Zanguei-me com as palavras.
Andam a confundir-me.
Julgam-se senhoras do meu olhar.
Enganam-se, coitadas...
Há cores que não se escrevem nem se desenham. São só nossas e tem sabor a Universo...
Ficaram a olhar-me triste, em silencios que só elas sabem transmitir. Tenho vontade de as abraçar e de as juntar ao passeio de sentires que percorro sozinho envolto no meu silêncio, de mãos dadas com todas as palavras que não quero ouvir quando me passeio só com cores no Universo....
10 novembro 2004
09 novembro 2004
desencontro de palavras. ou de sentires?
Vieram ter comigo duas palavras, "sonho" e "fantasia", muito zangadas comigo, quase enciumadas com o uso ou o desuso com que as pinto.
Sentei-as ao colo e esclareci-as, não fossem aparecer, atrevidas, em dizeres trocados e viverem sozinhas, sem orientação no meu sentir.
O "sonho" ( fitei com ternura a fantasia) é um desenho cheio de acreditar, doutra forma arrisca-se a confundir-se com a "fantasia" e torna-se inútil a sua existência.
Quando sonho, vejo todo um caminho à minha frente e ponho-me a escolher todas as cores com que o vou pintar.
A "fantasia" (virei-me lento, com carinho, para o "sonho" que impaciente me olhava cheio de interrogação), é só uma história que se conta para passar o tempo e divertir.
Ambas estão o meu sentir, só que uma é coisa séria, a outra é imaginação…
Sentei-as ao colo e esclareci-as, não fossem aparecer, atrevidas, em dizeres trocados e viverem sozinhas, sem orientação no meu sentir.
O "sonho" ( fitei com ternura a fantasia) é um desenho cheio de acreditar, doutra forma arrisca-se a confundir-se com a "fantasia" e torna-se inútil a sua existência.
Quando sonho, vejo todo um caminho à minha frente e ponho-me a escolher todas as cores com que o vou pintar.
A "fantasia" (virei-me lento, com carinho, para o "sonho" que impaciente me olhava cheio de interrogação), é só uma história que se conta para passar o tempo e divertir.
Ambas estão o meu sentir, só que uma é coisa séria, a outra é imaginação…
07 novembro 2004
à saida da floresta...
A floresta que me percorreu o olhar começou a chegar ao fim.
Entrelaçados, sonhos velhos, pintavam-se já de sombras sépia ( cor fora de propósito numa floresta de sonhos, de cristal, pensamos nós que não percebemos nada disto que se desenrola no olhar desse aí que escreve no meio de um sonho).
Como uma porta que se abre ao som de um vento-brisa, em cores de sol-rasteiro, uma enorme clareira.
Ao centro ( estranho este olhar, decidido de quem conta, nós aqui que observamos a cena, custa-nos imaginar um centro quando o espaço se perde no horizonte), uma cubata redonda, com tecto cone, em capim-torrado, sem paredes, apoiado em cinco pilares de madeira, quatro, pintados ás riscas zebra(em desenho de quadrado), e um ao centro, maior, imponente, em pau-ferro, feito mastro de navio gigante a apontar o céu…
Sentado, mimetisado na cor, estava um homem magro, quase osso, sem idade.
Entrei em passos sem sons e sentei-me de fronte, a olhar os olhos que se sugavam de luz, mas que se sentiam vivos, fortes, como o mastro sem vela que apontava o céu.
Sem vento nem mistério perdi-me no tempo, porque me vi menino, naquele mesmo espaço, perante aquele mesmo homem, intemporal ( ele e eu, numa fusão de sentires, inexplicavelmente nossos).
Vindos do olhar senti percorrer o corpo até à alma uma tranquila serenidade.
Minha, não dele.
Ela, sussurrou-me, num prazer leve, quase sorriso” Não, não é magia, nem mistério. Quando se leva nos passos a procura, o inevitável é defrontarmo-nos perante a descoberta, mas quando é a fuga que nos movimenta os passos, tudo se esconde nas sombras e até o olhar se transforma em medos…
Por isso estás sereno, perante o que procuras…”
Entrelaçados, sonhos velhos, pintavam-se já de sombras sépia ( cor fora de propósito numa floresta de sonhos, de cristal, pensamos nós que não percebemos nada disto que se desenrola no olhar desse aí que escreve no meio de um sonho).
Como uma porta que se abre ao som de um vento-brisa, em cores de sol-rasteiro, uma enorme clareira.
Ao centro ( estranho este olhar, decidido de quem conta, nós aqui que observamos a cena, custa-nos imaginar um centro quando o espaço se perde no horizonte), uma cubata redonda, com tecto cone, em capim-torrado, sem paredes, apoiado em cinco pilares de madeira, quatro, pintados ás riscas zebra(em desenho de quadrado), e um ao centro, maior, imponente, em pau-ferro, feito mastro de navio gigante a apontar o céu…
Sentado, mimetisado na cor, estava um homem magro, quase osso, sem idade.
Entrei em passos sem sons e sentei-me de fronte, a olhar os olhos que se sugavam de luz, mas que se sentiam vivos, fortes, como o mastro sem vela que apontava o céu.
Sem vento nem mistério perdi-me no tempo, porque me vi menino, naquele mesmo espaço, perante aquele mesmo homem, intemporal ( ele e eu, numa fusão de sentires, inexplicavelmente nossos).
Vindos do olhar senti percorrer o corpo até à alma uma tranquila serenidade.
Minha, não dele.
