O desenho de uma árvore é uma eternidade de linhas que se escondem na terra e se pintam no céu.
A que desenhei hoje fugiu-me do papel, tão ciosa que estava de fazer cócegas nas nuvens…
18 março 2005
17 março 2005
tropeções
Tropecei no horizonte.
Linha irrequieta, esta que insiste em nunca se passear no mesmo local…
Atrevido, puxei-a com olhos-de-palhaço-criança-em-hora-de-recreio ,enrolei-a num enorme novelo-de-encantar e segurei-a com o olhar.
Não era de cristal esta bola-horizonte-em-tons-de-papoilas-que-chegaram-antes-das-andorinhas, era como... cabelo, de mulher que se ama, entre os dedos, em penteares de ternura…
Mas chegaram as papoilas, com ou sem horizonte, caído ou levantado, pouco importa.
Chegaram!
Vermelhas-sangue-de-sol-posto-em-terras-de-áfrica!
Devem ter vindo do mercado. Cheiravam a novidades, mas eram todas segredo ( podem e devem ler esta parte em sussurros murmurados, quase só olhares)…
Conto, porque o segredo era só delas, não meu…as andorinhas vêm mais cedo (já o sabíamos, disse-o a bola que não era de cristal), só que vêm pintadas de azul…
Fiquei a imaginar primaveras-com-andorinhas-azuis-e-papoilas-tagarelas…
Não, o céu não vai gostar de se ver invadido, assim sem aviso prévio, por outros azuis…
Vai ficar cheio de ciúme, porque vamos todos olhar para ele, mas não para o ver…
É o que dá quando tropeçamos no nosso horizonte…
Linha irrequieta, esta que insiste em nunca se passear no mesmo local…
Atrevido, puxei-a com olhos-de-palhaço-criança-em-hora-de-recreio ,enrolei-a num enorme novelo-de-encantar e segurei-a com o olhar.
Não era de cristal esta bola-horizonte-em-tons-de-papoilas-que-chegaram-antes-das-andorinhas, era como... cabelo, de mulher que se ama, entre os dedos, em penteares de ternura…
Mas chegaram as papoilas, com ou sem horizonte, caído ou levantado, pouco importa.
Chegaram!
Vermelhas-sangue-de-sol-posto-em-terras-de-áfrica!
Devem ter vindo do mercado. Cheiravam a novidades, mas eram todas segredo ( podem e devem ler esta parte em sussurros murmurados, quase só olhares)…
Conto, porque o segredo era só delas, não meu…as andorinhas vêm mais cedo (já o sabíamos, disse-o a bola que não era de cristal), só que vêm pintadas de azul…
Fiquei a imaginar primaveras-com-andorinhas-azuis-e-papoilas-tagarelas…
Não, o céu não vai gostar de se ver invadido, assim sem aviso prévio, por outros azuis…
Vai ficar cheio de ciúme, porque vamos todos olhar para ele, mas não para o ver…
É o que dá quando tropeçamos no nosso horizonte…
16 março 2005
tonalidades ao som de uma trompete
Desenhei uma árvore a dançar com um trompetista e deixei-me voar nas cores de um sol tardio que se abraçou à terra e se esqueceu do universo, derretendo-se por inteiro naquele instante…
15 março 2005
talvez cegueira, talvez não…
Sinto-me só.
Não terrivelmente, nem angustiantemente...
Simplesmente só, ou serenamente (estado de alma, ou de sentir com que gosto de pintar os cenários do existir em jogos de absurdos e de silhuetas bailarinas).
No intimo, sinto-me só porque abandonado de memórias (aquelas imagens que nos moldam o carácter e que nos dizem o nome inteiro), como se de um momento para o outro apenas me restasse o Presente e os sucessivos instantes do" acontecer", condenado a reinventar os vazios que preenchem o (des)olhar. Uma espécie de torcicolo neurótico que me impede de olhar para o detrás de mim. Sensação inquieta de quem está em pontas de pés, de costas para um abismo e só lhe resta o defronte.
