Há palavras que beijam, outras que ferem.
Vezes, muitas, as mesmas, porque o que dói é o olhar...
É ele que as diz..
que as ouve...
que as sente...
Hoje não vou abrir os olhos, não vá cegar...
Há palavras assim, frias, secas que nos impede o navegar...
Hoje fui embora de mim, talvez volte, talvez não.
Talvez deite fora todas as palavras que me fazem confusão.
Se me restar alguma, talvez volte, ou não...
15 novembro 2004
13 novembro 2004
tentativas desajeitadas, ou matemáticas absurdas do sentir…
Tentei desenhar o silêncio...
Não consegui, senão pintar a palavra amor…
( ou terá sido ao contrário? Não é relevante, são sentires distributivos)
Isto de pôr matemática no sentir e nas palavras é coisa que me acontece com raridade.
Deve ser falta do Mar. ( a) mar?
O melhor mesmo é ir vê-lo e mergulhar…
Não consegui, senão pintar a palavra amor…
( ou terá sido ao contrário? Não é relevante, são sentires distributivos)
Isto de pôr matemática no sentir e nas palavras é coisa que me acontece com raridade.
Deve ser falta do Mar. ( a) mar?
O melhor mesmo é ir vê-lo e mergulhar…
11 novembro 2004
o meu lápis, que nunca o foi...
No meio de uma escrita, que já não era minha, porque a pensava para outro, o meu lápis, o meu companheiro mágico, soltou um sussurro melodioso, terno, como quem abraça e disse-se assim, “ está na hora de ir…”
Olhei-o, sem perguntas.
Já estava à espera do momento.
Sabia-o, desde menino que aquele lápis, que renovava no mercado das cores mágicas, ao longo dos anos e do sentir, um dia, partiria sem explicações nem despedidas, simplesmente porque é mágico este meu lápis, sempre o foi…
“ Junta-me a essas palavras, embrulha-me nelas e põe-me a viajar…”
Olhei-o novamente, em voo no tempo numa revisita de sensações e de cores.
(É engraçado olhar para o meu lápis multicolor, cujo traço, bailava em tons nunca iguais, que me agarrava na mão e sonhava sozinho.)
Vezes muitas, desenhava-me um cavalo lindo e levava-me, de crina ao vento, em galope sem tempo nem destino, outras, mais raras, esboçava bailarina cigana, atrevida que me deleitava em prazeres exóticos e fantasias sem labirintos nem sombras.
Nunca o senti meu, apesar de ser o “meu lápis mágico”, porque sempre foi muito libertino.
Um dia, quando era só lágrima, descobri-lhe o querer: "semear uma suave serenidade em tons de felicidade…”
Pois que vá viajar…
Embrulhei-o nas palavras e voou-me.
Fiquei a ver, com um sorriso cúmplice, o meu lápis agricultor que semeia tons de cores que só ele sabe, a ir, cheio de irreverência...
Boa viagem…
Olhei-o, sem perguntas.
Já estava à espera do momento.
Sabia-o, desde menino que aquele lápis, que renovava no mercado das cores mágicas, ao longo dos anos e do sentir, um dia, partiria sem explicações nem despedidas, simplesmente porque é mágico este meu lápis, sempre o foi…
“ Junta-me a essas palavras, embrulha-me nelas e põe-me a viajar…”
Olhei-o novamente, em voo no tempo numa revisita de sensações e de cores.
(É engraçado olhar para o meu lápis multicolor, cujo traço, bailava em tons nunca iguais, que me agarrava na mão e sonhava sozinho.)
Vezes muitas, desenhava-me um cavalo lindo e levava-me, de crina ao vento, em galope sem tempo nem destino, outras, mais raras, esboçava bailarina cigana, atrevida que me deleitava em prazeres exóticos e fantasias sem labirintos nem sombras.
Nunca o senti meu, apesar de ser o “meu lápis mágico”, porque sempre foi muito libertino.
