Coimbra, em manhã de nevoeiro, escuro, baço
Em dia sem tempo(s) para ir ao teu encontro, dar-te um abraço,
Escrito e dito, na data que se pendurou em moldura, indiferente, estranha ao que se vai dizer…
Querido Palhaço,
Caiu um nevoeiro cinza por cima do nosso Mar.
Denso, quase escuro.
A separar-nos.
Consigo ver ao longe o desenho do teu brincar em forma de sorriso.
Enorme, GIGANTE, vermelho-de-encantar.
Parece, (o teu sorriso-palhaço), um farol escondido no ar e do tempo (lembra o teu vestir, ás riscas, a circular cambalhotas, a sorrir, sempre a sorrir, ora vermelho, ora rir) …
Envio-te este escrever, em carta, não vás esquecer-te que continuo aqui, a esperar-te e a ver-te. Tenho coisa tua, para te dar, quando este cinza, quase mar se levantar em nuvem para outro lugar. É aquela lágrima tua-nossa que sobrou do nosso Mar, quando nos entretínhamos a sonhar, sem tempo(s). Está aqui, na minha mão, para a devolver, é a tua vez de a guardar.
Um abraço, saltimbanco-vagabundo, para ti, para o meu melhor amigo, palhaço…
Ps. Dei conta, hoje, só hoje, que não é possível pintar um palhaço, sem a ajuda do vermelho, mesmo que se vista todo de amarelo…
PPs: Não disse, digo-o agora, tenho tantas saudades tuas…
In " Blogue de Cartas"
31 dezembro 2004
30 dezembro 2004
não os pintei...
Fui de asas emprestadas por um bando de gaivotas-de-rio e transformei-me em brisa, quase água, quase silêncios.
Passeei em terras de verdes-frio, sem cinzentos-fosco, puros, autênticos.
Vagueei nos meus verdes. São os meus verdes...ainda só olhar.
Não os pintei…
Parei. Numa espécie de pausa de Vida, de instantes, para ouvir todos os pedaços de silêncio…aqui o melro…ali a perdiz… mais além o canavial, pedaço em pedaço, trazidos pelo vento.
São os meus sons...ainda só olhar.
Não os pintei…
Passeei em terras de verdes-frio, sem cinzentos-fosco, puros, autênticos.
Vagueei nos meus verdes. São os meus verdes...ainda só olhar.
Não os pintei…
Parei. Numa espécie de pausa de Vida, de instantes, para ouvir todos os pedaços de silêncio…aqui o melro…ali a perdiz… mais além o canavial, pedaço em pedaço, trazidos pelo vento.
São os meus sons...ainda só olhar.
Não os pintei…
29 dezembro 2004
a ameixoeira do quintal...
Era uma árvore feia, escondida entre muros do quintal.
Escanzelada.
Talvez da enxertia, talvez da sua insignificância, ali estava, Inverno após Inverno em silêncios, na sua solidão de ameixoeira.
Nem o vento a acariciava em brisa e o sol só quando feria, a visitava.
Talvez por tudo isso era feia, a ameixoeira do quintal.
Em jeito de grito, resolveu carregar de frutos os seus frágeis ramos até não poder aguentar o peso da sua desesperança. Um a um foram partindo, amputando os braços, as mãos e os frutos num silêncio de indiferença.
Tivesse decidido o seu grito em ano outro e tudo seria diferente, mas este, foi ano de angústia, de doenças várias e o quintal ficou sem os sorrisos, sem os olhares, tempo de mais.
Quase morreu, infectada de fungos, de talas de emergência e a sua feiura já de si saliente, estilizou-se em apelo, em socorro numa tentativa desesperada de cativar olhares.
Cativou.
Com carinho, falas muitas, de serrote na mão, lá se aparou o esqueleto enrugado e perdido, da ameixoeira do quintal.
Não sei se foi da conversa, ( ou das confidencias trocadas) se da debilidade, se da feiura, ou pelo simples facto de ter ouvido os seus gritos, mas os olhos, os meus, regressaram cheios de preocupação e de laços.
Quando voltar da cidade grande, o meu primeiro olhar será para a minha nova amiga…
É tão bonita a ameixoeira do Quintal…
Escanzelada.
Talvez da enxertia, talvez da sua insignificância, ali estava, Inverno após Inverno em silêncios, na sua solidão de ameixoeira.
