Há uma Nau que me espera,
insiste ,
chama,
grita,
quase fera,
só para me levar.
Tem mil cores,
quer que dance,
a Catrineta que quer ir para o Mar.
Não tem história,
nem desamores,
talvez, romance…
talvez…
Sei que é hora,
é minha, a vez
de ir neste barco que navega a Voar.
Só as velas são brancas,
Tudo o resto é Mar…
Era uma vez…
04 janeiro 2005
03 janeiro 2005
sentado...
É uma espécie de presença contínua que me olha em brilhos atrevidos, este Teu estar em mim…
Percorres-me os sentidos, sem devorares o Tempo, porque O esqueço, porque O não sei quando toco esse Teu olhar por detrás do Ver.
Não há cor nem sentidos para o pintar ou escrever, é como um desenho de criança, só traços e cor, entre silêncios de um sorriso.
Sento-me…a ouvir-Te e a dizer-me caminhos…
Percorres-me os sentidos, sem devorares o Tempo, porque O esqueço, porque O não sei quando toco esse Teu olhar por detrás do Ver.
Não há cor nem sentidos para o pintar ou escrever, é como um desenho de criança, só traços e cor, entre silêncios de um sorriso.
Sento-me…a ouvir-Te e a dizer-me caminhos…
01 janeiro 2005
somas
Um ano é apenas uma soma de instantes, como a vida.
Uns estão na nossa memória outros não.
Bons ou maus são instantes que se transformam em emoções.
A vida, a tua a minha, as nossas, de todos, são somatórios de emoções que se esfumam no tempo.
O importante é não perde-las, nem as boas nem as más, fazem todas parte do nosso UM.
palavras escritas para Seila, por isso sei que não se importa que as rescreva aqui
Uns estão na nossa memória outros não.
Bons ou maus são instantes que se transformam em emoções.
A vida, a tua a minha, as nossas, de todos, são somatórios de emoções que se esfumam no tempo.
O importante é não perde-las, nem as boas nem as más, fazem todas parte do nosso UM.
palavras escritas para Seila, por isso sei que não se importa que as rescreva aqui
31 dezembro 2004
guarda tu, agora, é a tua vez...
Coimbra, em manhã de nevoeiro, escuro, baço
Em dia sem tempo(s) para ir ao teu encontro, dar-te um abraço,
Escrito e dito, na data que se pendurou em moldura, indiferente, estranha ao que se vai dizer…
Querido Palhaço,
Caiu um nevoeiro cinza por cima do nosso Mar.
Denso, quase escuro.
A separar-nos.
Consigo ver ao longe o desenho do teu brincar em forma de sorriso.
Enorme, GIGANTE, vermelho-de-encantar.
Parece, (o teu sorriso-palhaço), um farol escondido no ar e do tempo (lembra o teu vestir, ás riscas, a circular cambalhotas, a sorrir, sempre a sorrir, ora vermelho, ora rir) …
Envio-te este escrever, em carta, não vás esquecer-te que continuo aqui, a esperar-te e a ver-te. Tenho coisa tua, para te dar, quando este cinza, quase mar se levantar em nuvem para outro lugar. É aquela lágrima tua-nossa que sobrou do nosso Mar, quando nos entretínhamos a sonhar, sem tempo(s). Está aqui, na minha mão, para a devolver, é a tua vez de a guardar.
Um abraço, saltimbanco-vagabundo, para ti, para o meu melhor amigo, palhaço…
Ps. Dei conta, hoje, só hoje, que não é possível pintar um palhaço, sem a ajuda do vermelho, mesmo que se vista todo de amarelo…
PPs: Não disse, digo-o agora, tenho tantas saudades tuas…
In " Blogue de Cartas"
Em dia sem tempo(s) para ir ao teu encontro, dar-te um abraço,
Escrito e dito, na data que se pendurou em moldura, indiferente, estranha ao que se vai dizer…
Querido Palhaço,
Caiu um nevoeiro cinza por cima do nosso Mar.
Denso, quase escuro.
A separar-nos.
Consigo ver ao longe o desenho do teu brincar em forma de sorriso.
Enorme, GIGANTE, vermelho-de-encantar.
Parece, (o teu sorriso-palhaço), um farol escondido no ar e do tempo (lembra o teu vestir, ás riscas, a circular cambalhotas, a sorrir, sempre a sorrir, ora vermelho, ora rir) …
Envio-te este escrever, em carta, não vás esquecer-te que continuo aqui, a esperar-te e a ver-te. Tenho coisa tua, para te dar, quando este cinza, quase mar se levantar em nuvem para outro lugar. É aquela lágrima tua-nossa que sobrou do nosso Mar, quando nos entretínhamos a sonhar, sem tempo(s). Está aqui, na minha mão, para a devolver, é a tua vez de a guardar.
Um abraço, saltimbanco-vagabundo, para ti, para o meu melhor amigo, palhaço…
Ps. Dei conta, hoje, só hoje, que não é possível pintar um palhaço, sem a ajuda do vermelho, mesmo que se vista todo de amarelo…
PPs: Não disse, digo-o agora, tenho tantas saudades tuas…
In " Blogue de Cartas"
30 dezembro 2004
não os pintei...
Fui de asas emprestadas por um bando de gaivotas-de-rio e transformei-me em brisa, quase água, quase silêncios.