Um dia, quando era só lágrima, descobri-lhe o querer: "semear uma suave serenidade em tons de felicidade…”
Pois que vá viajar…
Embrulhei-o nas palavras e voou-me.
Fiquei a ver, com um sorriso cúmplice, o meu lápis agricultor que semeia tons de cores que só ele sabe, a ir, cheio de irreverência...
Boa viagem…
10 novembro 2004
sabores. nossos. só nossos...
Zanguei-me com as palavras.
Andam a confundir-me.
Julgam-se senhoras do meu olhar.
Enganam-se, coitadas...
Há cores que não se escrevem nem se desenham. São só nossas e tem sabor a Universo...
Ficaram a olhar-me triste, em silencios que só elas sabem transmitir. Tenho vontade de as abraçar e de as juntar ao passeio de sentires que percorro sozinho envolto no meu silêncio, de mãos dadas com todas as palavras que não quero ouvir quando me passeio só com cores no Universo....
Andam a confundir-me.
Julgam-se senhoras do meu olhar.
Enganam-se, coitadas...
Há cores que não se escrevem nem se desenham. São só nossas e tem sabor a Universo...
Ficaram a olhar-me triste, em silencios que só elas sabem transmitir. Tenho vontade de as abraçar e de as juntar ao passeio de sentires que percorro sozinho envolto no meu silêncio, de mãos dadas com todas as palavras que não quero ouvir quando me passeio só com cores no Universo....
09 novembro 2004
desencontro de palavras. ou de sentires?
Vieram ter comigo duas palavras, "sonho" e "fantasia", muito zangadas comigo, quase enciumadas com o uso ou o desuso com que as pinto.
Sentei-as ao colo e esclareci-as, não fossem aparecer, atrevidas, em dizeres trocados e viverem sozinhas, sem orientação no meu sentir.
O "sonho" ( fitei com ternura a fantasia) é um desenho cheio de acreditar, doutra forma arrisca-se a confundir-se com a "fantasia" e torna-se inútil a sua existência.
Quando sonho, vejo todo um caminho à minha frente e ponho-me a escolher todas as cores com que o vou pintar.
A "fantasia" (virei-me lento, com carinho, para o "sonho" que impaciente me olhava cheio de interrogação), é só uma história que se conta para passar o tempo e divertir.
Ambas estão o meu sentir, só que uma é coisa séria, a outra é imaginação…
Sentei-as ao colo e esclareci-as, não fossem aparecer, atrevidas, em dizeres trocados e viverem sozinhas, sem orientação no meu sentir.
O "sonho" ( fitei com ternura a fantasia) é um desenho cheio de acreditar, doutra forma arrisca-se a confundir-se com a "fantasia" e torna-se inútil a sua existência.
Quando sonho, vejo todo um caminho à minha frente e ponho-me a escolher todas as cores com que o vou pintar.
A "fantasia" (virei-me lento, com carinho, para o "sonho" que impaciente me olhava cheio de interrogação), é só uma história que se conta para passar o tempo e divertir.
Ambas estão o meu sentir, só que uma é coisa séria, a outra é imaginação…
07 novembro 2004
à saida da floresta...
A floresta que me percorreu o olhar começou a chegar ao fim.
Entrelaçados, sonhos velhos, pintavam-se já de sombras sépia ( cor fora de propósito numa floresta de sonhos, de cristal, pensamos nós que não percebemos nada disto que se desenrola no olhar desse aí que escreve no meio de um sonho).
Como uma porta que se abre ao som de um vento-brisa, em cores de sol-rasteiro, uma enorme clareira.
Ao centro ( estranho este olhar, decidido de quem conta, nós aqui que observamos a cena, custa-nos imaginar um centro quando o espaço se perde no horizonte), uma cubata redonda, com tecto cone, em capim-torrado, sem paredes, apoiado em cinco pilares de madeira, quatro, pintados ás riscas zebra(em desenho de quadrado), e um ao centro, maior, imponente, em pau-ferro, feito mastro de navio gigante a apontar o céu…
Sentado, mimetisado na cor, estava um homem magro, quase osso, sem idade.
