Caí em abismo, nos sons de África, a cavalo numa trovoada que me “tempestou” a noite em sonho escondido do Eu.
Batuque
longo
no fundo da noite,
feiticeira monge,
num
tuque
tuque
que foge
se tinge,
em sangue de sangue
ao longe,
Espreitei a magia que me abraça em cores-de-terra-memória, com o desejo de me esfumar lento-longe nos seu horizonte.
Finjo-me vento,
sinto-me terra.
Vermelha-de-dor a evaporar-se em Vidas.
Formigas.
Caí em abismo,
desamparado,
estilhaçado em relâmpago perdido na noite que não foi dia,
foi “cousa” rasgada, ferida…
11 maio 2005
10 maio 2005
inaptidão
Saí cedo para a escola, ia com o ver à frente dos passos, pejado de importância e de sentido.
Era o meu primeiro dia.
Razão havia que transbordasse, afinal ia aprender a falar com o vento.
Triste ilusão, não estava habilitado!
Disse-me o Mestre, num s-o-l-e-t-r-a-r vagaroso , que sou muito novo, para a aprendizagem de talha tão complicada. Primeiro tenho que saber falar com os pássaros (afinal os pássaros voam , não por ter asas, mas por saberem falar como vento, os malandros…), só depois estou apto para o estágio . Mesmo assim, não garante, disse-me, porque o ideal mesmo, era saber pintar a linguagem das nuvens…
Era o meu primeiro dia.
Razão havia que transbordasse, afinal ia aprender a falar com o vento.
Triste ilusão, não estava habilitado!
Disse-me o Mestre, num s-o-l-e-t-r-a-r vagaroso , que sou muito novo, para a aprendizagem de talha tão complicada. Primeiro tenho que saber falar com os pássaros (afinal os pássaros voam , não por ter asas, mas por saberem falar como vento, os malandros…), só depois estou apto para o estágio . Mesmo assim, não garante, disse-me, porque o ideal mesmo, era saber pintar a linguagem das nuvens…
09 maio 2005
pinturas
Esta noite , num cantinho da noite, choveram lágrimas de polén e o dia acordou pintado de borboletas bailarinas…
08 maio 2005
coisas de amor
Aviso desde já,
conhecidos, e outros,
anjos e anjas,
incautos ou pensadores
que quem escreveu o que se segue não percebe nada do assunto,
não é teoria,
nem verdade inteira,
nem tão pouco pedaço dela.
Não peçam explicações nem desenho.
Explicação para o sentir não há e o desenho é difícil, como sério, é pintar uma lágrima cristalina de mil reflexos, cada um com cor diferente, e ao pintor só lhe ensinaram sete,
não mil.
escreveu-se, o sentir assim ( o tal do aviso):
“Não entendo porque é que a pessoa a quem se DÁ amor (só mesmo um humano, tem este tipo de problema existencial, todo o resto da existência é muito menos complexa no sentir), só se satisfaz se ouvir dito ou escrito (mas sobretudo dito, vezes muitas) AMO-TE!"
Não entendo!
O amor não está na palavra, transborda nos gestos e no olhar…
conhecidos, e outros,
anjos e anjas,
incautos ou pensadores
que quem escreveu o que se segue não percebe nada do assunto,
não é teoria,
nem verdade inteira,
nem tão pouco pedaço dela.
Não peçam explicações nem desenho.
Explicação para o sentir não há e o desenho é difícil, como sério, é pintar uma lágrima cristalina de mil reflexos, cada um com cor diferente, e ao pintor só lhe ensinaram sete,
não mil.
escreveu-se, o sentir assim ( o tal do aviso):
“Não entendo porque é que a pessoa a quem se DÁ amor (só mesmo um humano, tem este tipo de problema existencial, todo o resto da existência é muito menos complexa no sentir), só se satisfaz se ouvir dito ou escrito (mas sobretudo dito, vezes muitas) AMO-TE!"
Não entendo!
