07 junho 2004

silêncios

Não importa o timoneiro, é o Mar que me inspira, que me olha, que me vê e cola peça a peça, o que desfeito se quer inteiro. É o Mar que me leva, não resisto, vou na bruma, no nevoeiro. Sinto os cheiros, os sons, os silêncios e na pequenez do meu olhar, vejo caminho, só caminho para andar, só falta o sentir, só falta o querer. Navego, só, no mar e no mar me abraço, de longe, de perto em ondas que me embalam. É o mar que fala, que me deixa sonhar, só falta sentir, desenhar…
Oiço longe, violinos-onda-a-praiar e deixo-me ir, devagar, qual menino, a dormir, a descansar.
Não importa o barco, não é ele que me leva, é o mar…

06 junho 2004

hoje

No meu viver, hoje, canto o vento, porque me eleva, leva, leve. Por isso navego, sem barco. Só velas e olhar, de noite, com as estrelas...

05 junho 2004

para que incomode o olhar, o nosso...

“Quem se ilude que há uma só verdade, perdeu o ponto. A vista. Ela está em cada reflexo, em cada olhar em que se Acredita!A Verdade existe em cada um que a ACREDITA. A Única, a UNA, essa é intensa e cega, não se olha de frente, porque Todos não a conseguem olhar do mesmo Ponto, e cada um sabe-a, desde que a Sinta”

In “ Apontamentos para um Manual da Inquietação, em esboço desenhado a lápis-carvão”

04 junho 2004

passos

Piso passos que me pesam, que me levam, só eles sabem para onde. Olham-me pedra fria, de longe.
Fogem de medo de quem os pisa. Passos de mim, sem laços. Sózinhos.
Oferecem-se.
São passos palhaços, que se choram, que se riem, de mim…
A quem dou, estes passos?
Quem vê cor neste andar?
Refexos?
Sombras?
Caminho que não sente os passos...
Piso passos que me pesam...

03 junho 2004

o meu quadro

Juntei lágrimas ás cores que me sorriram e pintei quadro, que ficou assim, inacabado, esbatido, sem sentido, sem Vida, sem sentir.

o meu quadro, não só um quadro, é por onde caminho…

02 junho 2004

para todos vós, e para mim...

Vós,
cobardes, não ouseis sentir,
cegai,
seja qual razão,
só vos é permitido chão,
mortalha,
solidão.
Não tenteis sequer ter coração,
sois fantasma,
ilusão.
E vós que julgais,
mesmo sabendo razão,
não ousais ,
sentir lágrima,
sentir dor,
de quem sendo assim,
ainda vê,
e sente,
mesmo sem coração...

01 junho 2004

redoma

De asa quebrada,
mergulho,
em livros,
em folhas,
palavras outraspara sentir,
outros,para ouvir.R
edoma esguia,
que em mim,
se guia,
para não fugir...

não uso tempos, nem agendas ou instrumentos outros que meçam pedaços do existir. é jeito meu. por isso passar de um ano para o outro é cousa...