13 fevereiro 2005

um depois de outro, mas um só de cada vez

Cada dia deve ter o seu instante mágico.
Se o não teve, foi porque andámos distraídos, ou teve o infortúnio de lhe caber mais do que um…
"In " Apontamentos para o manual de serenidade, ou como se deve estar atento para o instante único que nos extasia os sentidos e o existir, ou como a banalidade pode cobrir de sombra o maravilhar…

12 fevereiro 2005

a caixa

Fecho os olhos.
Encerro-me!
Sou gaivota-de-rio que voa com o universo.
Oiço-me num pintar constante que se estilhaça em cores,
no verso…
Fecho os olhos.
Sou-me!
Partícula,
ínfima.
Reflexo de mar,
diluída,
no amar,
da vida…
Fecho-os,
na intimidade de uma tela,
navego no prazer de existir, na “infinitude” que me absorve.
Sinto o que me dissolve…
Fecho os olhos,
em abraço, a fluir…
Sou gaivota,
rio,
jangada sem vela,
a partir…

11 fevereiro 2005

o instante, sem tempo para ser futuro

Procuro palavras,
quaisquer,
procuro-as, não sei se o som se o sentir de cada uma .
Procuro , o afecto de uma imagem desenhada na emoção de uma aventura. Tesouro escondido no código secreto de um sonho.
Procuro. Não que tenha perdido! Procuro com a curisidade e a necesidade do Novo...
O que me alenta é a descoberta, não o que tive no olhar.
O passado já o vivi, o futuro não o quero agora...
Quero o que se entremeia e que se vive na ausência do tempo…
Um sonho, pode extinguir-se numa eternidade ou num instante.
Quero ambos,
juntos,
numa história ou numa simples palavra.
É essa que procuro e me conto em segredo, não vá o futuro roubar-me o instante.

10 fevereiro 2005

suavidades

Entre o difuso de se Ser e o de querer Ser mais do que se pensa, do que se cria, ou inventa,
hoje,
envolvi-me numa melancolia distraída, à procura de uma breve suavidade de deixar passar o tempo… como uma nuvem branca, quase transparente de azul que escorrega no céu.
Sento-me,
numa pedra arredondada do existir e dou comigo a conversar, num diálogo matizado de intimidade. Não sei quem me ouve, mas O que me rodeia abraça-me num entendimento quente de fusão como,
se,
simplesmente ali estivesse, sem outra única razão do que a de estar ali, naquele instante, naquele espaço, senhor da minha própria ausência, como a pedra, como a nuvem, num movimento sem tempo, mas presente, parte de um todo, numa comunhão de paisagem,
pedaço de vento,
pedaço de cor,
pedaço de mim…

09 fevereiro 2005

não é importante...seria?

A bailarina dançou-me, numa mímica colorida, a adivinhar sorrisos.
Depois foi-se embora, sem som, assim de uma vez só.
Parecia uma bola de sabão...
Seria?
Não sei, mas ainda tenho o sorriso…
Qual?
Não digo!

08 fevereiro 2005

quase murmúrios, quase segredos, ou o horizonte da alma

Tenho em mim uma incerteza que me interroga curiosa… a de sentir que o que perdi ( atento ou desatento), no caminho navegante que vagueio e olho sereno, bem no cimo da gávea, onde me sopram os alísios (quase murmúrios, quase segredos), me acompanha escondido ( o perdido), pronto para me contar uma história, cheia de significados e de cores, como se fosse uma pele de pó, que protege da luz as cores do sentir.
Tenho a sensação que tudo o que me coube no olhar, caminha comigo, num desenrolar de novelo sem princípio nem fim (permitam-me a ousadia de desenhar este sentir, esta linha difusa, porque distante, mas definida porque intima e de lhe chamar o meu horizonte da alma, como se fosse uma espécie de “adn” das emoções que nos moldam a forma do olhar e do viver…).
Sentido, "isto", o caminhar torna-se leve e suave, quase melodia (quase murmúrios, quase segredos), porque nos sabemos e sentimos inteiros, com todo o nosso ir na bagagem, nesta viagem, embarcada no navegar...

07 fevereiro 2005

um dia cheio de numeros, que se perderam no tempo

Tenho poucas palavras. O eu que me vive, que se movimenta anónimo de mim, encheu-me de números, o dia todo.
Cálculos atrás de cálculos em somas de absurdos.
Não me sobrou letras para o sentir, como se o dia tivesse passado sem me dizer, estou aqui. Não tenho memórias para este dia ausente de pequenas coisas.
As cores do hoje que me encobriram o Ver, têm formas algébricas, de métricas, sem fim, nem destino.
Os números não tem destino, porque se repetem sempre que se quiser .
São monótonos os números que nos transformam em vazio.
Todos, são a repetição do Um, mesmo os minúsculos, são uma repetição do um.
Que monotonia de dia.
Vou ver se ainda consigo olhar a noite...
É grande demais para caber num numero, a noite que vou espreitar…

não uso tempos, nem agendas ou instrumentos outros que meçam pedaços do existir. é jeito meu. por isso passar de um ano para o outro é cousa...