Escuto o silêncio com a curiosidade de nomear o que sinto.
O frio escondeu as cores e desoriento-me nos sentidos...
Não sei se é da espera, se da tempestade-da-alma que me navega em zanga sem ventos nem lágrima, mas prendo-me nos passos que me fogem sem sombra. ( os sentimentos não têm sombra, são inteiros de olhar…)
Fico-me,
fixo,
sem reflexo,
nem imagem.
Até a memória se ri em imitação de palhaço e eu continuo sem nome para o que se perde no tempo, sem vida, desarvorada . ( desenraizada?)
Não vale a pena esperar, vou inventar todos os nomes do sentir e arremetê-los ao mar,
cada um,
na sua garrafa-navegante, a fingir-se história, despidos,
cada um,
nu,
despedaços de poema,
desfragmentados de mim ...
31 janeiro 2005
30 janeiro 2005
(in) certezas
Saio de mim num sopro de perguntas, como quem duvida que sente, que existe. Não é a resposta que me sacia, mas a certeza de me saber inteiro.
O vento levou-me em pedaços.
Procuro cada fragmento, com a sede de um olhar que aguarda um sentir.
Só o lápis me reconhece, porque fixou as linhas que me separam da sombra.
Hoje sou o que o lápis me sorrir, só depois saberei cor.
Que sejam quentes as cores que se colarem no cenário dos meus passos, o frio paralisou-me a alma que se esconde sozinha a ouvir um violino que fala a linguagem do vento, dos rios e que voa em forma de nuvem...
O vento levou-me em pedaços.
Procuro cada fragmento, com a sede de um olhar que aguarda um sentir.
Só o lápis me reconhece, porque fixou as linhas que me separam da sombra.
Hoje sou o que o lápis me sorrir, só depois saberei cor.
Que sejam quentes as cores que se colarem no cenário dos meus passos, o frio paralisou-me a alma que se esconde sozinha a ouvir um violino que fala a linguagem do vento, dos rios e que voa em forma de nuvem...
29 janeiro 2005
inexistências do eu
Ah, como gostava de ser invisível, andar por aí, sem me sentirem o Eu e gritar sem me ouvirem.
Ah,
sim,
isto é oração, prece…
Quero tanto ir por aí, indiferente à chuva, aos passos, ao vento, ás palavras que me inventam, nos reflexos dos passos que não dei.
Uma folha é uma folha, uma árvore, uma árvore, uma gaivota ,pinta os azuis, os cinzentos , os verdes, de branco e voa, porque é que o meu caminho, é esta coisa que anda à toa, que me fere e magoa?
Por isso grito, peço, tropeço e voo, cansado dos olhares que me pintam, sem me verem o Eu.
Não é ódio o que sinto, nem rancor, nem indiferença, nem sequer, medo.
É tristeza profunda, abismo negro, fundo, escuro, por sentir este querer intenso, de me tornar insensível e esquecer…
Ah,
sim,
isto é oração, prece…
Quero tanto ir por aí, indiferente à chuva, aos passos, ao vento, ás palavras que me inventam, nos reflexos dos passos que não dei.
Uma folha é uma folha, uma árvore, uma árvore, uma gaivota ,pinta os azuis, os cinzentos , os verdes, de branco e voa, porque é que o meu caminho, é esta coisa que anda à toa, que me fere e magoa?
Por isso grito, peço, tropeço e voo, cansado dos olhares que me pintam, sem me verem o Eu.
Não é ódio o que sinto, nem rancor, nem indiferença, nem sequer, medo.
É tristeza profunda, abismo negro, fundo, escuro, por sentir este querer intenso, de me tornar insensível e esquecer…
28 janeiro 2005
sementes
A solidão é um estado de não existência, onde o sentir se esconde no lado negro da nossa própria alma e não nos sai do olhar, preso no coração, sem a doce sensação da partilha e do dar...
In “ Apontamentos para um manual da serenidade", ou como se deve agarrar no sentir e pintá-lo com todas as cores e lançá-lo no Universo...
In “ Apontamentos para um manual da serenidade", ou como se deve agarrar no sentir e pintá-lo com todas as cores e lançá-lo no Universo...
