Quis fugir-lhe,
mas disse, Não!
Respirei-te o ar,
Olhei-te fundo,
quase mar,
peguei-te mão e disse-te,
devagar,
dá-te tempo,
aprende a dançar,
não te finjas tempestade,
amanhã és outro,
inteiro,
gente,
cidade.
Por mais que corras,
por mais que grites,s
ó te tens Tempo.
Não te faças morto.
Já pensaste?Olhar para ti
e ter-te,
grande,
inesquecível?
Já imaginaste,
sentir-te?
Seres história contada a netos que vão ser Avós?
Basta seres sensível,
único,
inconfundivelmente ÚNICO,
mágico,
mistério,
voz!
DESCOBERTA!
Deixa me descobrir-te ,
sentir-te,
pintar-te,
para seres o Meu dia,
a minha fantasia,
suave,
terno,
quente
meta,
sem me sentir ausente,
e ser ave,
sol-poente...
Recados de um dia que não se deixou atropelar, por quem o não via...
"Tu é que te iludiste que eu tinha mais tempo para te dar, tu é que me atropelaste e me cegaste em cor. Se há coisa que não posso fazer é inventar-me para ti. Sou sempre o mesmo, tu é que me passeias a fugir-te.
Pára tu, para me veres.
Eu não corro, não o sei, estou preso em mim, cada segundo morro, cada segundo vivo, estou preso, em grades do olhar e da fantasia de cada um que me toma como seu.
Só me liberto porque cada um me usa, me consome de maneiras várias.
Sou sombra e luz em cada um que me corre. Sou aquilo que não tens, não sou Ser, mas vivo, vivo-te enquanto tu me corres em olhares multicolores.
Por tudo isso, aprende-me, que eu sou flor que só dura um dia. Vive-me, porque amanhã é outro dia."
E ele , sem pedir licença ( eu bem disse que ele era mal educado) tornou-se ÚNICO, e não coube em mim. Fiquei cheio de silêncios e sentimentos vários, a sorrirem-me criança, todos só para mim…
mal educado.
Entrou furacão,
feito paixão,
em atropelo,
incontido,
mutação.
Feriu-me em luz ,l
acerou me o sentir,
o entendimento,
a razão,sem mentir.
Olhei-o!
Fitei-o,
mas continuou galope crina em vaga-turbilhão.
Todo ele era nuvem ao vento,
onda,
explosão.
Parei,
invisualizei-me,
ausência do sentir,
mas ele gritou,
abanou,
empurrou,
parecia multidão.
Pára!
Quase gritei!
Implorei, quase oração.
Quis fugir-lhe,
mas disse, Não!
Respirei-te o ar,
Olhei-te fundo,
quase mar,
peguei-te mão e disse-te,
devagar,
dá-te tempo,
aprende a dançar,
não te finjas tempestade,
amanhã és outro,
inteiro,
gente,
cidade.
Por mais que corras,
por mais que grites,s
ó te tens Tempo.
Não te faças morto.
Já pensaste?Olhar para ti
e ter-te,
grande,
inesquecível?
Já imaginaste,
sentir-te?
Seres história contada a netos que vão ser Avós?
Basta seres sensível,
único,
inconfundivelmente ÚNICO,
mágico,
mistério,
voz!
DESCOBERTA!
Deixa me descobrir-te ,
sentir-te,
pintar-te,
para seres o Meu dia,
a minha fantasia,
suave,
terno,
quente
meta,
sem me sentir ausente,
e ser ave,
sol-poente...
Recados de um dia que não se deixou atropelar, por quem o não via...
"Tu é que te iludiste que eu tinha mais tempo para te dar, tu é que me atropelaste e me cegaste em cor. Se há coisa que não posso fazer é inventar-me para ti. Sou sempre o mesmo, tu é que me passeias a fugir-te.
Pára tu, para me veres.
Eu não corro, não o sei, estou preso em mim, cada segundo morro, cada segundo vivo, estou preso, em grades do olhar e da fantasia de cada um que me toma como seu.
Só me liberto porque cada um me usa, me consome de maneiras várias.
Sou sombra e luz em cada um que me corre. Sou aquilo que não tens, não sou Ser, mas vivo, vivo-te enquanto tu me corres em olhares multicolores.
Por tudo isso, aprende-me, que eu sou flor que só dura um dia. Vive-me, porque amanhã é outro dia."
E ele , sem pedir licença ( eu bem disse que ele era mal educado) tornou-se ÚNICO, e não coube em mim. Fiquei cheio de silêncios e sentimentos vários, a sorrirem-me criança, todos só para mim…
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