23 junho 2004

cor sépia

Encontrei árvore que me disse, vem...
Fui, sem procurar sombra, era de cor sépia, a árvore que me chamava...

brinquedos

Revi menino de cabelo-negro-azul, que quando criança, gostava de brincar com coisas-que-mexem-sózinhas. Era importante o movimento, não qualquer, mas o que se dirigia para lugar algum, ou melhor que ia, mas não sabia como, nem sentido. Estimulava-o imaginar, para onde saltava a pequena rã que escondia no lavatório de casa de banho, para onde se escapulia lagarto sem cauda, guardado no bolso, escaravelho multicolor,a fazer cócegas na sua mão, pequena formiga, formiga de asas, abelha, que lhe andavam no braço, pinto, pato, coelho, minhoca, que o fintavam no esconde-esconde, ou pequenos ovos de camaleão que escondidos em podres de madeira lá estavam à espera dele.
Era um Universo saltitante que o brilhava, que o esvoaçava em histórias e em emoções infindas, coloridas, de vida, reais, suas. Não era difícil, vê-lo a imaginar libélula em forma de dragão, pequeno lagarto, em forma de príncipe, abelha em forma de fada, e tudo rodava em volta dos seus soldadinhos-que-mexiam-sozinhos. Eram os seus brinquedos favoritos, daquele menino, que em criança tinha um mundo só para si. Hoje vi-o. Andava por aí…

22 junho 2004

azuis, castanhos...

Raptei-me do tempo.
Sem palavras.
Viajei em sonhos antigos.
Sem memórias. Roubei-me e vivi-me, em abraço, em partilha.
No fim, pintei azuis-picasso-pulseira-de-promessa e olhei castanhos, outros.
Fitei-os.
Eram castanhos-brilho-de estrela-de-marinheiro-sem-bússola, castanhos-de-caminhos, de chegada e de partida.
Sem Tempos.
Sem Palavras.
Sem Memórias.
Outros.
Novos!

praia-mar

Para onde foste, para onde fugiste, diz-me porque não estás, porque voas em céu que não avisto. Sê alma, que se alimenta no Mar que me olha horizonte. Paira, suave quase sombra, livre, mas passeia-te vezes várias na areia em que me sento a refrescar, com o sal que se mistura e se lava nas lágrimas, que se evaporam chuva no Eu que não parte.
Voa, visita-me nas pegadas que deixo na areia, como quem procura labirinto dentro de si.
Visita-me, voa-me nos passos que gravo e que fogem sozinhos nas ondas de praia-mar…

21 junho 2004

transformações

Estendi a mão e mergulhei-a nas águas do rio que me corre. Senti o fresco a acariciar-me o olhar e os sentidos, depois, lentamente (como criança que tenta agarrar sonho), tentei agarrar a água que me corria. Fechei mão, levantei-a ao olhar. Em vez de rio, levantei lágrimas que apressadas devolveram-se, gota-a-gota, sem um adeus, para o seu caminho, disfarçadas de verdes-reflexo-de-paisagem-de-árvores-vestidas-de-novo. Na mão, ficou o fresco, que se transformou em sorriso, em beijo, que se juntou ao vento adoçando a frescura, que me levantou o olhar para o horizonte-mar, e me transformou em gaivota…

danças de amor

Toquei-te de longe, ao longe, em sons mágicos que se iludem, quase corpo, que se envolve em melodias, em danças outras, suaves, doces que se embalam de amor. A melodia voa, foge, não estás. Danças, bailado de cisne-gaivota, que permanece no olhar que se estende longe, a planar quase sonho, quase cor…

20 junho 2004

fuga(s)

O sentido da tua fuga é para a Liberdade, resta saber, quem foge atrás de quem...
(sabem, e se o não sabem deviam já saber, que o autor entende que as palavras tem vida própria - usa lápis-flor, quando as escreve, ou pincel-flor quando as pinta – pelo que, questiona, se é ele que corre atrás da Liberdade, ou se é esta que o não larga e corre atrás dele), (manias esquizofrénicas, temos que admitir, daí a sua inquietude. Resignemo-nos então e deixemos o autor em paz, que A procura, por caminhos inquietos, é verdade, mas que A procura não temos duvidas).
(Para quem não gosta de labirintos o texto, a mente ou as palavras, estão a abusar, afinal quantos estão a escrever?).

In "Apontamentos para o manual da inquietação, ou como a (com) phusão (pretende-se com o recurso a escrita antiga, (mesmo que recriada) fazer uma ligação aos antepassados, e à genética que corre no ADN do autor, porque a fuga de que se fala, vem detrás, certamente, e que feita pirilampo, estimula gestos e sentires, escondidos nas almas que convergem no autor, que angustiado se deixa fugir na procura dos sentidos, olhando a liberdade no VER), de uma fuga incerta provoca um questionar inquieto de forma a saber quem foge ou quem agarra.

Nota : desculpem o labirinto do texto, deve ser do calor, aconselha-se a reler, se paciência tiverem, sem olhar para os parênteses, só atrapalham …

não uso tempos, nem agendas ou instrumentos outros que meçam pedaços do existir. é jeito meu. por isso passar de um ano para o outro é cousa...