24 agosto 2004

coisas de cágados e de mim...

Gosto de cágados!
Não lhe sei razão, mas sempre que os olho, contam-me histórias, os sapos também.
Sou esquisito, eu sei, mas não consigo evitar.
Um cágado, mais que um sapo, tem presença de filosofo.
Os filósofos contam histórias, os cágados também, mas mais profundas, porque têm todo o peso da eternidade.
Os cágados tem o desenho da eternidade. Parecem milenários, mesmo quando saem dos ovos.
Por vezes, ás escondidas de mim, ponho-me a andar lento como os cágados e não me saio nada mal, até conto histórias, só não sei quem escuta e se as ouvem como eu oiço, as histórias que eles me contam.

23 agosto 2004

distracção

Sonhei que era pedaço de tinta, gota escorrida do pincel de artista. Não lhe sei nome, nem obra, nem a cor em que me vi pingo, porque me esborrachei inteiro na paleta do pintor…


caminhante

Carrego ás costas uma mochila, cheia de tempo. Vou montanha acima, esquecido da chave e do peso.
Vagueio, vagabundo no espaço.
Não procuro.
SOU!

22 agosto 2004

AZUL

Agarrei nas asas e voei.
A ouvir-me,
SÓ!
Suspenso,
entre as nuvens, as árvores e o mar.
AZUL!
quase pássaro,
quase homem...


Figueira da Foz, 22 de Agosto, 2004

Caro Mário ( de Sá Carneiro)

Desculpa interromper o teu desassossego, mas quando acabei de sentir e escrever as plavras a que dei cor AZUL, vi-te!
Primeiro pensei, " ele voou de alto desta serra, sentiu estes verdes, este sol, este mar, este azul." Depressa dei pelo equívoco e percebi que afinal foste tu que andaste a voar dentro de mim...
Por este voo, o meu mais sincero obrigado,
Um abraço,
almaro

21 agosto 2004

Na linha difusa, onde nada acontece, quando o olhar se enche de vazio

Corri no horizonte, no tempo e na memória.
Fugiram-me os olhos para o desencontro, tentei pintá-lo, desenhá-lo, dar-lhe contorno, mas perdi-me no vazio de não sentir…

20 agosto 2004

diz-lhe…

Mestre, o que dizemos a um filho, que nos amachucou como se fossemos um papel e nos jogou fora ao som de palavras indizíveis?
Diz-lhe que dificilmente o papel estará no mesmo local quando voltar a procurá-lo. Diz-lhe que há ventos que sopram, que há vidas que passam, que há instantes que se perdem, só por andarmos distraídos. Diz-lhe que devemos estar atentos, quando jogamos fora um papel que contém todas as palavras que nos ensinaram a olhar…

19 agosto 2004

a forma e a cor de uma dor...

Encontrei uma lágrima, sozinha, perdida. Colhi-a e sorriu-me com todas as cores de um reflexo. Agarrei em tintas e misturei-a em forma de flor. Não lhe dei nome, só lhe sinto a cor que me cobriu a dor...

não uso tempos, nem agendas ou instrumentos outros que meçam pedaços do existir. é jeito meu. por isso passar de um ano para o outro é cousa...