Ping!
Caiu em escorrega lento, gota azul-água em papel de arroz. Sem vida, mas em movimento de sons de violinos-trompete, que ecoavam poesias no ar, a aguardar gesto cuidado de pincel-chines.
Ping!
Soava, em bicos de pés de bailarina-cisne, era gota-azul-turquesa, cheia de corpo e de luzes opacas, que choravam desenho,nuvem, ao longe, com verdes desmaiados em águas outras, voados com gaivotas, que cheiravam a sal.
Ping!
Gota de azul-sujo-de-castanhos-humidos, quase lágrima de mendigo. Era gota aguarela, gota olhos-de-pintor, que olhava o mar e cuidados singelos, não fosse a cor assustar-se do pincel e esfumar-se sem vida.
De ping, em ping,
em azuis-de-menina-com-saudades-do-seu-mar-verde-onda, nasceu quadro musica, que ficou nos olhos do pintor, dele, e de todos, que antes de verem cor, ouviam o ping, ping, do azul-água que contava baixinho, histórias de amor...
03 julho 2004
02 julho 2004
sophia
A morte tem destas coisas do sentir, que se transforma num enorme vazio, que se confunde em dor, em lágrima, mas cuja presença é uma nítida e persistente ausência.Aprendi poema a ler-te histórias, daquelas que uma mãe conta a um filho, mais tarde, sentires, depois ainda, serenidade, nas ondas e no mar em que te envolvias em poesia.
Apareceste-me de nome Sophia, livro, brancos-palavra, poemas-de-praia-mar-em-luzes-de-lua-coral-que-choram-sozinhas…
(a Sophia de Mello Breyner Andresen )
Apareceste-me de nome Sophia, livro, brancos-palavra, poemas-de-praia-mar-em-luzes-de-lua-coral-que-choram-sozinhas…
(a Sophia de Mello Breyner Andresen )
01 julho 2004
rio-óvulo
Percorro, tacteando com o olhar, Rio que se forma, corpo. Nascente de vida que converge em destino e emerge do tempo em cores cristalinas, frescas, novas, que transbordam existir.
Percorro Rio que me penteia afectos com dedos de mão “ovulada” de vida, com perfumes e cores de flor-menina.
Percorro Rio que me penteia afectos com dedos de mão “ovulada” de vida, com perfumes e cores de flor-menina.
30 junho 2004
mergulho em miragem, sem cores frias, de aço
Corro-me no espaço que esvoaça em desafio, moldo escultura que faço e desfaço sem tempo,
no espaço.
Neste rumo-viagem, sem ventos, sem velas, sem barco, entrelaço o Ver nas cores frias de aço,
que trespassa,
em angustias dos passos que me correm, que me voam, em luzes que se desfazem na sombra que me evolve em abraço.
Grito-me longe dessas cores que se fingem, que se tingem e voo sereno, mergulhado na miragem que se pinta rubra, viva e que me sente os passos, que correm livres no espaço...
no espaço.
Neste rumo-viagem, sem ventos, sem velas, sem barco, entrelaço o Ver nas cores frias de aço,
que trespassa,
em angustias dos passos que me correm, que me voam, em luzes que se desfazem na sombra que me evolve em abraço.
Grito-me longe dessas cores que se fingem, que se tingem e voo sereno, mergulhado na miragem que se pinta rubra, viva e que me sente os passos, que correm livres no espaço...
29 junho 2004
sonho, quase erótico
Sinto o teu corpo,
castanho-veludo,
que me afaga,
em sopro,
e se funde,
mudo.
Toca-me e voa,
une-se e vive,
em harmonia nua,
no sonho que tive.
Corpos que se amam.
Silêncios,
gemidos,
lençóis que se enlaçam,
em beijos suaves, tímidos...
castanho-veludo,
que me afaga,
em sopro,
e se funde,
mudo.
Toca-me e voa,
une-se e vive,
em harmonia nua,
no sonho que tive.
Corpos que se amam.
