Caiu-me uma palavra aos trambolhões no caderno em que me escrevia. Sentia-se “ AZUL”, com todas as letras que a palavra AZUL dizia.
Olhei-a. Não sabia o que fazer com ela.
Zanguei-me e insultei-a. “ Atrevida! Insolente!”, disse-lhe, quase excessivo.
As palavras não têm o direito de nos invadirem o olhar, assim sem mais…
Tornam-se provocadoras, cheias de inquietude…
Agarrei nela, abri a janela e joguei-a para fora…
Fugiu para longe a gargalhar-se até ao horizonte…
Fiquei-a olhá-la, até à noite…
21 setembro 2004
20 setembro 2004
cabra-cega, a tinta da china
Caem-me gotas de sombras, em cinzas esbatidas pelo vento. O desenho esconde-se, não vá perder o sentir. Espreita, curioso, o Eu que me brinca, que se joga em tropelias do VER.
Há desenhos assim, cheios de mistérios que deambulam em cabra-cega, nos labirintos do aqui.
Há desenhos assim, cheios de mistérios que deambulam em cabra-cega, nos labirintos do aqui.
19 setembro 2004
dor
Os silêncios gritam-me, soluçam as lágrimas que se perdem na memória. Não há música, nem cor, há um dia sem caminho, sem percurso, vazio. A memória foge, redesenha-se dentro de uma caixa, sem nome, sem mistério. Dorme. Não há dor maior do que aquela que se solta num grito sem som nem lágrima. É a dor do não existir…
17 setembro 2004
educação
Tive uma professoara que nos chamava todos pelos nomes. É normal. Julgo. Mas esta, contava toda a nossa história aos amigos...
Levava-nos, todos, na sua sua vida...
Era a minha professora...
Levava-nos, todos, na sua sua vida...
Era a minha professora...
uma questão de peso
Quando intersecto com o olhar uma pessoa, uma árvore, uma flor, um rio, um monte ou coisa outra, sinto todo o peso da sua história...
16 setembro 2004
15 setembro 2004
equilibrios (des)encontrados
Desequilibro-me no teu retrato, que retraço a lápis em movimentos luz.
Sou vagabundo que caminha nas linhas do corpo.
O teu!
Desalinho os contornos, geometrizo-os, como quem esconde a alma.
A tua!
Olho-te!
És sempre, TU!
Sou vagabundo que caminha nas linhas do corpo.
O teu!
Desalinho os contornos, geometrizo-os, como quem esconde a alma.
A tua!
Olho-te!
És sempre, TU!
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