24 abril 2005

quando a cor se perde com a vontade

O céu enrugou-se de veios brancos.
Apetecia-me alisá-lo de azuis para o ver inteiro.
Perdi-me na vontade, é tarefa de gigante imaginar um céu por inteiro, não tenho azul que chegue no olhar...

22 abril 2005

monólogos inconsequentes

…e quando de repente, olhamos algo que nos foi intensamente belo e não acreditamos na banalidade dos seus traços?
O que se perdeu?
O belo ou o olhar?
Perdeu-se o instante!

In “ apontamentos para um manual da serenidade” ou como não devemos cansar o belo, para que ele não fique para trás, sem folgo para nos acompanhar, ou se não quiseres perder o belo não deves andar nem devagar nem depressa, mas abraçá-lo em ti...

21 abril 2005

ser-se no EU

Ser coerente no caminho que se traça no dizer( ou no ser), não é ter sempre a mesma opinião.
O importante é que o que lhe dá forma (sentir, ver, ou coisas outras como a cor ou os silêncios), faça sempre parte do teu desenho e que cada Sim, que cada Não, te defina sem equívocos o NOME!

In “apontamentos para um manual da serenidade”, ou como devemos andar sempre ás voltas com um continuo interrogar para não cair involuntariamente fora do papel, ou como um esboço já diz tudo do nome de quem o sentiu no lápis...

20 abril 2005

revolta suave, porque não nos podemos zangar por coisa tão pouca

O "poeta" falou-me!
Autoritário!
Estava tão zangado que o ouvi mudo e fui cabisbaixo, olhar o mar e a imaginar no desenho, a melhor forma de pintar um caracol surrealista de formas cubistas, sem poema, só para o arreliar.Isto de se dar ouvidos a poetas surrealistas, é grave e perigoso e só se o deve fazer se estivermos preparados para não interrogar…
Eu não estou.
Aguente-se o poeta, com boina ou sem boina.
Eu Pinto, não escrevo.
O que me sai do olhar, não são palavras, nem rimas, é desenho.
Nem sempre tem cor, é verdade, mas tem todos os traços escondidos em mistério, (como um-vitral-de-uma-floresta-a-permitir-se-embalar-na-luz), (isto por exemplo, é desenho-directo-do-olhar, é, sem mais, uma emoção, um sentir-ilustrado)...
Que se afogue o poeta e o seu latim.
Aqui, deste lado sente-se com o olhar,...
Aqui, não há paramentos, nem regras, nem mesmo surrealistas...
Aqui há um vazio cheio de mim que corre qual rio, com margens pintadas de EMOÇÃO !
Aqui há um su-emocionista (*) que vezes pinta, outras desenha, outras ainda e muitas, imagina, nem que sejam palavras, mas é tudo olhar transformado com o SENTIR.
É TUDO TRANSFORMAÇÃO...

(*) Não encontro palavra, como seria de esperar quando se pretende resumir o que há para lá da emoção do sentir numa única palavra, mais a mais inexistente, mas se há surrealistas...

Nota: isto não é um manifesto, é um desabafo com metáforas mais ou menos disfarçadas que nunca atingirão o alvo, mas ficam escritas e não se fala mais no assunto...

19 abril 2005

a tarde! ou.. é tarde? ou...

A tarde cansou-se de me esperar e foi por aí, sem saudades à aventura, sozinha.
As tardes são coisas estranhas (os dias, as noites, também, mas as tardes refinam na subtileza do mistério…) que se desdobram (qual caleidoscópio) na vida e para a vida de cada um…
A que me coube em sorte foi irreverente e não esperou por mim…
Azar só dela (perdoem-me a arrogância, mas como a tarde é minha dou-me a esse desvario) porque partiu cega e andarilha, presa ao umbigo do meu olhar.
Podia ser rancoroso e deixá-la ir assim sem mais nada, cortando-lhe o cordão (umbilical) mas corria o risco de ela se perder e eu ficar irremediavelmente desorientado na vida, sem uma tarde e olhem que isto de se passar da manhã para a noite é coisa de gente mal encarada com a vida e eu não me permito sê-lo, porque curta. Sei-me de missão encontrar todos os dias uma cor nova, tarefa de todo incompatível com desencontros voluntários com a vida…
Sei que a culpa é minha, ela (tarde) fez tudo para me realinhar com o tempo, mas eu estava tão entretido a escrever um manual prático de como se guardar o pôr-do-sol no bolso (para uso imediato e em qualquer hora do dia) que me distraí.
Não encontrava descoberta convincente para conservar a cor.
Estava indeciso em envolver o pôr-do-sol entre pétalas de rosa ou entre reflexos-de-olhar-de-menino-a-falar-com-a-sua-estrela.
Optei pela segunda e corri a agarrar a tarde…

18 abril 2005

mentiras descuidadas

Menti descaradamente!
Disse a uma gaivota triste que me sussurrou a sua vida, que parecia uma papoila a contar histórias…
Louco!
Irresponsável!
Indigente de sentires!
Uma gaivota não conta histórias, mesmo que vestida de papoilas !
Toda a gente sabe que uma gaivota é uma caravela navegante, branca que voa sobre o mar e o que ela sabe, não é história, é olhar…


"Eu já falei com uma gaivota e ela contou-me histórias. Mas como não acreditei nela, fui obrigada a segui-la. E ela mostrou-me que era verdade..."
testemunho deixado pela Cakau

Afinal andava enganado, ou pelos vistos o olhar, pode ser contado ( o que me leva a concluir que menti na mesma! Louco! Irresponsável! Indigente de sentires! Uma gaivota conta histórias sim senhor! Bem me pareceu que eram descuidadas as minhas mentiras...)

17 abril 2005

teorias

A beleza das coisas (Bc) é directamente proporcional à beleza da alma ( Ba). Esta é uma verdade indesmentível e que não tem discussão.
É a minha primeira verdade!
Ou seja a beleza da alma está para a beleza das coisas, assim como o UM está para a alma (nossa incógnita),donde
a = Bc x UM / Ba

a = alma
UM = ver teoria ( clicar em UM)
Bc = beleza das coisas
Ba = beleza da alma
Então, se:
Bc = Ba,
temos,
a = UM

donde , devemos todos tratar muito bem da nossa alma ( mesmo que seja incógnita) para não estragar o UM

In “ apontamentos matemáticos para o manual da serenidade “ ou como de vez a vez, vale a pena iludirmo-nos que esbarramos com uma verdade…

não uso tempos, nem agendas ou instrumentos outros que meçam pedaços do existir. é jeito meu. por isso passar de um ano para o outro é cousa...