Há sentires que não se escrevem, não por serem nossos, íntimos, mas porque não cabem num sinal, numa frase, num poema ou história.
Entram em nós e pedem-nos silêncio.
Ficamos reféns desse pacto e passeamo-nos com eles, com o olhar todo para diante, como um menino que passeia o seu balão, convencido que transporta uma estrela. A SUA estrela.
Hoje, sem dizer nada a ninguém, andei a passear com eles, todo cheio de sorrisos escondidos, não fossem eles assobiar e quebrar o silêncio…
20 novembro 2004
19 novembro 2004
construtores de redes…
Sento-me num chão branco-sal a olhar os azuis entre redes por remendar.
Misturo-me nas cores de vidas-do-mar, em caminhos enrugados, de noites em branco, escuras de ventos, sozinhas no mar.
Pescam a vida sem horizontes, num horizonte, escuro de luar.
Olho os homens que se sentam, vergados, sem sonhos, a suturar malhas de ar.
Sonham lágrimas sem sal e que o mar os deixe sempre chegar.
Têm redes para remendar…
( numa rua de Sesimbra, em tempos já passados, trazidos num búzio que se fez ouvir baixinho, numa espécie de beijo escondido…)
Misturo-me nas cores de vidas-do-mar, em caminhos enrugados, de noites em branco, escuras de ventos, sozinhas no mar.
Pescam a vida sem horizontes, num horizonte, escuro de luar.
Olho os homens que se sentam, vergados, sem sonhos, a suturar malhas de ar.
Sonham lágrimas sem sal e que o mar os deixe sempre chegar.
Têm redes para remendar…
( numa rua de Sesimbra, em tempos já passados, trazidos num búzio que se fez ouvir baixinho, numa espécie de beijo escondido…)
18 novembro 2004
em viagem...
Tenho andado por aí, repisando os passos que dei, lento, de olhar todo posto em mim.
Só em mim, não vá desfocar-me.
Não que os outros e as cores que me envolvem tenham perdido importancia, mas porque preciso de acreditar-ME.
É vital para mim, saber o tom das cores em que me pinto.
Por muito sonhador que seja, preciso de não me duvidar, de não me trair.
É fase de puro egoismo viajante, uma espécie de tentativa de equilibrio, numa corda que balançou de mais e o corpo, os gestos e o olhar são obrigados a concentrar-se num unico ponto; o que estabiliza e equilibra, a corda e o corpo.
É esse caminho que percorro, passo a passo, sem tempo, de mim para mim.
Estou hoje mais sereno, porque me vi e revi no andar no fundo de um quadro, denso nas cores, mas aqui e ali vi-as.
Eram as minhas cores...
Inspirei no profundo de mim...
Só em mim, não vá desfocar-me.
Não que os outros e as cores que me envolvem tenham perdido importancia, mas porque preciso de acreditar-ME.
É vital para mim, saber o tom das cores em que me pinto.
Por muito sonhador que seja, preciso de não me duvidar, de não me trair.
É fase de puro egoismo viajante, uma espécie de tentativa de equilibrio, numa corda que balançou de mais e o corpo, os gestos e o olhar são obrigados a concentrar-se num unico ponto; o que estabiliza e equilibra, a corda e o corpo.
É esse caminho que percorro, passo a passo, sem tempo, de mim para mim.
Estou hoje mais sereno, porque me vi e revi no andar no fundo de um quadro, denso nas cores, mas aqui e ali vi-as.
Eram as minhas cores...
Inspirei no profundo de mim...
16 novembro 2004
hoje chamo-me zé
“ Vou viajar” gosto do sentir, mais do que as palavras que o transmitem.
Eu que ando sempre em viagem pelas cores, com palavras ou sem elas , viajo com o olhar para onde ele me leve.
O meu Hoje é diferente.
Pouco interessa o Hoje se o ontem foi tão escuro e denso.
Vou sem porto, nem rumo.
É o meu costume, só que Hoje vou sozinho, liberto de um Eu que me incomoda, vou em voo, sem gaivota…
Hoje chamo-me Zé...
Eu que ando sempre em viagem pelas cores, com palavras ou sem elas , viajo com o olhar para onde ele me leve.
O meu Hoje é diferente.
Pouco interessa o Hoje se o ontem foi tão escuro e denso.
Vou sem porto, nem rumo.
É o meu costume, só que Hoje vou sozinho, liberto de um Eu que me incomoda, vou em voo, sem gaivota…
Hoje chamo-me Zé...
15 novembro 2004
dor
Há palavras que beijam, outras que ferem.
Vezes, muitas, as mesmas, porque o que dói é o olhar...
É ele que as diz..
que as ouve...
que as sente...
Hoje não vou abrir os olhos, não vá cegar...
Há palavras assim, frias, secas que nos impede o navegar...
Hoje fui embora de mim, talvez volte, talvez não.
Talvez deite fora todas as palavras que me fazem confusão.