Entrei em passos sem sons e sentei-me de fronte, a olhar os olhos que se sugavam de luz, mas que se sentiam vivos, fortes, como o mastro sem vela que apontava o céu.
Sem vento nem mistério perdi-me no tempo, porque me vi menino, naquele mesmo espaço, perante aquele mesmo homem, intemporal ( ele e eu, numa fusão de sentires, inexplicavelmente nossos).
Vindos do olhar senti percorrer o corpo até à alma uma tranquila serenidade.
Minha, não dele.
Ela, sussurrou-me, num prazer leve, quase sorriso” Não, não é magia, nem mistério. Quando se leva nos passos a procura, o inevitável é defrontarmo-nos perante a descoberta, mas quando é a fuga que nos movimenta os passos, tudo se esconde nas sombras e até o olhar se transforma em medos…
Por isso estás sereno, perante o que procuras…”
Entrelaçados, sonhos velhos, pintavam-se já de sombras sépia ( cor fora de propósito numa floresta de sonhos, de cristal, pensamos nós que não percebemos nada disto que se desenrola no olhar desse aí que escreve no meio de um sonho).
Como uma porta que se abre ao som de um vento-brisa, em cores de sol-rasteiro, uma enorme clareira.
Ao centro ( estranho este olhar, decidido de quem conta, nós aqui que observamos a cena, custa-nos imaginar um centro quando o espaço se perde no horizonte), uma cubata redonda, com tecto cone, em capim-torrado, sem paredes, apoiado em cinco pilares de madeira, quatro, pintados ás riscas zebra(em desenho de quadrado), e um ao centro, maior, imponente, em pau-ferro, feito mastro de navio gigante a apontar o céu…
Sentado, mimetisado na cor, estava um homem magro, quase osso, sem idade.
Entrei em passos sem sons e sentei-me de fronte, a olhar os olhos que se sugavam de luz, mas que se sentiam vivos, fortes, como o mastro sem vela que apontava o céu.
Sem vento nem mistério perdi-me no tempo, porque me vi menino, naquele mesmo espaço, perante aquele mesmo homem, intemporal ( ele e eu, numa fusão de sentires, inexplicavelmente nossos).
Vindos do olhar senti percorrer o corpo até à alma uma tranquila serenidade.
Minha, não dele.
Ela, sussurrou-me, num prazer leve, quase sorriso” Não, não é magia, nem mistério. Quando se leva nos passos a procura, o inevitável é defrontarmo-nos perante a descoberta, mas quando é a fuga que nos movimenta os passos, tudo se esconde nas sombras e até o olhar se transforma em medos…
Por isso estás sereno, perante o que procuras…”
05 novembro 2004
Floresta(s)
Entrei numa floresta de sonhos.
Floresta de cristal (não que um sonho, ou muitos juntos sejam transparentes, pintam-se de muitas cores).
Sonhos de outros, meus também.
Só todos eram COR, por isso me perdi neles (ou na COR, não sei…), transformado em folha solta que paira de árvore em árvore sem tocar o chão. De reflexos.
Rubros, uns, violeta-água, outros.
Frescos, de cristal…
Tenho que aprender a andar nesta floresta (de sonhos, não é demais sublinhar), sem pisar nenhum dos passos, não vá a COR fugir e quebrar-se em lágrima…
Floresta de cristal (não que um sonho, ou muitos juntos sejam transparentes, pintam-se de muitas cores).
Sonhos de outros, meus também.
Só todos eram COR, por isso me perdi neles (ou na COR, não sei…), transformado em folha solta que paira de árvore em árvore sem tocar o chão. De reflexos.
Rubros, uns, violeta-água, outros.
Frescos, de cristal…
Tenho que aprender a andar nesta floresta (de sonhos, não é demais sublinhar), sem pisar nenhum dos passos, não vá a COR fugir e quebrar-se em lágrima…
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