Sento-me em rochedo que penetra, em acto fecundo de amor, no Mar. Paro-me no olhar. Suspendo-me do existir, sentado naquela quilha navegante de pedra salgada em eternidade de comunhão com as águas de vida. Sinto-me em estado-de-alma quando me fundo em pensamentos com o horizonte, acarinhado por ventos-brisa-onda . É a minha porta para o lado de lá do olhar, é o meu ponto de fuga. (quem escreve, diz-se desenhador, quem lê acha estranho um desenhador ter um ponto de fuga que se desenha linha, quem pinta e sente, sabe que o horizonte é ponto de fuga para quem desenha a imaginação do sentir de um sonho…)
19 julho 2004
18 julho 2004
leituras
Afago livro. Páro. Hesito-olhares. Medos da vida que fervilha, que pulsa-sol em ver e que se fixam em poemas e histórias, de outros. Abro. Lento. Deslizo-me em folhas-palavras-poema. Percorro rio de Medos. Medo que as palavras saltem da história-poema e eu me perca nas palavras e não me consiga livrar delas, da história. Medo da fusão de sentires e desencontrar-me com a minha própria história, do meu poema. Medo de perder o meu sentir e passar a contá-lo com palavras que não são minhas. As palavras que se fugiram de olhos outros, puxam-me. Paro. Lento. Leio e vagueio pelo maravilhar do sentir e cresço-me, agora sem medos, com palavras outras. Novas. Minhas.
17 julho 2004
intensidades
O corpo fugiu-me, deixou-me suspenso do tempo em voo-de-alma. Voar de sentidos, presente, intensamente presente, como se o olhar visse sozinho, tudo por inteiro, sem horizontes. Intenso, este olhar que se atrevia a ver mesmo sem luz. Olhar penumbra de noites de maresia de luz-lua. Olhar-voador. Olhar-gaivota. Dolorosamente livre! Sublime...
16 julho 2004
sou
sento-me noite, na areia casada em espuma. oiço. é o universo que me fala, que me canta em encantos de poesia. sem palavras. sem sal, nem sabores. inteiro. simples. deixo-me envolver em ondas que me chamam e me ardem os sentires, em calores de noite, sem vento que me brisa o olhar. oiço e entro em universo que paira em alma. saio de mim. sou eu, fora, dentro de coisa maior. estrela? luz? não importa. estou. sou.
15 julho 2004
afectos…
Quando queremos dar um afecto, trocar um carinho, transmitir confiança, tocamos.
Damos,
um abraço,
uma mão,
ou as duas, que se tocam, quatro, (n)UM sentir.
Apertamos.
Sentimos.
Unimos.
Damos, as mãos…
Hoje, passou por mim, alguém, vestida de recordação que me deu um olhar.
Tocou-me, com o tamanho todo do Universo…
Damos,
um abraço,
uma mão,
ou as duas, que se tocam, quatro, (n)UM sentir.
Apertamos.
Sentimos.
Unimos.
Damos, as mãos…
Hoje, passou por mim, alguém, vestida de recordação que me deu um olhar.
Tocou-me, com o tamanho todo do Universo…
lápis vivo, atrevido que se transformou em desenho...
Desenho o teu cabelo, longo, onda-mar. O teu cabelo. Teu, que só existes no olhar e na cor que se vive no lápis que se chora sépia-sol.
Distancio-me da linha que ondula em praia mar no papel-marfim. Não tem corpo, nem alma. É corpo nuvem que me ardeu-fogo no olhar e que me fugiu, rebelde em linha-cabelo no desenho, que nasceu saudade…
Distancio-me da linha que ondula em praia mar no papel-marfim. Não tem corpo, nem alma. É corpo nuvem que me ardeu-fogo no olhar e que me fugiu, rebelde em linha-cabelo no desenho, que nasceu saudade…
14 julho 2004
gavetas
Não era costume arrumar, fechar gavetas, como quem resolve um assunto, uma tarefa. Não era de todo arrumado, nunca fora, sempre agira com o impulso do sentir. Deixava-se ir na vida, como a água de um rio. Sabia-Se e isso bastava. Mas hoje, hoje, o dia, pintara-se de estranhas cores no olhar. Hoje, era um dia anormal no seu viver, uma espécie de eclipse solar, que sendo natural, rareia e torna-se único, especial quando é.
Hoje, fechara gavetas (não necessariamente arrumadas, no que se vê dentro. Fechadas, apenas, sem chaves, não fosse o destino saltar com emoções outras e baralhasse arrumação do sentir…).Fechara-as, uma a uma, não necessariamente com ordem, só o resultado do sentir, fazia prever harmonia (adivinha-se, só por este facto que pelo menos ordem emocionalmente estética havia, se é que o sentir possa ter estética ou mesmo ordem. Quem escreve acha-o).
Sentia-se leve, quase ausente, quase sereno, sentia chão, via-o, sem olhar, sem se fixar na cor, no reflexo, e isso era poema, era horizonte, quase Mar…
Faltava, apenas, só, a sua gaveta. Era a sua gaveta que o puxava e dizia-o, implorando, interrogativa, e Eu?
Sim, sabia-o, faltava a sua gaveta, não tinha espaço para ela, não tinha hierarquia, nem ordem, era a sua gaveta, o seu caos e assim deveria permanecer. Sua, desarrumada, esquecida…
Hoje, fechara gavetas (não necessariamente arrumadas, no que se vê dentro. Fechadas, apenas, sem chaves, não fosse o destino saltar com emoções outras e baralhasse arrumação do sentir…).Fechara-as, uma a uma, não necessariamente com ordem, só o resultado do sentir, fazia prever harmonia (adivinha-se, só por este facto que pelo menos ordem emocionalmente estética havia, se é que o sentir possa ter estética ou mesmo ordem. Quem escreve acha-o).
Sentia-se leve, quase ausente, quase sereno, sentia chão, via-o, sem olhar, sem se fixar na cor, no reflexo, e isso era poema, era horizonte, quase Mar…
Faltava, apenas, só, a sua gaveta. Era a sua gaveta que o puxava e dizia-o, implorando, interrogativa, e Eu?
Sim, sabia-o, faltava a sua gaveta, não tinha espaço para ela, não tinha hierarquia, nem ordem, era a sua gaveta, o seu caos e assim deveria permanecer. Sua, desarrumada, esquecida…
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