Ela, sussurrou-me, num prazer leve, quase sorriso” Não, não é magia, nem mistério. Quando se leva nos passos a procura, o inevitável é defrontarmo-nos perante a descoberta, mas quando é a fuga que nos movimenta os passos, tudo se esconde nas sombras e até o olhar se transforma em medos…
Por isso estás sereno, perante o que procuras…”
05 novembro 2004
Floresta(s)
Entrei numa floresta de sonhos.
Floresta de cristal (não que um sonho, ou muitos juntos sejam transparentes, pintam-se de muitas cores).
Sonhos de outros, meus também.
Só todos eram COR, por isso me perdi neles (ou na COR, não sei…), transformado em folha solta que paira de árvore em árvore sem tocar o chão. De reflexos.
Rubros, uns, violeta-água, outros.
Frescos, de cristal…
Tenho que aprender a andar nesta floresta (de sonhos, não é demais sublinhar), sem pisar nenhum dos passos, não vá a COR fugir e quebrar-se em lágrima…
Floresta de cristal (não que um sonho, ou muitos juntos sejam transparentes, pintam-se de muitas cores).
Sonhos de outros, meus também.
Só todos eram COR, por isso me perdi neles (ou na COR, não sei…), transformado em folha solta que paira de árvore em árvore sem tocar o chão. De reflexos.
Rubros, uns, violeta-água, outros.
Frescos, de cristal…
Tenho que aprender a andar nesta floresta (de sonhos, não é demais sublinhar), sem pisar nenhum dos passos, não vá a COR fugir e quebrar-se em lágrima…
04 novembro 2004
caroço de laranja
Hoje senti-me laranja.
Espremida.
Livro, sem letras, nem palavras, nem desenho.
Oco.
Negro.
Esquecido do olhar, dos sinais que me envolvem o ser.
Hoje não caminhei.
Andei sem passos, sem tempo nem cor.
Esvaí, gota a gota o sumo da alma que me habita o eu.
Ficaram as sementes, caroços largados por aí, sedentos de terra.
Hoje, quando o sol estiver laranja, vou PLANTAR-ME!
Espremida.
Livro, sem letras, nem palavras, nem desenho.
Oco.
Negro.
Esquecido do olhar, dos sinais que me envolvem o ser.
Hoje não caminhei.
Andei sem passos, sem tempo nem cor.
Esvaí, gota a gota o sumo da alma que me habita o eu.
Ficaram as sementes, caroços largados por aí, sedentos de terra.
Hoje, quando o sol estiver laranja, vou PLANTAR-ME!
03 novembro 2004
tambores
Oiço batuques ao longe, em danças de vento que me sopram cicios de África.
Vêem em gritos de chuva, num toque, toque baço, ritmado em galope de Impala.
Navego em barco-à-vela-de-capulana num cinzento que se pinta em tempestade. Cheiro, a terra quente, que cavalgo em pacaça-alada, deselegante, pesada.
Confundo-me, difuso, na savana de terras-sangue, em letras-palavras que me levam a liberdade.
Estou sem conto, num encanto a um canto, perdido entre ventos e vontades que cantam, ao som do batuque, num toque, toque, a galope, num golpe de asa que me foge, em cartas abertas, sem olhares, nem envelope…
Vêem em gritos de chuva, num toque, toque baço, ritmado em galope de Impala.
Navego em barco-à-vela-de-capulana num cinzento que se pinta em tempestade. Cheiro, a terra quente, que cavalgo em pacaça-alada, deselegante, pesada.
Confundo-me, difuso, na savana de terras-sangue, em letras-palavras que me levam a liberdade.
Estou sem conto, num encanto a um canto, perdido entre ventos e vontades que cantam, ao som do batuque, num toque, toque, a galope, num golpe de asa que me foge, em cartas abertas, sem olhares, nem envelope…
02 novembro 2004
Interiorizações para as quais não se pensam explicações…
Não é um nada, muito menos um vazio, é coisa estranha que se encontra entre o olhar e o sentir.
Movimenta-se, insinua-se numa permanência suave que aquece, mas inibe a imaginação.
Não lhe sei corpo, nem cor.
Visita-me em abraços que se sentem na fantasia de um conto sem história ( não há história quando não existe caminho).
Andei por aí com uma presença translúcida de mim, em conversa sossegada sem olhar o Tempo. Tinha-o, todo meu…
Quando mergulho d’alma neste Mundo bizarro, sem caminhos, que me fala, só o Tempo é meu, o mais de mim foge-me e leva-me com o olhar…
Detive-me num muro que se erguia alto-céu e percebi-me anão-formiga, num labirinto que se passeava no meu caminho a fingir-se destino.
Pintei-o todo de castalheiro-velho-a-brilhar-Outonos e subi-o…
Movimenta-se, insinua-se numa permanência suave que aquece, mas inibe a imaginação.
Não lhe sei corpo, nem cor.
Visita-me em abraços que se sentem na fantasia de um conto sem história ( não há história quando não existe caminho).
Andei por aí com uma presença translúcida de mim, em conversa sossegada sem olhar o Tempo. Tinha-o, todo meu…
Quando mergulho d’alma neste Mundo bizarro, sem caminhos, que me fala, só o Tempo é meu, o mais de mim foge-me e leva-me com o olhar…
Detive-me num muro que se erguia alto-céu e percebi-me anão-formiga, num labirinto que se passeava no meu caminho a fingir-se destino.
Pintei-o todo de castalheiro-velho-a-brilhar-Outonos e subi-o…
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