Tempo, sem tempo,
de beijos,
ausentes.
Tempo dos tempos,
dementes,
presentes.
Tempos, (des)temperados,
mortos,
doentes,
tempo sem tempo
(in)temporal,
beijo-cor,
coral,
semente
24 junho 2004
23 junho 2004
ondas que se fingem
O mar agita,
negro,
o olhar que o procura.
Ventos,
sós,
que se gritam,
sem voz.
Em noite escura,
o vento sopra,
empurra-te,
levanta-te ,
espuma,
em ondas que se fingem copa,
de árvores,
de amargura.
A luz,
cega,
em cor,
em bruma,
em dor.
É alma que chora,
lágrima quente,
em forma de cruz.
O vento ora,
foge,
leva-me,
sem onde,
sem hora...
negro,
o olhar que o procura.
Ventos,
sós,
que se gritam,
sem voz.
Em noite escura,
o vento sopra,
empurra-te,
levanta-te ,
espuma,
em ondas que se fingem copa,
de árvores,
de amargura.
A luz,
cega,
em cor,
em bruma,
em dor.
É alma que chora,
lágrima quente,
em forma de cruz.
O vento ora,
foge,
leva-me,
sem onde,
sem hora...
cor sépia
Encontrei árvore que me disse, vem...
Fui, sem procurar sombra, era de cor sépia, a árvore que me chamava...
Fui, sem procurar sombra, era de cor sépia, a árvore que me chamava...
brinquedos
Revi menino de cabelo-negro-azul, que quando criança, gostava de brincar com coisas-que-mexem-sózinhas. Era importante o movimento, não qualquer, mas o que se dirigia para lugar algum, ou melhor que ia, mas não sabia como, nem sentido. Estimulava-o imaginar, para onde saltava a pequena rã que escondia no lavatório de casa de banho, para onde se escapulia lagarto sem cauda, guardado no bolso, escaravelho multicolor,a fazer cócegas na sua mão, pequena formiga, formiga de asas, abelha, que lhe andavam no braço, pinto, pato, coelho, minhoca, que o fintavam no esconde-esconde, ou pequenos ovos de camaleão que escondidos em podres de madeira lá estavam à espera dele.
Era um Universo saltitante que o brilhava, que o esvoaçava em histórias e em emoções infindas, coloridas, de vida, reais, suas. Não era difícil, vê-lo a imaginar libélula em forma de dragão, pequeno lagarto, em forma de príncipe, abelha em forma de fada, e tudo rodava em volta dos seus soldadinhos-que-mexiam-sozinhos. Eram os seus brinquedos favoritos, daquele menino, que em criança tinha um mundo só para si. Hoje vi-o. Andava por aí…
Era um Universo saltitante que o brilhava, que o esvoaçava em histórias e em emoções infindas, coloridas, de vida, reais, suas. Não era difícil, vê-lo a imaginar libélula em forma de dragão, pequeno lagarto, em forma de príncipe, abelha em forma de fada, e tudo rodava em volta dos seus soldadinhos-que-mexiam-sozinhos. Eram os seus brinquedos favoritos, daquele menino, que em criança tinha um mundo só para si. Hoje vi-o. Andava por aí…
22 junho 2004
azuis, castanhos...
Raptei-me do tempo.
Sem palavras.
Viajei em sonhos antigos.
Sem memórias. Roubei-me e vivi-me, em abraço, em partilha.
No fim, pintei azuis-picasso-pulseira-de-promessa e olhei castanhos, outros.
Fitei-os.
Eram castanhos-brilho-de estrela-de-marinheiro-sem-bússola, castanhos-de-caminhos, de chegada e de partida.
Sem Tempos.
Sem Palavras.
Sem Memórias.
Outros.
Novos!
Sem palavras.
Viajei em sonhos antigos.
Sem memórias. Roubei-me e vivi-me, em abraço, em partilha.
No fim, pintei azuis-picasso-pulseira-de-promessa e olhei castanhos, outros.
Fitei-os.
Eram castanhos-brilho-de estrela-de-marinheiro-sem-bússola, castanhos-de-caminhos, de chegada e de partida.
Sem Tempos.
Sem Palavras.
Sem Memórias.
Outros.
Novos!
praia-mar
Para onde foste, para onde fugiste, diz-me porque não estás, porque voas em céu que não avisto. Sê alma, que se alimenta no Mar que me olha horizonte. Paira, suave quase sombra, livre, mas passeia-te vezes várias na areia em que me sento a refrescar, com o sal que se mistura e se lava nas lágrimas, que se evaporam chuva no Eu que não parte.
Voa, visita-me nas pegadas que deixo na areia, como quem procura labirinto dentro de si.
Visita-me, voa-me nos passos que gravo e que fogem sozinhos nas ondas de praia-mar…
Voa, visita-me nas pegadas que deixo na areia, como quem procura labirinto dentro de si.
Visita-me, voa-me nos passos que gravo e que fogem sozinhos nas ondas de praia-mar…
21 junho 2004
transformações
Estendi a mão e mergulhei-a nas águas do rio que me corre. Senti o fresco a acariciar-me o olhar e os sentidos, depois, lentamente (como criança que tenta agarrar sonho), tentei agarrar a água que me corria. Fechei mão, levantei-a ao olhar. Em vez de rio, levantei lágrimas que apressadas devolveram-se, gota-a-gota, sem um adeus, para o seu caminho, disfarçadas de verdes-reflexo-de-paisagem-de-árvores-vestidas-de-novo. Na mão, ficou o fresco, que se transformou em sorriso, em beijo, que se juntou ao vento adoçando a frescura, que me levantou o olhar para o horizonte-mar, e me transformou em gaivota…
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