Nem o vento a acariciava em brisa e o sol só quando feria, a visitava.
Talvez por tudo isso era feia, a ameixoeira do quintal.
Em jeito de grito, resolveu carregar de frutos os seus frágeis ramos até não poder aguentar o peso da sua desesperança. Um a um foram partindo, amputando os braços, as mãos e os frutos num silêncio de indiferença.
Tivesse decidido o seu grito em ano outro e tudo seria diferente, mas este, foi ano de angústia, de doenças várias e o quintal ficou sem os sorrisos, sem os olhares, tempo de mais.
Quase morreu, infectada de fungos, de talas de emergência e a sua feiura já de si saliente, estilizou-se em apelo, em socorro numa tentativa desesperada de cativar olhares.
Cativou.
Com carinho, falas muitas, de serrote na mão, lá se aparou o esqueleto enrugado e perdido, da ameixoeira do quintal.
Não sei se foi da conversa, ( ou das confidencias trocadas) se da debilidade, se da feiura, ou pelo simples facto de ter ouvido os seus gritos, mas os olhos, os meus, regressaram cheios de preocupação e de laços.
Quando voltar da cidade grande, o meu primeiro olhar será para a minha nova amiga…
É tão bonita a ameixoeira do Quintal…
22 dezembro 2004
um Natal de olhares
Vou estar uns dias fora.
Levo-me apenas.
Sem tecnologias sem nada.
Vou, no meu ir.
Volto depois…
Deixo uma oração, a minha e começa assim…
"Que todos os dias, os dias todos, os olhares, os meus, os teus, os nossos, Todos, se focalizem em Todos os olhares que gritam silêncios… "
Assim seja…
ah se começasse hoje, que Natal seria amanhã...
Levo-me apenas.
Sem tecnologias sem nada.
Vou, no meu ir.
Volto depois…
Deixo uma oração, a minha e começa assim…
"Que todos os dias, os dias todos, os olhares, os meus, os teus, os nossos, Todos, se focalizem em Todos os olhares que gritam silêncios… "
Assim seja…
ah se começasse hoje, que Natal seria amanhã...
portas por abrir
Ah, com gostaria de ser um livro e de me metamorfosear em cada um dos sentires que nascem entre a folha, a palavra e o olhar, de cada um que se finge na história e que não chega a germinar.
É no que se passa entre o "olhar e a coisa", entre a imagem e o desenho, entre a história e a palavra, entre o ser e o existir que se encontra a porta do maravilhar…
É no que se passa entre o "olhar e a coisa", entre a imagem e o desenho, entre a história e a palavra, entre o ser e o existir que se encontra a porta do maravilhar…
21 dezembro 2004
(com) fusões
Tenho esta tendência amarga de me ingerir em sabores exóticos e de não saber por onde ir, transformado em nevoeiro-cinza-azul, de um cachimbo que insiste em sussurrar-me palavras que não ouso sentir…
*
Em mim?
Noutro?
Não!
Sou um "passo-pássaro" que olha o Eu que não Me diz.
Por isso vou.
Sempre.
Nem sempre em voo…
Mas estou aqui,
em mim…
Outro?
Não!
Só se morto!
*escrito em guisa de comentário, agora revisto e rescrito, em à luz de uma vela
Não gosto de explicar o que escrevo, porque o escrevo sem explicação, mas quando percebo que me escondi em demasia nas palavras sinto essa necessidade, não vá um de vós tratar mal as palavras que me fizeram companhia no instante de me saltarem do ver, por isso aqui fica o meu olhar dissecado:
Estava sentado no meu espaço com um livro de Lobo Antunes na mão e fiquei parado a pensar, num ausência completa. Fumava o meu cachimbo ( engolir sabores exóticos) transformado em fumo ( nevoeiro-cinza-azul) , sem saber por onde ir ( tentativa de retrato de uma ausência).
Quando fumo cachimbo, tenho o hábito de fantasiar histórias enquanto sigo o desenho do fumo (sussurrar-me palavras que não ouso sentir).
A segunda parte foi um comentário que deixei no “À Luz de uma Vela” e foi inspirado na leitura de um verso lindo da Ridufa, mas tem a ver com a primeira parte do texto.
Pretende questionar o seguinte:
O que fantasio, existe em mim ou noutro eu que me habita?
