14 janeiro 2005

o catálogo

Ofereceram-me um catálogo de cores.
Estavam todas alinhadas, cheias de hierarquias, umas a seguir ás outras, como as formigas.
Estranhas estas cores que se deixam aprisionar num inventário e , pasme-se, oh Deus…dão pelo nome....cada uma, com o seu .
Tristes estas cores…
Resolvi segredar a cada uma delas, uma história, assim, zás, por impulso.

Segredo nosso…

À noite, pela hora do sonho, saímos todos ás escondidas e mergulhamos no mar. Só a lua nos viu. Juntou-se a nós com outras histórias para contar.
Quando voltei, vim sem o catalogo de cores.
Umas ficaram com a lua, outras com o mar...

As outras vem escondias, mas isso é segredo meu, é história que não posso revelar…

(Como diria a minha amiga Seilá, shhhhhhhhiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiuuuuuuuuu....)

13 janeiro 2005

O meu amigo…horizonte

Hoje o horizonte travestiu-se de saltimbanco , escolheu o dia para me fazer equilíbrios malabaristas de circo “vagabundo-navegante ”…
Estou entretido, a imaginar, divertido o que seria se todos vissem assim o horizonte, a brincar com as cores e com os silêncios como só a fantasia sabe desenhar...

12 janeiro 2005

oiço uma flauta-de-pan a cantar sozinha...

Passeio, descalço-de-olhar, a repintar o azul. Respiro as cores e a brisa, sôfrego do ver, do Ser. Passos de desenganos, desenhados, pintados ao amanhecer. Calo-me de palavras. Oiço o que o sentir me (re) escreve , mudo…Almocreve, tocador, cantor, de sonho-surdo...Oiço, o ar, que dança, salpicado de cor. Sopro as nuvens , esgrimo o sentir, sangrado, sagrado, vivo, que emerge do existir. Desenho formas, sem contorno, desmoldadas, novas, minhas, disformes... linhas.
Passeio em voo lento, sem vento nem alento. Atento .
Ah, fora eu um GRITO, e toda esta névoa de mim, fugia sem sentido.
Paro ! Oiço, tudo , até a fantasia de ser esta maresia que me corre na alma-bailarina que me diz, poesia...

11 janeiro 2005

fechada

Fechei uma porta, ladeada de muros altos-de-céu, escuros, visíveis, risíveis de mim.
É porta maciça, sem luz nem chave.
Só as portas que se reabrem tem chave.
Esta, sem cor, ficou ali, só, erguida a um nada que se esfumou sem desenho, nem caminho.
Está. Nem longe nem perto. Ausente, sem tempo nem memória, perdida no sonho de quem se recusa a ir, por ali...

08 janeiro 2005

enganos

Sei um violino que me fala,
diz em segredos onde estou,
murmura, desassossegado, não se cala,
canta-me sozinho,
por fora e por dentro, o que sou...
Sem ventos, nem geada,
oiço-o, sem dança,
nem cor,
tenho os olhos fechados,
para sentir o mais pequeno nada,
do caminho para onde vou,
sem dor.
Toca, o violino, mais a flauta, tudo som.
O sentir, esse ficou distraído a bailar na gaivota que voou…
Musica de um nada,
quase flor alada,
desta vida que me enganou…

06 janeiro 2005

rasgar as palavras...

Há palavras que enganam e tomam a forma de um Mostrengo do tamanho de um sentimento. Espelhos distorcidos com a força de um vento.
Há palavras que mentem, matam, definham, vestem-se sujas, escarradas de dor sem alento.
Vou rasgar cada uma, letra a letra e soltá-las, esquecidas no Tempo

05 janeiro 2005

o meu piano

Escrevi um piano,
negro-branco.
Um piano.
Só os dedos são coloridos,
sombras pintadas,
cor-sangue,
atados,
doloridos,
derretidos,
no piano,
no escuro.
Sopra,
sozinho,
silêncios-muro.
Escrevi um piano,
cigano,
bailarino,
sem palavras,
lento,
negro-branco,
sem banco,
ao engano …
Toca,
o piano,
ao vento,
só,
sem palco, nem encanto.
Chora,
o piano,
hora a hora,
sem tempo,
lágrimas de pó.

Escrevi um piano,
Negro-branco,
Sem dó!

não uso tempos, nem agendas ou instrumentos outros que meçam pedaços do existir. é jeito meu. por isso passar de um ano para o outro é cousa...