09 maio 2005

pinturas

Esta noite , num cantinho da noite, choveram lágrimas de polén e o dia acordou pintado de borboletas bailarinas…

08 maio 2005

coisas de amor

Aviso desde já,
conhecidos, e outros,
anjos e anjas,
incautos ou pensadores
que quem escreveu o que se segue não percebe nada do assunto,
não é teoria,
nem verdade inteira,
nem tão pouco pedaço dela.
Não peçam explicações nem desenho.
Explicação para o sentir não há e o desenho é difícil, como sério, é pintar uma lágrima cristalina de mil reflexos, cada um com cor diferente, e ao pintor só lhe ensinaram sete,
não mil.


escreveu-se, o sentir assim ( o tal do aviso):


Não entendo porque é que a pessoa a quem se DÁ amor (só mesmo um humano, tem este tipo de problema existencial, todo o resto da existência é muito menos complexa no sentir), só se satisfaz se ouvir dito ou escrito (mas sobretudo dito, vezes muitas) AMO-TE!"


Não entendo!
O amor não está na palavra, transborda nos gestos e no olhar…

07 maio 2005

(des) encontros ou uma viagem à essência das coisas

Encontrei um menino, que não via desde que dei um pulo no país do desenho, onde se pensa e sente sem ordem de prioridades. Este, sempre foi especial e anacrónico, talvez por ter existência de índio e cabelos azuis-noite-prateados-de-lua ( e que me conste nunca andei por terras de índio). Passeava-se com olhares de quem procura um lugar esquecido. Tinha nome de olhar, Olhos-de-colibri, porque se perdia nas cores das flores e falava com elas, sempre apaixonado por cada uma. Deu-me um olá indiferente e seguiu na procura. Desapareceu na aguarela, esbatido nos azuis de um céu que nasceu já pintado. Não o via há muito tempo, porque há muito que não tinha um instante destes, de viver noutro espaço, ausente do corpo e da existência que nos contornam o VER, como uma aguarela que é cor e agua e tem a serenidade da sabedoria de ser poesia sem palavra, nem desenho…

05 maio 2005

dúvidas...de peso...

Papá, Papá diz-me, porque me pesam tanto os olhos, porque me dói tanto o andar?
Porque, o que não quiseste ver e os passos que não quiseste dar te pesam e te prendem…E não quiseste porque te distraíste com o Todo . Ninguém consegue carregar com o Todo em vez só, o todo constrói-se!
Mas papá , estou tão cansado! Só me apetece fechar os olhos e sentar-me no escuro. Estou tão cansado Papá...
Se olhares para uma formiga perceberás que cada uma leva um grão de cada vez. Estás cansado porque queres agarrar tudo com o olhar, num só dia. Assim perdes quase tudo. Deves ser inteiro, como cada dia é inteiro, só assim consegues ser sempre tu em cada dia que te olha e te caminha no Ver. Por isso fechas os olhos, por isso páras de caminhar, assim é o teu não querer que te orienta, não o teu querer. É o teu não querer que te pesa!...
Mas é tudo tão bonito, papá.
Só é bonito o que te cabe no olhar. E deves ter olhar para cada um dos teus dias. O rio não desagua todo de uma vez no Mar...
Está bem papá vou pintar um dia de cada vez…mas à noite posso sonhar não posso ?

04 maio 2005

desenhar uma semente

Tracei uma linha contínua, não lhe sei início, nem fim.
É um retrato.
O teu, com reflexos de azuis-noite-em-dia-de-brisa-suave-e-estrelas-navegantes.
Pintei-o, como quem se enche de universo e fiquei sentado ver-te partir…
Há cores assim que nascem pequeninas e tomam o tamanho inteiro de um destino…
É um retrato.
O teu…
Meu, só o maravilhar de te ver Ir com a suavidade de uma gaivota que abraça o mar…

03 maio 2005

conversas sérias com a papoila que acordou num dia que não devia ser o dela

Queria tanto ser uma árvore…
Ouvi ao longe numa espécie de choro cristalino. Olhei mas não vi de onde...
Estás a ouvir-me? Queria tanto ser um árvore, mesmo que seja uma das pequeninas…
Oiço, sim, mas repito-me, não te vejo…Eu sei que tenho andado distraído com as minhas pontes, com as minhas viagens, com os meus cansaços, mas na verdade só te oiço, estás longe do meu olhar…
Estou aqui, em baixo, sou a tua papoila…

Mas porque razão queres ser árvore?
Queria tanto ver coisas outras…e ter o tempo todo de uma árvore…
Ensandeceste! E a cor? A cor de papoila? Que fazias à tua cor de papoila, à tua delicadeza de seres quase seda, a de seres a primeira flor dada a uma mãe, a de seres a primeira flor dada com amor? Ninguém agarra numa árvore e a oferece pintada de papoila! Por ventura já gastaste o teu Tempo? Que eu saiba renasces todo o ano, em sítios diferentes…viajas com o tempo e na terra que te dá a cor. Essa cor é só para ti. Esta árvore que te dá sombra come da mesma terra que tu, e não se pinta de papoila, pinta-se de árvore…
Deixa-me sozinha, sim…continua distraído com as tuas pontes e deixa-me com o meu sonho…
Mas deves viver o teu sonho, não deixes é de te viver papoila!

01 maio 2005

pianos...vivos

Nunca tinha desenhado um palhaço apaixonado por um piano, abraçado entre os brancos-negros da melodia e o colorido do seu olhar...
De trompete, de violino, de pandeiretas e tambores,
muitas,
de piano,
nenhuma.
Hoje saltou-me um, no desenho, mas não lhe dei nome...
Um palhaço não deve ter nome.
Uns tiveram, Pierrot , Arlequim, mas esses não eram bem palhaços eram poetas, palhaços foram só as imitações que se teatralizavam em gestos premeditados do rir .
O meu não tem nome, é inimitável…

não uso tempos, nem agendas ou instrumentos outros que meçam pedaços do existir. é jeito meu. por isso passar de um ano para o outro é cousa...