Talvez seja só hidropisia-de-caminhante-de-olhos-espantados que tudo arrasta, tudo limpa, talvez só cegueira, só cansaço, mas um homem só com instantes, é uma espécie de relâmpago, quando afinal, nasceu estrela, porque a luz da estrela é passado e a do olhar futuro…
Não terrivelmente, nem angustiantemente...
Simplesmente só, ou serenamente (estado de alma, ou de sentir com que gosto de pintar os cenários do existir em jogos de absurdos e de silhuetas bailarinas).
No intimo, sinto-me só porque abandonado de memórias (aquelas imagens que nos moldam o carácter e que nos dizem o nome inteiro), como se de um momento para o outro apenas me restasse o Presente e os sucessivos instantes do" acontecer", condenado a reinventar os vazios que preenchem o (des)olhar. Uma espécie de torcicolo neurótico que me impede de olhar para o detrás de mim. Sensação inquieta de quem está em pontas de pés, de costas para um abismo e só lhe resta o defronte.
Talvez seja só hidropisia-de-caminhante-de-olhos-espantados que tudo arrasta, tudo limpa, talvez só cegueira, só cansaço, mas um homem só com instantes, é uma espécie de relâmpago, quando afinal, nasceu estrela, porque a luz da estrela é passado e a do olhar futuro…
14 março 2005
distracções
Ia distraído.
Vou sempre, quando me viajo no Universo, porque vou sem sentido a ouvir as árvores a ralharem-me o existir.
Esta que me falou hoje era um pinheiro-com-perfumes-de-alfazema, cheio de eternidade. Disse-me que ia no sentido errado, que o meu caminho era bem lá mais para baixo, junto ao Rio. Lá tinha todas as minhas sombras e cores que eu baptizei em menino…
Zanguei-me com ele, respeitosamente, por ser árvore apinhada-de-tempo , " caminho é onde o olhar nos leva, não os passos", disse sem convicção a olhar o chão não fosse ela fulminar-me com todo o seu peso de árvore-que-segura-a-terra-no-céu.
Ele amuou e eu também.
Fiquei assim, sem jeito de saber se o meu lugar era ali perto da serenidade, ou junto ao rio que não pára, sempre com pressa de se transformar em Mar…
Vou sempre, quando me viajo no Universo, porque vou sem sentido a ouvir as árvores a ralharem-me o existir.
Esta que me falou hoje era um pinheiro-com-perfumes-de-alfazema, cheio de eternidade. Disse-me que ia no sentido errado, que o meu caminho era bem lá mais para baixo, junto ao Rio. Lá tinha todas as minhas sombras e cores que eu baptizei em menino…
Zanguei-me com ele, respeitosamente, por ser árvore apinhada-de-tempo , " caminho é onde o olhar nos leva, não os passos", disse sem convicção a olhar o chão não fosse ela fulminar-me com todo o seu peso de árvore-que-segura-a-terra-no-céu.
Ele amuou e eu também.
Fiquei assim, sem jeito de saber se o meu lugar era ali perto da serenidade, ou junto ao rio que não pára, sempre com pressa de se transformar em Mar…
12 março 2005
procura(s)
Quando procuramos, o melhor, é perdermo-nos por inteiro, só assim colocamos todo o sentido da descoberta na ousadia do querer encontrar…
In "apontamentos para um manual da serenidade", ou com nem sempre é fácil partir com a vontade de chegar…
In "apontamentos para um manual da serenidade", ou com nem sempre é fácil partir com a vontade de chegar…
10 março 2005
como quem dá...
Um poema afinal não se escreve,
nem se desenha,
nem nada.
Um poema oferece-se,
como quem dá uma flor-camuflada-entre-dos-dedos-de-uma-mão-que-acaricia,
mas com os lábios,
ou com o olhar,
todo desarrumado de sentires,
para nos extasiarmos na procurar dos sorrisos que se soltam em cada viagem que nos transporta, aos caminhos por onde ele andou antes de nós…
nem se desenha,
nem nada.
Um poema oferece-se,
como quem dá uma flor-camuflada-entre-dos-dedos-de-uma-mão-que-acaricia,
mas com os lábios,
ou com o olhar,
todo desarrumado de sentires,
para nos extasiarmos na procurar dos sorrisos que se soltam em cada viagem que nos transporta, aos caminhos por onde ele andou antes de nós…
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