Corri no horizonte, no tempo e na memória.
Fugiram-me os olhos para o desencontro, tentei pintá-lo, desenhá-lo, dar-lhe contorno, mas perdi-me no vazio de não sentir…
21 agosto 2004
20 agosto 2004
diz-lhe…
Mestre, o que dizemos a um filho, que nos amachucou como se fossemos um papel e nos jogou fora ao som de palavras indizíveis?
Diz-lhe que dificilmente o papel estará no mesmo local quando voltar a procurá-lo. Diz-lhe que há ventos que sopram, que há vidas que passam, que há instantes que se perdem, só por andarmos distraídos. Diz-lhe que devemos estar atentos, quando jogamos fora um papel que contém todas as palavras que nos ensinaram a olhar…
Diz-lhe que dificilmente o papel estará no mesmo local quando voltar a procurá-lo. Diz-lhe que há ventos que sopram, que há vidas que passam, que há instantes que se perdem, só por andarmos distraídos. Diz-lhe que devemos estar atentos, quando jogamos fora um papel que contém todas as palavras que nos ensinaram a olhar…
19 agosto 2004
a forma e a cor de uma dor...
Encontrei uma lágrima, sozinha, perdida. Colhi-a e sorriu-me com todas as cores de um reflexo. Agarrei em tintas e misturei-a em forma de flor. Não lhe dei nome, só lhe sinto a cor que me cobriu a dor...
18 agosto 2004
mar (es)
O Mar não coube em si, transbordou em revolta, contra as paredes do Mundo, em carga de cavalos brancos, que explodiam em relinchos loucos, ao desenrolarem-se, ocos, sem vida…
17 agosto 2004
olhos que cantam, fechados, em piano bar
Cantas, no escuro,
de negro, para ti,
que olhos não calam,
ausentes,
que outros falam, sós,
de si,
não mentes,
cantas,
de alma,
a tua,
dedos,
em dança,
no ar,
rio,
na foz ,
com calma,
de corda,
em voz,
nua,
de setim
que canta,
sem medos,
nem frio.
Piano vivo,
vibra, encanta,
em bar, no mar,
sem lua,
a voar,
sem mim.
de negro, para ti,
que olhos não calam,
ausentes,
que outros falam, sós,
de si,
não mentes,
cantas,
de alma,
a tua,
dedos,
em dança,
no ar,
rio,
na foz ,
com calma,
de corda,
em voz,
nua,
de setim
que canta,
sem medos,
nem frio.
Piano vivo,
vibra, encanta,
em bar, no mar,
sem lua,
a voar,
sem mim.
16 agosto 2004
olhares que se pintam
Quem olha sabe, que nada é perfeito.Tudo o que existe, reflecte sombras, reflexos, ilusões. Só o sentimento, é olhar que trespassa o corpo e chega à alma. Quem olha distorce o que só o poeta vê. O olhar que tu vês, são os teus passos, são o teu querer, o teu mundo que esvoaça, que te envolve, que te agarra e não te quer perder. Os olhos podem ser de outro que se esconde, mas o olhar, o sentir, o viver, esse é teu e pinta-se de ti.
15 agosto 2004
formas de andar...
Papá, Papá, diz-me, porque é que as pessoas, andam, a olhar para o chão?
Não sei filho, talvez estejam a pensar, mas não sei, o modo de andar de cada um, é com cada uma delas.
Eu quando penso, papá, levo os olhos todos para diante. Não me pesa o pensar…
Não sei filho, talvez estejam a pensar, mas não sei, o modo de andar de cada um, é com cada uma delas.
Eu quando penso, papá, levo os olhos todos para diante. Não me pesa o pensar…
Subscrever:
Mensagens (Atom)
não uso tempos, nem agendas ou instrumentos outros que meçam pedaços do existir. é jeito meu. por isso passar de um ano para o outro é cousa...
-
A tarde cansou-se de me esperar e foi por aí, sem saudades à aventura, sozinha. As tardes são coisas estranhas ( os dias, as noites, também,...
-
Vou fazer uma pausa. Cousa necessária em alturas de Presépio. É época de caminho. É por aí que vou, sem demoras que é viagem por dentro… Um...
-
escureceu uma brancura-de-nevoeiro, onde nem os passos se sentem. hesitantes. medrosos…( ou como é sempre necessário luz outra, quando nos p...