Respondo, decubro-me, que não existe um outro, que sou sempre eu, mas um pássaro (sonhador) que voa que interroga a sua essência à procura de um Eu escondido.
Por isso caminho (procuro, vou), mas nem sempre no sonho( nem sempre voo),mas sempre comigo e com os meus princípios, com o meu querer.
Ser outro?
Só depois de morto (revela, sublinha, a minha teimosia em ser EU)
Foi isto que se escreveu naquele instante, e não coisa outra...
*
Em mim?
Noutro?
Não!
Sou um "passo-pássaro" que olha o Eu que não Me diz.
Por isso vou.
Sempre.
Nem sempre em voo…
Mas estou aqui,
em mim…
Outro?
Não!
Só se morto!
*escrito em guisa de comentário, agora revisto e rescrito, em à luz de uma vela
Não gosto de explicar o que escrevo, porque o escrevo sem explicação, mas quando percebo que me escondi em demasia nas palavras sinto essa necessidade, não vá um de vós tratar mal as palavras que me fizeram companhia no instante de me saltarem do ver, por isso aqui fica o meu olhar dissecado:
Estava sentado no meu espaço com um livro de Lobo Antunes na mão e fiquei parado a pensar, num ausência completa. Fumava o meu cachimbo ( engolir sabores exóticos) transformado em fumo ( nevoeiro-cinza-azul) , sem saber por onde ir ( tentativa de retrato de uma ausência).
Quando fumo cachimbo, tenho o hábito de fantasiar histórias enquanto sigo o desenho do fumo (sussurrar-me palavras que não ouso sentir).
A segunda parte foi um comentário que deixei no “À Luz de uma Vela” e foi inspirado na leitura de um verso lindo da Ridufa, mas tem a ver com a primeira parte do texto.
Pretende questionar o seguinte:
O que fantasio, existe em mim ou noutro eu que me habita?
Respondo, decubro-me, que não existe um outro, que sou sempre eu, mas um pássaro (sonhador) que voa que interroga a sua essência à procura de um Eu escondido.
Por isso caminho (procuro, vou), mas nem sempre no sonho( nem sempre voo),mas sempre comigo e com os meus princípios, com o meu querer.
Ser outro?
Só depois de morto (revela, sublinha, a minha teimosia em ser EU)
Foi isto que se escreveu naquele instante, e não coisa outra...
20 dezembro 2004
quando se ouve poesia
Desenho-te, não o corpo, não as palavras que te correm sentidas no dizer de um verso, mas a menina que brinca com o olhar e os sorrisos que te fogem do VER abraçados em alegria.
Sorrisos endiabrados de sedução e fantasia.
Vagueias, no palco, numa história que não contas, mas que te desenha nos gestos, um bailado de contares infantis…Quatro, dizes tu, personagens deste conto, sublinhas…
São de facto.
Quatro.
Quatro melodias, mas um só olhar, e esse é o teu.
Só teu.
O de uma menina que foge do corpo, da pele, da vida e dança com os olhos, divertida.
Não eram precisas palavras, para ouvir poesia.
Bastava aquele olhar, e ficava ali todo o dia…
Sorrisos endiabrados de sedução e fantasia.
Vagueias, no palco, numa história que não contas, mas que te desenha nos gestos, um bailado de contares infantis…Quatro, dizes tu, personagens deste conto, sublinhas…
São de facto.
Quatro.
Quatro melodias, mas um só olhar, e esse é o teu.
Só teu.
O de uma menina que foge do corpo, da pele, da vida e dança com os olhos, divertida.
Não eram precisas palavras, para ouvir poesia.
Bastava aquele olhar, e ficava ali todo o dia…
Subscrever:
Mensagens (Atom)
não uso tempos, nem agendas ou instrumentos outros que meçam pedaços do existir. é jeito meu. por isso passar de um ano para o outro é cousa...
-
A tarde cansou-se de me esperar e foi por aí, sem saudades à aventura, sozinha. As tardes são coisas estranhas ( os dias, as noites, também,...
-
Vou fazer uma pausa. Cousa necessária em alturas de Presépio. É época de caminho. É por aí que vou, sem demoras que é viagem por dentro… Um...
-
escureceu uma brancura-de-nevoeiro, onde nem os passos se sentem. hesitantes. medrosos…( ou como é sempre necessário luz outra, quando nos p...