Quando procuramos, o melhor, é perdermo-nos por inteiro, só assim colocamos todo o sentido da descoberta na ousadia do querer encontrar…
In "apontamentos para um manual da serenidade", ou com nem sempre é fácil partir com a vontade de chegar…
12 março 2005
10 março 2005
como quem dá...
Um poema afinal não se escreve,
nem se desenha,
nem nada.
Um poema oferece-se,
como quem dá uma flor-camuflada-entre-dos-dedos-de-uma-mão-que-acaricia,
mas com os lábios,
ou com o olhar,
todo desarrumado de sentires,
para nos extasiarmos na procurar dos sorrisos que se soltam em cada viagem que nos transporta, aos caminhos por onde ele andou antes de nós…
nem se desenha,
nem nada.
Um poema oferece-se,
como quem dá uma flor-camuflada-entre-dos-dedos-de-uma-mão-que-acaricia,
mas com os lábios,
ou com o olhar,
todo desarrumado de sentires,
para nos extasiarmos na procurar dos sorrisos que se soltam em cada viagem que nos transporta, aos caminhos por onde ele andou antes de nós…
09 março 2005
sede
Resumi toda a minha vida num pedaço de papel, com letras bonitas, importantes, vaidosas de bonitas. (Já repararam como ficam vaidosas as letras quando contam uma história, mesmo que só caiba num pedaço de papel? Estas não são diferentes de outras letras, por isso estavam todas azuis-de-sorrisos-de-manhãs frescas). Mas estas, estavam para além do sorriso porque o papel dobrou-se em barco-de-papel-com-letras-vaidosas e passeou-navegante todo o dia na fonte do jardim, até se transformar em água-bebida-por-uma-pomba-que-por-ali-poisou …
E foi assim que a história de uma vida matou a sede, ao acaso, de uma pomba que gostava da água da fonte de um jardim...
E foi assim que a história de uma vida matou a sede, ao acaso, de uma pomba que gostava da água da fonte de um jardim...
08 março 2005
atropelos
Pára!
Coloca todo o teu peso, na atitude, clara, precisa de O deixar passar. Solta-o da sombra, não te embales no seu ritmo, na sua força, na sua determinação. Se o tempo te empurra, deixa-o ir, não vás tu tropeçar e perderes o teu próprio tempo, porque o teu, esse, não te atropela…
In “ Apontamentos para um manual da serenidade” ou como devemos aprender a ilusão de não nos deixarmos impelir pelo tempo, para podermos levar tudo que nos cabe no olhar
Coloca todo o teu peso, na atitude, clara, precisa de O deixar passar. Solta-o da sombra, não te embales no seu ritmo, na sua força, na sua determinação. Se o tempo te empurra, deixa-o ir, não vás tu tropeçar e perderes o teu próprio tempo, porque o teu, esse, não te atropela…
In “ Apontamentos para um manual da serenidade” ou como devemos aprender a ilusão de não nos deixarmos impelir pelo tempo, para podermos levar tudo que nos cabe no olhar
07 março 2005
hoje...
Hoje, talvez só hoje,
sou cristal de Mar, escondido na lágrima de uma gaivota que se desliza em vento a sonhar ser onda...
Hoje, talvez só hoje,
sou onda despenteada que se dissolve em nuvem a abraçar o Sol...
ah! que isto de ser existência-pura tem que se lhe diga...
sou cristal de Mar, escondido na lágrima de uma gaivota que se desliza em vento a sonhar ser onda...
Hoje, talvez só hoje,
sou onda despenteada que se dissolve em nuvem a abraçar o Sol...
ah! que isto de ser existência-pura tem que se lhe diga...
04 março 2005
vontades
A lua pingava uma chuva envergonhada. Mais ficou quando lhe dei a mão e sussurrei em murmúrios de poesia, vontades de pintar uma papoila…
03 março 2005
embalado em comboio de aço
No balanço,
danço,
sem rede,
nem laços…
Desacordo,
manso,
acordes de trompete
que me soam,
sem cansaço,
uma nuvem azul-baço,
que chove beijos,
em sorrisos palhaço...
Danço,
manso,
sem desejos,
na janela-verde
que me embala,
em abraço...
danço,
sem rede,
nem laços…
Desacordo,
manso,
acordes de trompete
que me soam,
sem cansaço,
uma nuvem azul-baço,
que chove beijos,
em sorrisos palhaço...
Danço,
manso,
sem desejos,
na janela-verde
que me embala,
em abraço...
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