Se me restar alguma, talvez volte, ou não...
Vezes, muitas, as mesmas, porque o que dói é o olhar...
É ele que as diz..
que as ouve...
que as sente...
Hoje não vou abrir os olhos, não vá cegar...
Há palavras assim, frias, secas que nos impede o navegar...
Hoje fui embora de mim, talvez volte, talvez não.
Talvez deite fora todas as palavras que me fazem confusão.
Se me restar alguma, talvez volte, ou não...
13 novembro 2004
tentativas desajeitadas, ou matemáticas absurdas do sentir…
Tentei desenhar o silêncio...
Não consegui, senão pintar a palavra amor…
( ou terá sido ao contrário? Não é relevante, são sentires distributivos)
Isto de pôr matemática no sentir e nas palavras é coisa que me acontece com raridade.
Deve ser falta do Mar. ( a) mar?
O melhor mesmo é ir vê-lo e mergulhar…
Não consegui, senão pintar a palavra amor…
( ou terá sido ao contrário? Não é relevante, são sentires distributivos)
Isto de pôr matemática no sentir e nas palavras é coisa que me acontece com raridade.
Deve ser falta do Mar. ( a) mar?
O melhor mesmo é ir vê-lo e mergulhar…
11 novembro 2004
o meu lápis, que nunca o foi...
No meio de uma escrita, que já não era minha, porque a pensava para outro, o meu lápis, o meu companheiro mágico, soltou um sussurro melodioso, terno, como quem abraça e disse-se assim, “ está na hora de ir…”
Olhei-o, sem perguntas.
Já estava à espera do momento.
Sabia-o, desde menino que aquele lápis, que renovava no mercado das cores mágicas, ao longo dos anos e do sentir, um dia, partiria sem explicações nem despedidas, simplesmente porque é mágico este meu lápis, sempre o foi…
“ Junta-me a essas palavras, embrulha-me nelas e põe-me a viajar…”
Olhei-o novamente, em voo no tempo numa revisita de sensações e de cores.
(É engraçado olhar para o meu lápis multicolor, cujo traço, bailava em tons nunca iguais, que me agarrava na mão e sonhava sozinho.)
Vezes muitas, desenhava-me um cavalo lindo e levava-me, de crina ao vento, em galope sem tempo nem destino, outras, mais raras, esboçava bailarina cigana, atrevida que me deleitava em prazeres exóticos e fantasias sem labirintos nem sombras.
Nunca o senti meu, apesar de ser o “meu lápis mágico”, porque sempre foi muito libertino.
Um dia, quando era só lágrima, descobri-lhe o querer: "semear uma suave serenidade em tons de felicidade…”
Pois que vá viajar…
Embrulhei-o nas palavras e voou-me.
Fiquei a ver, com um sorriso cúmplice, o meu lápis agricultor que semeia tons de cores que só ele sabe, a ir, cheio de irreverência...
Boa viagem…
Olhei-o, sem perguntas.
Já estava à espera do momento.
Sabia-o, desde menino que aquele lápis, que renovava no mercado das cores mágicas, ao longo dos anos e do sentir, um dia, partiria sem explicações nem despedidas, simplesmente porque é mágico este meu lápis, sempre o foi…
“ Junta-me a essas palavras, embrulha-me nelas e põe-me a viajar…”
Olhei-o novamente, em voo no tempo numa revisita de sensações e de cores.
(É engraçado olhar para o meu lápis multicolor, cujo traço, bailava em tons nunca iguais, que me agarrava na mão e sonhava sozinho.)
Vezes muitas, desenhava-me um cavalo lindo e levava-me, de crina ao vento, em galope sem tempo nem destino, outras, mais raras, esboçava bailarina cigana, atrevida que me deleitava em prazeres exóticos e fantasias sem labirintos nem sombras.
Nunca o senti meu, apesar de ser o “meu lápis mágico”, porque sempre foi muito libertino.
Um dia, quando era só lágrima, descobri-lhe o querer: "semear uma suave serenidade em tons de felicidade…”
Pois que vá viajar…
Embrulhei-o nas palavras e voou-me.
Fiquei a ver, com um sorriso cúmplice, o meu lápis agricultor que semeia tons de cores que só ele sabe, a ir, cheio de irreverência...
Boa viagem…
Subscrever:
Mensagens (Atom)
não uso tempos, nem agendas ou instrumentos outros que meçam pedaços do existir. é jeito meu. por isso passar de um ano para o outro é cousa...
-
A tarde cansou-se de me esperar e foi por aí, sem saudades à aventura, sozinha. As tardes são coisas estranhas ( os dias, as noites, também,...
-
Vou fazer uma pausa. Cousa necessária em alturas de Presépio. É época de caminho. É por aí que vou, sem demoras que é viagem por dentro… Um...
-
escureceu uma brancura-de-nevoeiro, onde nem os passos se sentem. hesitantes. medrosos…( ou como é sempre necessário luz outra, quando nos p...