Não era costume arrumar, fechar gavetas, como quem resolve um assunto, uma tarefa. Não era de todo arrumado, nunca fora, sempre agira com o impulso do sentir. Deixava-se ir na vida, como a água de um rio. Sabia-Se e isso bastava. Mas hoje, hoje, o dia, pintara-se de estranhas cores no olhar. Hoje, era um dia anormal no seu viver, uma espécie de eclipse solar, que sendo natural, rareia e torna-se único, especial quando é.
Hoje, fechara gavetas (não necessariamente arrumadas, no que se vê dentro. Fechadas, apenas, sem chaves, não fosse o destino saltar com emoções outras e baralhasse arrumação do sentir…).Fechara-as, uma a uma, não necessariamente com ordem, só o resultado do sentir, fazia prever harmonia (adivinha-se, só por este facto que pelo menos ordem emocionalmente estética havia, se é que o sentir possa ter estética ou mesmo ordem. Quem escreve acha-o).
Sentia-se leve, quase ausente, quase sereno, sentia chão, via-o, sem olhar, sem se fixar na cor, no reflexo, e isso era poema, era horizonte, quase Mar…
Faltava, apenas, só, a sua gaveta. Era a sua gaveta que o puxava e dizia-o, implorando, interrogativa, e Eu?
Sim, sabia-o, faltava a sua gaveta, não tinha espaço para ela, não tinha hierarquia, nem ordem, era a sua gaveta, o seu caos e assim deveria permanecer. Sua, desarrumada, esquecida…
14 julho 2004
13 julho 2004
pintura-retrato em DNA
Retrato figura esbelta linear, menina. Desenho cabelos soltos, caídos em castanhos muitos. Vejo-lhe olhos e pinto-os, cor de mar. Está envolta, abraçada, em mãos, suas, curiosas. Pensa saudades. Pinto-a, disfarço-a em árvore, sem sombras, é menina. Componho imagem com poliedros, grades de hélices, simples, duplas que se combinam em letras, quatro, A-T-G-C, misturadas em fosfatos, em açucares. Letras, palavras que compõem o desenho que lhe traço, é nano-poeta, a menina. É célula-tronco, é vida. Cores, muitas, em tons de creme, que abraça, que sorri. É descoberta!
12 julho 2004
mão, deformada em apelo
Não sei se piso, se ando…
Sinto…
Não são palavras, nem olhares, é o nada, o vazio que enlouquece e me preenche o caminho.
Pesa-me o que piso…
Sinto…
Fecho os olhos, o olhar e visto-me. Deixei de andar nu.
Vou…
Sinto…
Vazio,de mar em sons de Outonos,onda-espuma que se eleva no ar…
Mar-Vulcão.
Sinto...
Pinto-me de cores visíveis em formas de Mim,
sem palavras…
Não sei o que digo, apenas quero estar aqui, vestido de sentidos…
Sinto…
Estendo a mão.
Aberta.
Esticada.
Deformada em apelo.
Foge-me.
Sinto…
Já não ando. Sento-me, penduro-me na estrela que me olha-luz, em baloiço…
Criança que se finge, que se brinca…
Só!
Sinto…
Repito sons, palavras, que moldam o vazio de mim…
Barro húmido, informe, (in)criado no ser-Me!
Sinto-me...
Só!
Onda que emerge, infinda, sem sons…
Já não grito,
piso,
piso-me caminhos...
Sinto…
Não são palavras, nem olhares, é o nada, o vazio que enlouquece e me preenche o caminho.
Pesa-me o que piso…
Sinto…
Fecho os olhos, o olhar e visto-me. Deixei de andar nu.
Vou…
Sinto…
Vazio,de mar em sons de Outonos,onda-espuma que se eleva no ar…
Mar-Vulcão.
Sinto...
Pinto-me de cores visíveis em formas de Mim,
sem palavras…
Não sei o que digo, apenas quero estar aqui, vestido de sentidos…
Sinto…
Estendo a mão.
