20 fevereiro 2005

a órbita...

A morte é uma continuidade, não um fim, assim não fosse e eu não teria átomos de gaivota, de acácias rubras e de dinossauros misturados no olhar…

In “ apontamentos para um manual da serenidade”,para um “manual de catalogação da transformação genética do sentir”, ou a forma mais rápida de assumirmos que somos um ponto de uma linha que não terá fim , ou ainda como se desenha a órbita da vida…

19 fevereiro 2005

outros olhos

Escuto-te!
Oiço-te, sem poema, porque a vida não O é, pinta-se nele…
Oiço-te, nos ecos de uma nuvem branca, em murmúrios de uma folha de Outono, sem poema…
Escuto-te!
Com os olhos do Nascer…

17 fevereiro 2005

hibernações

Escondo-me no abrigo de uma árvore,
qualquer,
enquanto a alma hiberna,
sozinha.
No ensombro, escrevo memórias espaças de um voo de mocho enamorado pela lua,
menina.
Caiu a noite, não há histórias nem sonhos...
Há uma transparência cristalina que aguarda o instante, de voltar a ter cor,
sem cinzentos-neblina.
Dorme, a alma,
talvez cansada,
talvez dorida,
dorme,
sossegada,
abraçada na arvore da vida…

16 fevereiro 2005

serenidades estonteantes

Vagabundo-me no tempo, à procura das memórias do que não vivi.
Não é viagem nem sonho, é uma liberdade infinita que se transporta na alma...

15 fevereiro 2005

biblioteca

Pintei uma biblioteca.
Apeteceu-me, num impulso de cor.
Uma biblioteca de castanhos cruzados de sombras, riscadas de caminhos.
Linhas ininterruptas de sentidos.
Pintei-os!
Todos!
Os meus, Livros. ( nem todos se olham de castanho, mas no meu quadro sim, repetidamente castanhos, de todos os castanhos que o saber me sintetizou em cores e em Ver…)
Terminado o quadro, e os castanhos, tinha uma biblioteca, a minha…aquela, não outra.
Depois, ah depois, agarrei no pincel e mergulhei-o no amarelo, (amarelo, sem adjectivos nem matizes, amarelo-ovo, que é o amarelo que me referencia o olhar, coisa tola porque há tantos ovos como amarelos…) e deixei que escorregasse, gota, em sorriso, a abraçar todos os meus castanhos. Tinha todas as palavras com que gostava de sonhar um livro, aquela lágrima-gota, que me fugiu colorida…

14 fevereiro 2005

absurdo(s)

Quero sentir o absurdo, pelo simples prazer de reinventar a forma do Mar. Transformá-lo em montanha-de-céu (Disparate! como se ele precisasse de ser montanha para tocar o céu, só podes estar doido-de-ti…), apenas porque é esse o meu sentir ( ah!, se assim é, continua…).
Estou no limiar do absurdo-de-mim, como um azul que se reflecte sépia, preso no Tempo, na duplicidade de me ser muitos e de procurar só um, na ilusão absurda de reinventar a forma-do-ser…
Quero senti-lo! (o absurdo) para conhecer o desenho que me contorna o ver…
Quero tactear a fronteira do olhar (o absurdo?), para me saber-o-eu…

não uso tempos, nem agendas ou instrumentos outros que meçam pedaços do existir. é jeito meu. por isso passar de um ano para o outro é cousa...