Passeei em terras de verdes-frio, sem cinzentos-fosco, puros, autênticos.
Vagueei nos meus verdes. São os meus verdes...ainda só olhar.
Não os pintei…
Parei. Numa espécie de pausa de Vida, de instantes, para ouvir todos os pedaços de silêncio…aqui o melro…ali a perdiz… mais além o canavial, pedaço em pedaço, trazidos pelo vento.
São os meus sons...ainda só olhar.
Não os pintei…
Passeei em terras de verdes-frio, sem cinzentos-fosco, puros, autênticos.
Vagueei nos meus verdes. São os meus verdes...ainda só olhar.
Não os pintei…
Parei. Numa espécie de pausa de Vida, de instantes, para ouvir todos os pedaços de silêncio…aqui o melro…ali a perdiz… mais além o canavial, pedaço em pedaço, trazidos pelo vento.
São os meus sons...ainda só olhar.
Não os pintei…
29 dezembro 2004
a ameixoeira do quintal...
Era uma árvore feia, escondida entre muros do quintal.
Escanzelada.
Talvez da enxertia, talvez da sua insignificância, ali estava, Inverno após Inverno em silêncios, na sua solidão de ameixoeira.
Nem o vento a acariciava em brisa e o sol só quando feria, a visitava.
Talvez por tudo isso era feia, a ameixoeira do quintal.
Em jeito de grito, resolveu carregar de frutos os seus frágeis ramos até não poder aguentar o peso da sua desesperança. Um a um foram partindo, amputando os braços, as mãos e os frutos num silêncio de indiferença.
Tivesse decidido o seu grito em ano outro e tudo seria diferente, mas este, foi ano de angústia, de doenças várias e o quintal ficou sem os sorrisos, sem os olhares, tempo de mais.
Quase morreu, infectada de fungos, de talas de emergência e a sua feiura já de si saliente, estilizou-se em apelo, em socorro numa tentativa desesperada de cativar olhares.
Cativou.
Com carinho, falas muitas, de serrote na mão, lá se aparou o esqueleto enrugado e perdido, da ameixoeira do quintal.
Não sei se foi da conversa, ( ou das confidencias trocadas) se da debilidade, se da feiura, ou pelo simples facto de ter ouvido os seus gritos, mas os olhos, os meus, regressaram cheios de preocupação e de laços.
Quando voltar da cidade grande, o meu primeiro olhar será para a minha nova amiga…
É tão bonita a ameixoeira do Quintal…
Escanzelada.
Talvez da enxertia, talvez da sua insignificância, ali estava, Inverno após Inverno em silêncios, na sua solidão de ameixoeira.
Nem o vento a acariciava em brisa e o sol só quando feria, a visitava.
Talvez por tudo isso era feia, a ameixoeira do quintal.
Em jeito de grito, resolveu carregar de frutos os seus frágeis ramos até não poder aguentar o peso da sua desesperança. Um a um foram partindo, amputando os braços, as mãos e os frutos num silêncio de indiferença.
Tivesse decidido o seu grito em ano outro e tudo seria diferente, mas este, foi ano de angústia, de doenças várias e o quintal ficou sem os sorrisos, sem os olhares, tempo de mais.
Quase morreu, infectada de fungos, de talas de emergência e a sua feiura já de si saliente, estilizou-se em apelo, em socorro numa tentativa desesperada de cativar olhares.
Cativou.
Com carinho, falas muitas, de serrote na mão, lá se aparou o esqueleto enrugado e perdido, da ameixoeira do quintal.
Não sei se foi da conversa, ( ou das confidencias trocadas) se da debilidade, se da feiura, ou pelo simples facto de ter ouvido os seus gritos, mas os olhos, os meus, regressaram cheios de preocupação e de laços.
Quando voltar da cidade grande, o meu primeiro olhar será para a minha nova amiga…
É tão bonita a ameixoeira do Quintal…
22 dezembro 2004
um Natal de olhares
Vou estar uns dias fora.
Levo-me apenas.
Sem tecnologias sem nada.
Vou, no meu ir.
Volto depois…
Deixo uma oração, a minha e começa assim…
"Que todos os dias, os dias todos, os olhares, os meus, os teus, os nossos, Todos, se focalizem em Todos os olhares que gritam silêncios… "
Assim seja…
ah se começasse hoje, que Natal seria amanhã...
Levo-me apenas.
Sem tecnologias sem nada.
Vou, no meu ir.
Volto depois…
Deixo uma oração, a minha e começa assim…
"Que todos os dias, os dias todos, os olhares, os meus, os teus, os nossos, Todos, se focalizem em Todos os olhares que gritam silêncios… "
Assim seja…
ah se começasse hoje, que Natal seria amanhã...
Subscrever:
Mensagens (Atom)
não uso tempos, nem agendas ou instrumentos outros que meçam pedaços do existir. é jeito meu. por isso passar de um ano para o outro é cousa...
-
A tarde cansou-se de me esperar e foi por aí, sem saudades à aventura, sozinha. As tardes são coisas estranhas ( os dias, as noites, também,...
-
Vou fazer uma pausa. Cousa necessária em alturas de Presépio. É época de caminho. É por aí que vou, sem demoras que é viagem por dentro… Um...
-
escureceu uma brancura-de-nevoeiro, onde nem os passos se sentem. hesitantes. medrosos…( ou como é sempre necessário luz outra, quando nos p...