Aberta.
Esticada.
Deformada em apelo.
Foge-me.
Sinto…
Já não ando. Sento-me, penduro-me na estrela que me olha-luz, em baloiço…
Criança que se finge, que se brinca…
Só!
Sinto…
Repito sons, palavras, que moldam o vazio de mim…
Barro húmido, informe, (in)criado no ser-Me!
Sinto-me...
Só!
Onda que emerge, infinda, sem sons…
Já não grito,
piso,
piso-me caminhos...
11 julho 2004
história trauteada em assobios de trompete e piano ( sem dó menor)
Sensação estranha, bizarra por inteiro, esta de querer contar história e perder-me na imaginação das palavras, que se amotinam e recusam personagens.
Metamorfose híbrida de um contar de memórias, outras, difusas, doentes, que se transformam no próprio corpo do ilusionsta-pintor, preso em rios seus que apodrecem e definham com o tempo, em recusa de poemas-fantasia , rimados em cores esbatidas de querer.
É vida, inventada que escoa, mágica, que me corre nas veias do olhar, em sons de trompete que me "pianeia" ( para além do som das cordas, não esquecer os efeitos do preto e do branco a dançar sozinhos, quase sem dedos, porque estes transformaram-se em bailarinos) os sentidos em improvisos que me fogem das palavras que (des)escrevo, que (des)conto que (des)historio.
Simplesmente, não há história, contada em letras sem cor, apenas sons conexos, sem imaginação , nem sexos, a fingirem-se de Vida...
Metamorfose híbrida de um contar de memórias, outras, difusas, doentes, que se transformam no próprio corpo do ilusionsta-pintor, preso em rios seus que apodrecem e definham com o tempo, em recusa de poemas-fantasia , rimados em cores esbatidas de querer.
É vida, inventada que escoa, mágica, que me corre nas veias do olhar, em sons de trompete que me "pianeia" ( para além do som das cordas, não esquecer os efeitos do preto e do branco a dançar sozinhos, quase sem dedos, porque estes transformaram-se em bailarinos) os sentidos em improvisos que me fogem das palavras que (des)escrevo, que (des)conto que (des)historio.
Simplesmente, não há história, contada em letras sem cor, apenas sons conexos, sem imaginação , nem sexos, a fingirem-se de Vida...
10 julho 2004
cumplicidades em aromas do sentir
Converso-me contigo, que me olhas, que me esperas, em sossego, sem exigências, sem angústias. Olhas-me calmo, pousado na mesa, quase esquecido, arrefecido de fumos pardos em movimentos que se pensam, que se escrevem, se desenham. Companheiro, quase amigo, de confissões, de histórias e de lágrimas. Pego-te, após ano de indiferença, e acendo-te, em ritual de paixão, de aroma, de cumplicidade. Esfumas-te, e sinto-me em companhia de mim, mão-cachimbo que se inventa em história-poemas. Esqueço-me, ausento-me em músicas em tons de jaz, e sinto-me nuvem, em brasa lenta que me pensa…
08 julho 2004
ás voltas com um dia não, que voou até à minha mão
Contaram-me a história de um dia não, ou melhor fizeram-me pensar, como se preenche um dia não.
Fiquei parado, a imaginar, a imaginar-me, a percorrer os espaços de um caminho que se dirige para um dia assim, feio, careta-amargo.
Assim como?
Um dia cheio de vazios de sentir!
Um dia que anda ao contrário!
Onde as estrelas são negro e o negro luz!
Um dia que não cabe no olhar, um dia que não se sorri, que se despinta, que se desnuda, frio de Ver!
Um dia, não, é um livro que deixa escorregar todas as suas letras por entre as páginas que se viram, ao vento e se amontoam, em pirâmide de sal, salgado, mas negro…
Que fazer a todas aquelas letras que já foram história, já foram sentir, já foram palavras de poema, já foram sentires de amor e agora são letras que só por acasos caóticos formam a palavra não, ou palavra qualquer?
