31 julho 2004

fragmentos de liberdade

Senti aromas de liberdade, ao não me ser devolvido o olhar. Foi, no seu próprio caminho, com a sua cor , sem reflexos, sem espelhos nem labirintos.
Falta agora largar este peso negro, carregado de solidão, para que A sinta inteira, dentro de mim…

30 julho 2004

árvores-brisa

 Papá, Papá, as portas de nossa casa estão vivas! Quando as abro, falam comigo baixinho, aos assobios.
Não, filho, as portas não falam contigo. Falta-lhes, óleo, por isso guincham quando se abrem…
Que pena, Papá!
Pena?
Sim, Papá. Não tenho Vida que chegue para pôr óleo em todas as árvores da minha serra. Os cedros, os pinheiros, e os eucaliptos, falam-me da mesma maneira, aos assobios, sempre que as visito…
Não filho, esse som que ouves, esse assobio, é a brisa, o vento que faz rodar as tuas árvores. São os troncos a girar, a ranger…
UF! Já podias ter dito que somos brisa, quando abrimos as portas de nossa casa!
Tenho brisa que chegue para abrir todas as portas de nossa casa…

29 julho 2004

tudo depende da intensidade da procura…

Não posso encontrar mais do que procuro. Todo o resto esconde-se no silêncio do existir...

ventos do olhar

A serra estava despenteada de verdes. Quase voava…

segredos

Andei à procura de significados para a palavra Civilizado. É uma palavra muito envergonhada. Andou a correr e a esconder-se do olhar. Insisti, agarrei-a e fitei-a, olhos nos olhos. Segredou-me de fugida:
São uns loucos!
Há um isolamento latente entre todos vós que vos impede de serem autênticos! Colectivos! Enquanto assim for, andarão sempre muito baralhados com o meu significado…

não uso tempos, nem agendas ou instrumentos outros que meçam pedaços do existir. é jeito meu. por isso passar de um ano para o outro é cousa...