18 agosto 2004

mar (es)

O Mar não coube em si, transbordou em revolta, contra as paredes do Mundo, em carga de cavalos brancos, que explodiam em relinchos loucos, ao desenrolarem-se, ocos, sem vida…

17 agosto 2004

olhos que cantam, fechados, em piano bar

Cantas, no escuro,
de negro, para ti,
que olhos não calam,
ausentes,
que outros falam, sós,
de si,
não mentes,
cantas,
de alma,
a tua,
dedos,
em dança,
no ar,
rio,
na foz ,
com calma,
de corda,
em voz,
nua,
de setim
que canta,
sem medos,
nem frio.
Piano vivo,
vibra, encanta,
em bar, no mar,
sem lua,
a voar,

sem mim.

16 agosto 2004

olhares que se pintam

Quem olha sabe, que nada é perfeito.Tudo o que existe, reflecte sombras, reflexos, ilusões. Só o sentimento, é olhar que trespassa o corpo e chega à alma. Quem olha distorce o que só o poeta vê. O olhar que tu vês, são os teus passos, são o teu querer, o teu mundo que esvoaça, que te envolve, que te agarra e não te quer perder. Os olhos podem ser de outro que se esconde, mas o olhar, o sentir, o viver, esse é teu e pinta-se de ti.

15 agosto 2004

formas de andar...

Papá, Papá, diz-me, porque é que as pessoas, andam, a olhar para o chão?
Não sei filho, talvez estejam a pensar, mas não sei, o modo de andar de cada um, é com cada uma delas.
Eu quando penso, papá, levo os olhos todos para diante. Não me pesa o pensar…

13 agosto 2004

copiar fantasias

Quando agarro num lápis, a copiar fantasias que nascem no contorno do olhar, esqueço-me do existir, esfumo-me no desenho que se (des)linha em sentires. Quando (des)contorno, forma ou alma, não sei se sou olhar ou lápis de giz que se esvoaça em pó, de cor que só ele sabe...

12 agosto 2004

11 agosto 2004

jardins

Há ilusões que alimentamos, cuidamos com ternura, transformados em Jardineiros do Existir.
Acarinho no meu imaginário que as sonoridades de um violino, são um olhar de Deus, que chora a emoção da serenidade.
Antes do nascimento do UM, deve ter existido um violino, que tocou sem parar...

não uso tempos, nem agendas ou instrumentos outros que meçam pedaços do existir. é jeito meu. por isso passar de um ano para o outro é cousa...