Sinto em mim um navegar sem sentido.
É um retrato em que me repito no dizer.
Sei que vou sem velas nem direcção. Só que hoje vou sem vontade nem ventos.
Estranho de mim.
Saí do retrato e da cor.
Uma espécie de sombra sépia que não devia ali estar, mas que se desfoca num riso louco, demente.
Sou uma quase ausência, deambulando no existir.
Gostava de ter outro em mim, menos triste, todo colorido de ondas-espuma-ao-por-do sol. Mas sou navegante sem barco, sem onda, nem vela.
Naufrago de mim, em galope torpe, em golpe de mar, sem fim…
23 novembro 2004
22 novembro 2004
ecos que choram em desespero
Lembro-me de um dia ter gritado a quem me olhava cheio de interrogação e duvida, “ Não me inventem o Eu!”…
Hoje, grito-me com os mesmos sons, num repetir cheio de angustia e desespero, “ Não me inventem, deixem-me simplesmente ser Mar…”
Hoje, grito-me com os mesmos sons, num repetir cheio de angustia e desespero, “ Não me inventem, deixem-me simplesmente ser Mar…”
21 novembro 2004
noite(s)
De noite transportamos os nossos vazios. Pesados, guardados no olhar.
Não os vemos, só os sentimos. Moldam-nos o dia que se esconde na fantasia de ser ainda, apenas um esboço.
Um dia pinto a noite. Preencho-a toda até transbordar, com as cores de um sonho que se desenhou de dia.
Não os vemos, só os sentimos. Moldam-nos o dia que se esconde na fantasia de ser ainda, apenas um esboço.
Um dia pinto a noite. Preencho-a toda até transbordar, com as cores de um sonho que se desenhou de dia.
20 novembro 2004
pacto
Há sentires que não se escrevem, não por serem nossos, íntimos, mas porque não cabem num sinal, numa frase, num poema ou história.
Entram em nós e pedem-nos silêncio.
Ficamos reféns desse pacto e passeamo-nos com eles, com o olhar todo para diante, como um menino que passeia o seu balão, convencido que transporta uma estrela. A SUA estrela.
Hoje, sem dizer nada a ninguém, andei a passear com eles, todo cheio de sorrisos escondidos, não fossem eles assobiar e quebrar o silêncio…
Entram em nós e pedem-nos silêncio.
Ficamos reféns desse pacto e passeamo-nos com eles, com o olhar todo para diante, como um menino que passeia o seu balão, convencido que transporta uma estrela. A SUA estrela.
Hoje, sem dizer nada a ninguém, andei a passear com eles, todo cheio de sorrisos escondidos, não fossem eles assobiar e quebrar o silêncio…
19 novembro 2004
construtores de redes…
Sento-me num chão branco-sal a olhar os azuis entre redes por remendar.
Misturo-me nas cores de vidas-do-mar, em caminhos enrugados, de noites em branco, escuras de ventos, sozinhas no mar.
Pescam a vida sem horizontes, num horizonte, escuro de luar.
Olho os homens que se sentam, vergados, sem sonhos, a suturar malhas de ar.
Sonham lágrimas sem sal e que o mar os deixe sempre chegar.
Têm redes para remendar…
( numa rua de Sesimbra, em tempos já passados, trazidos num búzio que se fez ouvir baixinho, numa espécie de beijo escondido…)
Misturo-me nas cores de vidas-do-mar, em caminhos enrugados, de noites em branco, escuras de ventos, sozinhas no mar.
Pescam a vida sem horizontes, num horizonte, escuro de luar.
Olho os homens que se sentam, vergados, sem sonhos, a suturar malhas de ar.
Sonham lágrimas sem sal e que o mar os deixe sempre chegar.
Têm redes para remendar…
( numa rua de Sesimbra, em tempos já passados, trazidos num búzio que se fez ouvir baixinho, numa espécie de beijo escondido…)
18 novembro 2004
em viagem...
Tenho andado por aí, repisando os passos que dei, lento, de olhar todo posto em mim.
Só em mim, não vá desfocar-me.
Não que os outros e as cores que me envolvem tenham perdido importancia, mas porque preciso de acreditar-ME.
É vital para mim, saber o tom das cores em que me pinto.
Por muito sonhador que seja, preciso de não me duvidar, de não me trair.
É fase de puro egoismo viajante, uma espécie de tentativa de equilibrio, numa corda que balançou de mais e o corpo, os gestos e o olhar são obrigados a concentrar-se num unico ponto; o que estabiliza e equilibra, a corda e o corpo.
É esse caminho que percorro, passo a passo, sem tempo, de mim para mim.
Estou hoje mais sereno, porque me vi e revi no andar no fundo de um quadro, denso nas cores, mas aqui e ali vi-as.
Eram as minhas cores...
Inspirei no profundo de mim...
Só em mim, não vá desfocar-me.
Não que os outros e as cores que me envolvem tenham perdido importancia, mas porque preciso de acreditar-ME.
É vital para mim, saber o tom das cores em que me pinto.
Por muito sonhador que seja, preciso de não me duvidar, de não me trair.
É fase de puro egoismo viajante, uma espécie de tentativa de equilibrio, numa corda que balançou de mais e o corpo, os gestos e o olhar são obrigados a concentrar-se num unico ponto; o que estabiliza e equilibra, a corda e o corpo.
É esse caminho que percorro, passo a passo, sem tempo, de mim para mim.
Estou hoje mais sereno, porque me vi e revi no andar no fundo de um quadro, denso nas cores, mas aqui e ali vi-as.
Eram as minhas cores...
Inspirei no profundo de mim...
16 novembro 2004
hoje chamo-me zé
“ Vou viajar” gosto do sentir, mais do que as palavras que o transmitem.
Eu que ando sempre em viagem pelas cores, com palavras ou sem elas , viajo com o olhar para onde ele me leve.
O meu Hoje é diferente.
Pouco interessa o Hoje se o ontem foi tão escuro e denso.
Vou sem porto, nem rumo.
É o meu costume, só que Hoje vou sozinho, liberto de um Eu que me incomoda, vou em voo, sem gaivota…
Hoje chamo-me Zé...
Eu que ando sempre em viagem pelas cores, com palavras ou sem elas , viajo com o olhar para onde ele me leve.
O meu Hoje é diferente.
Pouco interessa o Hoje se o ontem foi tão escuro e denso.
Vou sem porto, nem rumo.
É o meu costume, só que Hoje vou sozinho, liberto de um Eu que me incomoda, vou em voo, sem gaivota…
Hoje chamo-me Zé...
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