Inundo-me de brancos e de lágrimas,
secas,
e desenho-as,
uma a uma,
transparentes.
Crentes.
Multidão sem voz
que caminha,
Vão em silêncio,
sem medo,
mas,
cada uma sozinha.
Fossem elas todas,
Um,
não haveria branco nem negro,
e lágrimas,
eram outras,
de alegria...
07 abril 2005
06 abril 2005
gaveta
Tenho uma gaveta cheia de violeta-quase-flor…
São pedaços de nada que viajam comigo,
para onde for.
É engraçada, esta minha gaveta,
porque afinal,
não tem nada…
Tem uma cor,
timida,
(res)guardada
Que parece dor…
afinal é para isso que servem as gavetas, mesmo as minhas que são desarrumadas, para (res)guadar, nem que seja um desenho de uma flor...
São pedaços de nada que viajam comigo,
para onde for.
É engraçada, esta minha gaveta,
porque afinal,
não tem nada…
Tem uma cor,
timida,
(res)guardada
Que parece dor…
afinal é para isso que servem as gavetas, mesmo as minhas que são desarrumadas, para (res)guadar, nem que seja um desenho de uma flor...
05 abril 2005
oiço...
Capto o silêncio da terra que se oferece em cores húmidas e que me fala pausadamente, (como se eu não lhe soubesse o falar),
conta-me os passos,
passados num eternamente longe.
Conta-me as viagens, as suas.
É terra navegante, esta que hoje piso e me fala dos passos pisados.
Foi amada, foi mãe vezes sem conta,
pisada e re-pisada também.
Mas conta,
conta-me,
cada grão,
cada nada.
Conta,
conta-me que grão só, não vale nada, só inteira tem história.
Oiço.
Oiço-a.
Oiço-me.
Em silêncio, no seu silêncio...
Vale do Sorraia - Março 2005
04 abril 2005
mar (és)
Deixem-me re-escrever o Mar, libertar todo este azul-esmeralda que há em mim, num abraço-labirinto...
Fundir-me, nesta névoa-de-azul-salgado e deslizar,
onda pelo ar
e...
lá no alto,
deixar de Ser e pairar-leve-só-sentir...
Mar(es) da Ericeira - Março 2005
03 abril 2005
ás voltas

"Moinho-me" na vida, com as velas,
todas,
a dançar...
Brilham ao vento,
no mar.
É moinho trigueiro,
que gira,
gira,
sem parar...
Fosse ele,
só vento, e não saberia a cor com que se pinta o ar...
Não,
não é azul,
nem cinzento,
nem verde,
é cor de onda,
de espuma,
de Mar...
Nem branco,
nem prata,
é cor do meu olhar...
Ericeira - abril 2005
02 abril 2005
obrigado, Karol
de branco,
fragil,
peregrino-homem...
Procurei-vos ! (disseste)...
Estamos aqui...caminhando...
fragil,
peregrino-homem...
Procurei-vos ! (disseste)...
Estamos aqui...caminhando...
31 março 2005
terra
Deixo-me invadir pela terra, castanha, escura, lavrada e solto-me pó, com o vento…
Não há liberdade maior do que ser pó de terra à procura de semente e viajar em gota de água.
(já imaginaram a quantidade de cores em que se pode transformar um grão de pó de terra-castanha-escura? Verde-de-prado-novo, vermelho-de-papoila, violeta-dela-própria, de amores perfeitos, cada um com a sua, amarelo-sol, continuem, continuem….ou escolham uma, não há nada melhor do que cada qual escolher a cor em que se transforma quando num dia ao acaso, se sentem grão de pó e liberdade suficiente para voar sem destino)
Não há liberdade maior do que ser pó de terra à procura de semente e viajar em gota de água.
(já imaginaram a quantidade de cores em que se pode transformar um grão de pó de terra-castanha-escura? Verde-de-prado-novo, vermelho-de-papoila, violeta-dela-própria, de amores perfeitos, cada um com a sua, amarelo-sol, continuem, continuem….ou escolham uma, não há nada melhor do que cada qual escolher a cor em que se transforma quando num dia ao acaso, se sentem grão de pó e liberdade suficiente para voar sem destino)
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