11 janeiro 2005

fechada

Fechei uma porta, ladeada de muros altos-de-céu, escuros, visíveis, risíveis de mim.
É porta maciça, sem luz nem chave.
Só as portas que se reabrem tem chave.
Esta, sem cor, ficou ali, só, erguida a um nada que se esfumou sem desenho, nem caminho.
Está. Nem longe nem perto. Ausente, sem tempo nem memória, perdida no sonho de quem se recusa a ir, por ali...

08 janeiro 2005

enganos

Sei um violino que me fala,
diz em segredos onde estou,
murmura, desassossegado, não se cala,
canta-me sozinho,
por fora e por dentro, o que sou...
Sem ventos, nem geada,
oiço-o, sem dança,
nem cor,
tenho os olhos fechados,
para sentir o mais pequeno nada,
do caminho para onde vou,
sem dor.
Toca, o violino, mais a flauta, tudo som.
O sentir, esse ficou distraído a bailar na gaivota que voou…
Musica de um nada,
quase flor alada,
desta vida que me enganou…

06 janeiro 2005

rasgar as palavras...

Há palavras que enganam e tomam a forma de um Mostrengo do tamanho de um sentimento. Espelhos distorcidos com a força de um vento.
Há palavras que mentem, matam, definham, vestem-se sujas, escarradas de dor sem alento.
Vou rasgar cada uma, letra a letra e soltá-las, esquecidas no Tempo

05 janeiro 2005

o meu piano

Escrevi um piano,
negro-branco.
Um piano.
Só os dedos são coloridos,
sombras pintadas,
cor-sangue,
atados,
doloridos,
derretidos,
no piano,
no escuro.
Sopra,
sozinho,
silêncios-muro.
Escrevi um piano,
cigano,
bailarino,
sem palavras,
lento,
negro-branco,
sem banco,
ao engano …
Toca,
o piano,
ao vento,
só,
sem palco, nem encanto.
Chora,
o piano,
hora a hora,
sem tempo,
lágrimas de pó.

Escrevi um piano,
Negro-branco,
Sem dó!

04 janeiro 2005

era uma vez...

Há uma Nau que me espera,
insiste ,
chama,
grita,
quase fera,
só para me levar.
Tem mil cores,
quer que dance,
a Catrineta que quer ir para o Mar.
Não tem história,
nem desamores,
talvez, romance…
talvez…
Sei que é hora,
é minha, a vez
de ir neste barco que navega a Voar.
Só as velas são brancas,
Tudo o resto é Mar…
Era uma vez…

03 janeiro 2005

sentado...

É uma espécie de presença contínua que me olha em brilhos atrevidos, este Teu estar em mim…
Percorres-me os sentidos, sem devorares o Tempo, porque O esqueço, porque O não sei quando toco esse Teu olhar por detrás do Ver.
Não há cor nem sentidos para o pintar ou escrever, é como um desenho de criança, só traços e cor, entre silêncios de um sorriso.
Sento-me…a ouvir-Te e a dizer-me caminhos…

01 janeiro 2005

somas

Um ano é apenas uma soma de instantes, como a vida.
Uns estão na nossa memória outros não.
Bons ou maus são instantes que se transformam em emoções.
A vida, a tua a minha, as nossas, de todos, são somatórios de emoções que se esfumam no tempo.
O importante é não perde-las, nem as boas nem as más, fazem todas parte do nosso UM.

palavras escritas para Seila, por isso sei que não se importa que as rescreva aqui

não uso tempos, nem agendas ou instrumentos outros que meçam pedaços do existir. é jeito meu. por isso passar de um ano para o outro é cousa...