23 setembro 2004

a cidade grande

É engraçado o instinto de me metamorfosear em ausência quando me passeio na Cidade Grande. Mimetiso-me, não sei se em multidão se em espaço ou em ambos.
Ando-me, sem nome, sem passado, ente as cores que sonorizam o formigueiro do existir.
Deixo-me ir sem sentido, só olhar.
Vou, translúcido de mim, como uma gaivota no Rio.
Nem o Rio é Mar, nem a gaivota é pomba, nem eu me transporto lúcido.
Sou sempre assim quando me fundo na Cidade Grande, cheia de mar, de rio, de gaivotas e pombas, coberta de luz.
Quando me regresso, venho cheio de olhares…

22 setembro 2004

destino(s)

O destino tem esta coisa espantosa de se criar no caos, instante atrás de instante, onde cada um de nós depende da intersecção dele próprio e de todo o universo...

21 setembro 2004

uma palavra, cheia de cor e de recados

Caiu-me uma palavra aos trambolhões no caderno em que me escrevia. Sentia-se “ AZUL”, com todas as letras que a palavra AZUL dizia.
Olhei-a. Não sabia o que fazer com ela.
Zanguei-me e insultei-a. “ Atrevida! Insolente!”, disse-lhe, quase excessivo.
As palavras não têm o direito de nos invadirem o olhar, assim sem mais…
Tornam-se provocadoras, cheias de inquietude…
Agarrei nela, abri a janela e joguei-a para fora…
Fugiu para longe a gargalhar-se até ao horizonte…
Fiquei-a olhá-la, até à noite…

20 setembro 2004

cabra-cega, a tinta da china

Caem-me gotas de sombras, em cinzas esbatidas pelo vento. O desenho esconde-se, não vá perder o sentir. Espreita, curioso, o Eu que me brinca, que se joga em tropelias do VER.
Há desenhos assim, cheios de mistérios que deambulam em cabra-cega, nos labirintos do aqui.

19 setembro 2004

dor

Os silêncios gritam-me, soluçam as lágrimas que se perdem na memória. Não há música, nem cor, há um dia sem caminho, sem percurso, vazio. A memória foge, redesenha-se dentro de uma caixa, sem nome, sem mistério. Dorme. Não há dor maior do que aquela que se solta num grito sem som nem lágrima. É a dor do não existir…

17 setembro 2004

educação

Tive uma professoara que nos chamava todos pelos nomes. É normal. Julgo. Mas esta, contava toda a nossa história aos amigos...
Levava-nos, todos, na sua sua vida...
Era a minha professora...

não uso tempos, nem agendas ou instrumentos outros que meçam pedaços do existir. é jeito meu. por isso passar de um ano para o outro é cousa...