O amor não está na palavra, transborda nos gestos e no olhar…
07 maio 2005
(des) encontros ou uma viagem à essência das coisas
Encontrei um menino, que não via desde que dei um pulo no país do desenho, onde se pensa e sente sem ordem de prioridades. Este, sempre foi especial e anacrónico, talvez por ter existência de índio e cabelos azuis-noite-prateados-de-lua ( e que me conste nunca andei por terras de índio). Passeava-se com olhares de quem procura um lugar esquecido. Tinha nome de olhar, Olhos-de-colibri, porque se perdia nas cores das flores e falava com elas, sempre apaixonado por cada uma. Deu-me um olá indiferente e seguiu na procura. Desapareceu na aguarela, esbatido nos azuis de um céu que nasceu já pintado. Não o via há muito tempo, porque há muito que não tinha um instante destes, de viver noutro espaço, ausente do corpo e da existência que nos contornam o VER, como uma aguarela que é cor e agua e tem a serenidade da sabedoria de ser poesia sem palavra, nem desenho…
05 maio 2005
dúvidas...de peso...
Papá, Papá diz-me, porque me pesam tanto os olhos, porque me dói tanto o andar?
Porque, o que não quiseste ver e os passos que não quiseste dar te pesam e te prendem…E não quiseste porque te distraíste com o Todo . Ninguém consegue carregar com o Todo em vez só, o todo constrói-se!
Mas papá , estou tão cansado! Só me apetece fechar os olhos e sentar-me no escuro. Estou tão cansado Papá...
Se olhares para uma formiga perceberás que cada uma leva um grão de cada vez. Estás cansado porque queres agarrar tudo com o olhar, num só dia. Assim perdes quase tudo. Deves ser inteiro, como cada dia é inteiro, só assim consegues ser sempre tu em cada dia que te olha e te caminha no Ver. Por isso fechas os olhos, por isso páras de caminhar, assim é o teu não querer que te orienta, não o teu querer. É o teu não querer que te pesa!...
Mas é tudo tão bonito, papá.
Só é bonito o que te cabe no olhar. E deves ter olhar para cada um dos teus dias. O rio não desagua todo de uma vez no Mar...
Está bem papá vou pintar um dia de cada vez…mas à noite posso sonhar não posso ?
Porque, o que não quiseste ver e os passos que não quiseste dar te pesam e te prendem…E não quiseste porque te distraíste com o Todo . Ninguém consegue carregar com o Todo em vez só, o todo constrói-se!
Mas papá , estou tão cansado! Só me apetece fechar os olhos e sentar-me no escuro. Estou tão cansado Papá...
Se olhares para uma formiga perceberás que cada uma leva um grão de cada vez. Estás cansado porque queres agarrar tudo com o olhar, num só dia. Assim perdes quase tudo. Deves ser inteiro, como cada dia é inteiro, só assim consegues ser sempre tu em cada dia que te olha e te caminha no Ver. Por isso fechas os olhos, por isso páras de caminhar, assim é o teu não querer que te orienta, não o teu querer. É o teu não querer que te pesa!...
Mas é tudo tão bonito, papá.
Só é bonito o que te cabe no olhar. E deves ter olhar para cada um dos teus dias. O rio não desagua todo de uma vez no Mar...
Está bem papá vou pintar um dia de cada vez…mas à noite posso sonhar não posso ?
04 maio 2005
desenhar uma semente
Tracei uma linha contínua, não lhe sei início, nem fim.
É um retrato.
O teu, com reflexos de azuis-noite-em-dia-de-brisa-suave-e-estrelas-navegantes.
Pintei-o, como quem se enche de universo e fiquei sentado ver-te partir…
Há cores assim que nascem pequeninas e tomam o tamanho inteiro de um destino…
É um retrato.
O teu…
Meu, só o maravilhar de te ver Ir com a suavidade de uma gaivota que abraça o mar…
É um retrato.
O teu, com reflexos de azuis-noite-em-dia-de-brisa-suave-e-estrelas-navegantes.
Pintei-o, como quem se enche de universo e fiquei sentado ver-te partir…
Há cores assim que nascem pequeninas e tomam o tamanho inteiro de um destino…
É um retrato.
O teu…
Meu, só o maravilhar de te ver Ir com a suavidade de uma gaivota que abraça o mar…
Subscrever:
Mensagens (Atom)
não uso tempos, nem agendas ou instrumentos outros que meçam pedaços do existir. é jeito meu. por isso passar de um ano para o outro é cousa...
-
A tarde cansou-se de me esperar e foi por aí, sem saudades à aventura, sozinha. As tardes são coisas estranhas ( os dias, as noites, também,...
-
Vou fazer uma pausa. Cousa necessária em alturas de Presépio. É época de caminho. É por aí que vou, sem demoras que é viagem por dentro… Um...
-
escureceu uma brancura-de-nevoeiro, onde nem os passos se sentem. hesitantes. medrosos…( ou como é sempre necessário luz outra, quando nos p...