22 julho 2004

acaso(s)

Fiz uma DESCOBERTA!
Não necessariamente cientifica, porque  introspectiva, sem ensaios, nem teorias e de cientista nada tenho, a não ser leituras avulsas e gulosas.
Dei-lhe nome, a imitar padrão de pedra tosca, de eras e homens, outros.
LEI DO ACASO. Tem como principio que cada ser, vivo ou não, (ou de estado outro, desconhecido), interage com a menor energia disponível. O acaso, está em que cada um tem a sua, e não necessariamente a mesma, pelo que a interacção, o encontro, o entendimento, é fruto do acaso…

fumos com história para contar

Sigo, em presença, nuvem de fumo à procura de enredo para um conto, de encontros, sem personagens, porque me fogem sempre que lhes toco, mesmo que imaginadas e criadas para o momento da escrita. Quero pôr palavras no ar em formas várias, de fumo-prata, à procura de um sentir. Sinto. Intimidade, entre os dedos que me escrevem e o aroma, café-chocolate, que envolve o desenho e que me espreitou a sorrir pedaços de vida que me roubou. Converso-me, antes da escrita como quem procura o verde nas árvores de Outono, em Inverno tardio. Só me sei. Desinteresso-me das palavras. Conheço-as. Queria outras, que me acordassem, que me brilhassem e navegassem-brisa, em poema.
Sinto-me chuva-semente-de-rio, antes de escorregar ravina, à procura de caminhos que  a levem ao sal.
Queria sentir palavras que voassem em melodias murmurosas, assobiadas de SABER…


21 julho 2004

palavras que se escondem

Há equívocos que se escondem no silêncio das palavras, e o desassossego não é o melhor olhar para os ouvir. Ando ausente em luz-noite, como se a vida se tivesse cansado de me reflectir as cores e eu não tivesse forças nem imaginação para a pintar, nem que fosse só a fingir.

20 julho 2004

uma questão de cuidados e de afectos

Temos uma tendência (quem escreve, refere-se a todos aqueles que lhe habitam o eu e que se convergem no seu sentir, semelhanças, de olhos outros com o que vai ser escrito e lido serão coincidências do olhar que se somam no mesmo ver) para sentirmos que o Amor é uma flor que nos cresce dentro do peito e que lhe damos cor com a luz do nosso olhar.
Nada mais errado, o Amor está fora, é flor, sim, mas que precisa mais do que o nosso olhar, precisa de cuidados, muitos, de carinho, de alimento, para poder colorir(desculpem, florir) com o nosso dar

19 julho 2004

linhas, pontos e fugas

Sento-me em rochedo que penetra, em acto fecundo de amor, no Mar. Paro-me no olhar. Suspendo-me do existir, sentado naquela quilha navegante de pedra salgada em eternidade de comunhão com as águas de vida. Sinto-me em estado-de-alma quando me fundo em pensamentos com o horizonte, acarinhado por ventos-brisa-onda . É a minha porta para o lado de lá do olhar, é o meu ponto de fuga. (quem escreve, diz-se desenhador, quem lê acha estranho um desenhador ter um ponto de fuga que se desenha linha, quem pinta e sente, sabe que o horizonte é ponto de fuga para quem desenha a imaginação do sentir de um sonho…)


18 julho 2004

leituras

Afago livro. Páro. Hesito-olhares. Medos da vida que fervilha, que pulsa-sol em ver e que se fixam em poemas e histórias, de outros. Abro. Lento. Deslizo-me em folhas-palavras-poema. Percorro rio de Medos. Medo que as palavras saltem da história-poema e eu me perca nas palavras e não me consiga livrar delas, da história. Medo da fusão de sentires e desencontrar-me com a minha própria história, do meu poema. Medo de perder o meu sentir e passar a contá-lo com palavras que não são minhas. As palavras que se fugiram de olhos outros, puxam-me. Paro. Lento. Leio e vagueio pelo maravilhar do sentir e cresço-me, agora sem medos, com palavras outras. Novas. Minhas.

17 julho 2004

intensidades

O corpo fugiu-me, deixou-me suspenso do tempo em voo-de-alma. Voar de sentidos, presente, intensamente presente, como se o olhar visse sozinho, tudo por inteiro, sem horizontes. Intenso, este olhar que se atrevia a ver mesmo sem luz. Olhar penumbra de noites de maresia de luz-lua. Olhar-voador. Olhar-gaivota. Dolorosamente livre! Sublime...

não uso tempos, nem agendas ou instrumentos outros que meçam pedaços do existir. é jeito meu. por isso passar de um ano para o outro é cousa...