Fecho os olhos e pinto, um não, sem cor, traçado-escrito, no vazio, só para sentir que ele está ali, preso na palavra, preso na escrita e ...
sorrio,e gargalho-me e corro contente, alegre-palhaço, alegre-menino, a avisar toda a gente, a anunciar o feito, o acontecer...
Escrevi-o!
Prendi-o!
Fechei-o, guardado no papel!
Queimei-o!
Volatilizei-o!
Hoje já não há mais dia não!
Agora conta, menina, conta a tua história, para amanhã vermos todas as cores da tua estrela…
Fiquei parado, a imaginar, a imaginar-me, a percorrer os espaços de um caminho que se dirige para um dia assim, feio, careta-amargo.
Assim como?
Um dia cheio de vazios de sentir!
Um dia que anda ao contrário!
Onde as estrelas são negro e o negro luz!
Um dia que não cabe no olhar, um dia que não se sorri, que se despinta, que se desnuda, frio de Ver!
Um dia, não, é um livro que deixa escorregar todas as suas letras por entre as páginas que se viram, ao vento e se amontoam, em pirâmide de sal, salgado, mas negro…
Que fazer a todas aquelas letras que já foram história, já foram sentir, já foram palavras de poema, já foram sentires de amor e agora são letras que só por acasos caóticos formam a palavra não, ou palavra qualquer?
Fecho os olhos e pinto, um não, sem cor, traçado-escrito, no vazio, só para sentir que ele está ali, preso na palavra, preso na escrita e ...
sorrio,e gargalho-me e corro contente, alegre-palhaço, alegre-menino, a avisar toda a gente, a anunciar o feito, o acontecer...
Escrevi-o!
Prendi-o!
Fechei-o, guardado no papel!
Queimei-o!
Volatilizei-o!
Hoje já não há mais dia não!
Agora conta, menina, conta a tua história, para amanhã vermos todas as cores da tua estrela…
07 julho 2004
sonho de menino-indio-que-olha-o-horizonte
Olho as palavras que me agrilhoam o Eu e imagino-as a florir em histórias infantis, contadas por saltimbanco-que-mendiga-destinos-por-existir. Visto-as de figuras falantes que correm em quimeras, em jogo de esconde-esconde-colorido...
Brinco palavras-vivas, que chilreiam gargalhadas de meninos que não se vêem, porque se engoliram no seu próprio mundo e imaginam-se livres em sonho, sentido, vivido, gulosamente vivido...
Brinco palavras-cor, em perfumes de flor-fada que não gosta de príncipes, em floresta de Outonos, perdido em cores de amêndoas doces...
Digo-me, coelho-fantasma que se inventa palavra-sem-som, que se transforma em afectos, e saltita bailarino, vestido e pintado de Pierrot, no teclado de piano que voa-universo...
Vejo-me, palavra sonho que adormece em nuvem que se aquece e que chora cores de menino-borboleta-de-olhos-que-voam...
Desenho palavra em forma de menino-indio-que-olha-o-horizonte e perco-me nos sentidos do sonho,
e calo-me,
e oiço,
e vejo-Te...
Brinco palavras-vivas, que chilreiam gargalhadas de meninos que não se vêem, porque se engoliram no seu próprio mundo e imaginam-se livres em sonho, sentido, vivido, gulosamente vivido...
Brinco palavras-cor, em perfumes de flor-fada que não gosta de príncipes, em floresta de Outonos, perdido em cores de amêndoas doces...
Digo-me, coelho-fantasma que se inventa palavra-sem-som, que se transforma em afectos, e saltita bailarino, vestido e pintado de Pierrot, no teclado de piano que voa-universo...
Vejo-me, palavra sonho que adormece em nuvem que se aquece e que chora cores de menino-borboleta-de-olhos-que-voam...
Desenho palavra em forma de menino-indio-que-olha-o-horizonte e perco-me nos sentidos do sonho,
e calo-me,
e oiço,
e vejo-Te...
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