27 janeiro 2005
esquizofrenias coloridas, em jeito de fantasia
Abri a janela (deve ter um significado qualquer, isto de se estar sempre a escrever “janela” quando se sente “Liberdade”), de olhos limpos, com o olhar longe e ali fiquei a ver os verdes a brincar ás escondidas. (talvez a janela, signifique o estado de contemplação…talvez). Corriam de um lado para o outro ( os verdes, é bom não esquecer...), doidos, alegres, livres ( o “doidos” estará deslocado? Excessivo?Julgo que não…). Pintam a terra toda, inteira, até ao horizonte ( cá está o "meu horizonte", que mania tem ele de se interpor entre o meu olhar e a minha fantasia. Será limite? Não acredito. Quando me pinto horizonte sinto, infinito…), só não sei se mergulharam no mar…
Corri com eles, não fossem fugir e brincar para outros lados sem mim. Estou lá ao fundo, a fingir-me de amarelo (será que contagiei as minhas cores com esta esquizofrenia que não me larga o sentir? Não! Apenas me desdobro, disseco, anatomizo o meu Ver e pinto-o…)
Corri com eles, não fossem fugir e brincar para outros lados sem mim. Estou lá ao fundo, a fingir-me de amarelo (será que contagiei as minhas cores com esta esquizofrenia que não me larga o sentir? Não! Apenas me desdobro, disseco, anatomizo o meu Ver e pinto-o…)
26 janeiro 2005
disse-lhe...
Ouvi uns tambores que me gritavam, em choro de agonia.
Olhei-me, só, num deserto de cores, a ouvir, a escutar os gritos-eco, em ritmos-lágrima…
Eram sons do tempo, assustados, que se esconderam de mim e se perderam do meu olhar…
Dorme…descansa, estou aqui…disse-lhe.
Passei-lhe as mãos pelos cabelos de criança e adormecemos no reencontro dos passos que demos, juntos, noutros espaços, noutros tempos.
Dorme…descansa, não te deixarei ..., disse-lhe…
Olhei-me, só, num deserto de cores, a ouvir, a escutar os gritos-eco, em ritmos-lágrima…
Eram sons do tempo, assustados, que se esconderam de mim e se perderam do meu olhar…
Dorme…descansa, estou aqui…disse-lhe.
Passei-lhe as mãos pelos cabelos de criança e adormecemos no reencontro dos passos que demos, juntos, noutros espaços, noutros tempos.
Dorme…descansa, não te deixarei ..., disse-lhe…
25 janeiro 2005
metamorfose entre fronteiras
Afastei-me, passo após passo, à procura de sombra, para poder ver todos os matizes do dia que se pintou sozinho.
Procuro a distância que o separa do olhar, com a curiosidade de quem procura a descoberta. Prendo-me na nitidez da linha que separa a sombra e as cores que se afirmam orgulhosas de luz, a desafiar o sentir e os sentidos.
Fixo-a sem forma e desequilibro-a, ao mergulhar fundo, no mundo imaginário que borbulha entre um e outro e me transforma em gaivota-flor com pinturas de palhaço-saltimbanco e por ali fico a ser-me…
Estou, o tempo exacto, com o olhar que me calhou na herança-da-descoberta, como pedaço de cauda de lagartixa, separada do corpo em pasmos do existir.
Viagem fugaz, ao mundo que me vive no olhar de menino que se funde com a ténue linha que se contorna de sombra.
Instantes sem memória que se maravilham extasiados, perdidos no tempo, inteiros, no sonho de uma criança que se deixa ir no balão que lhe fugiu para o céu até se transformar em estrela...
Procuro a distância que o separa do olhar, com a curiosidade de quem procura a descoberta. Prendo-me na nitidez da linha que separa a sombra e as cores que se afirmam orgulhosas de luz, a desafiar o sentir e os sentidos.
Fixo-a sem forma e desequilibro-a, ao mergulhar fundo, no mundo imaginário que borbulha entre um e outro e me transforma em gaivota-flor com pinturas de palhaço-saltimbanco e por ali fico a ser-me…
Estou, o tempo exacto, com o olhar que me calhou na herança-da-descoberta, como pedaço de cauda de lagartixa, separada do corpo em pasmos do existir.
Viagem fugaz, ao mundo que me vive no olhar de menino que se funde com a ténue linha que se contorna de sombra.
Instantes sem memória que se maravilham extasiados, perdidos no tempo, inteiros, no sonho de uma criança que se deixa ir no balão que lhe fugiu para o céu até se transformar em estrela...
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