Silêncios,
gemidos,
lençóis que se enlaçam,
em beijos suaves, tímidos...
28 junho 2004
aguarelas...as minhas
Desenho-te, não corpo, mas saudade, em traços de aguarela, sem formas. Manchas de lágrimas coloridas, esbatidas em azuis-calmos-de-mar-gaivota…
Pergunto-te, em que cores te escondes, em que traços te sorris, para os pintar e (re)colorir, em pinceladas doces, continuas, unas, sem fim, e afogar esta dor que permanece cega, em mim…
Pergunto-te, em que cores te escondes, em que traços te sorris, para os pintar e (re)colorir, em pinceladas doces, continuas, unas, sem fim, e afogar esta dor que permanece cega, em mim…
morto-vivo
Bateu a porta em som surdo levada pelo vento, em contínuo, voz irada, solta fúria e ira em gritos fundos, que não entram pelos ouvidos mas pelo sentir. Apanham-me frágil. Cai-me lágrima no chão. Uma lágrima. Não tenho mais, engolias em silêncios. Sinto que ultima. Transformo-me, modifico-me com o sofrer e com a dor. Não sinto forças para levantar os olhos, dói-me o corpo que sonhava, dói-me o menino que brincava, que fugia. Parei. Faltam-me a forças para a corrida, para os caminhos. Percebi o que é o sentir da solidão. Toda ela numa lágrima, só. Não são precisas mais lágrimas. Esta basta para me modificar, para me moldar ao que sempre fugi. Tanto me reflecti o Eu, que me fugia. Resto-me Eu, desnudado perante a frustração de uma vida em que medroso me refugiei no sonho, nas fantasias do existir. A vida fere, não sorri. É ilusão o sorriso, encobre-se, esconde-se da dor.
Pergunto-me em desassossego, o que faço aqui? Porque me trouxeste? Porque me criaste um caminho para sulcar, para andar, se não tem sentido, se não tem rumo, nem objectivo? Porque crio tanto rancor, naqueles a quem me dou, a que me entrego de alma? Porque me ferem tanto aqueles que amo? Porque me fazem lágrima, aqueles que me dou por inteiro? Porque não me olham eles? Porque não me vêem? Porque me lapidam, quando de joelhos só lhe peço sorriso? Estou cansado, preciso de um abraço, só para mim. Não me peçam nada, não me exijam mais nada, estou vazio, estou morto, consumido, estilhaçado, morto-vivo-que-transporta-lágrimas.
Dói-me a cabeça, que rebenta em mim. Perdi as cores que me traçavam o caminho, já não vejo o horizonte da alma, que me sussurrava o murmúrio das ondas . Olho o vazio que se encobre em voo de ave, negra, que se eleva ao sol e o encobre em sombras. Voa sem mim, tapa-me a luz, porque a olho de baixo , preso no chão, é ela que olha o sol, fugiu de mim…
Pergunto-me em desassossego, o que faço aqui? Porque me trouxeste? Porque me criaste um caminho para sulcar, para andar, se não tem sentido, se não tem rumo, nem objectivo? Porque crio tanto rancor, naqueles a quem me dou, a que me entrego de alma? Porque me ferem tanto aqueles que amo? Porque me fazem lágrima, aqueles que me dou por inteiro? Porque não me olham eles? Porque não me vêem? Porque me lapidam, quando de joelhos só lhe peço sorriso? Estou cansado, preciso de um abraço, só para mim. Não me peçam nada, não me exijam mais nada, estou vazio, estou morto, consumido, estilhaçado, morto-vivo-que-transporta-lágrimas.
Dói-me a cabeça, que rebenta em mim. Perdi as cores que me traçavam o caminho, já não vejo o horizonte da alma, que me sussurrava o murmúrio das ondas . Olho o vazio que se encobre em voo de ave, negra, que se eleva ao sol e o encobre em sombras. Voa sem mim, tapa-me a luz, porque a olho de baixo , preso no chão, é ela que olha o sol, fugiu de mim…
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