O céu caiu!
Todo!
Desamparado,
desarrumado.
Desprendeu-se dos azuis e tombou trôpego-cinzento, pesado como um cobertor-de-papa-molhado-das-lágrimas-da-nascente-do-Nilo …
Eh! Oh de cima, então?
Vá de içar isto, que coisa assim não é de baixo é de cima!
Vá Iça!
Isso!
Devagar…
Alto! Mais à direita…sim…mais um pouco...ÔH!
Iça!
Iça!
Isso!
Como andam distraídos, vai uma pessoa a passar e pimba!
Chiça!
16 maio 2005
15 maio 2005
isto hoje não é para ler
A Lua nasceu de pernas para o ar.
Fiquei a vê-la, parado, a derreter-me extasiado em tentativas de desenhar o visto e a ouvi-la rir-se de mim em gargalhadas trovelescas ( burlescas?)…
Pode rir-se à vontade, mas desenhar a Lua de pernas para o ar é cousa importante e ÚNICA!
Sempre pensei que AZUL era AZUL, AMARELO, AMARELO, mas VER, AZUL ou cor qualquer de pernas para o ar é cousa SURREALISTA!
Vou telefonar ao Cesarini e pintar uma fonte, fiquei cheio de sede de me interrogar sem olhar resposta...
Nota: a alusão a Mário Cesariny ( quasi me esquecia do y ), não tem autorização do autor , mas fica a imagem ou o sentir de uma conversa de surdos, porque afinal de contas está tudo virado de pernas para o ar...só a fonte, dá vida e corre para o mar...
Fiquei a vê-la, parado, a derreter-me extasiado em tentativas de desenhar o visto e a ouvi-la rir-se de mim em gargalhadas trovelescas ( burlescas?)…
Pode rir-se à vontade, mas desenhar a Lua de pernas para o ar é cousa importante e ÚNICA!
Sempre pensei que AZUL era AZUL, AMARELO, AMARELO, mas VER, AZUL ou cor qualquer de pernas para o ar é cousa SURREALISTA!
Vou telefonar ao Cesarini e pintar uma fonte, fiquei cheio de sede de me interrogar sem olhar resposta...
Nota: a alusão a Mário Cesariny ( quasi me esquecia do y ), não tem autorização do autor , mas fica a imagem ou o sentir de uma conversa de surdos, porque afinal de contas está tudo virado de pernas para o ar...só a fonte, dá vida e corre para o mar...
14 maio 2005
traz todas as tuas tintas, não escolhas nenhuma e deixa o sentir pintar-te
Queria tanto desenhar,
letra
por
letra,
toda a poesia que se pinta-de-olhares na minha estante-inclinada, gravada no sentir por linhas finas,
fundas,
como que pendurada no estendal a dançar,
colorida
qual folha de Outono a pingar da árvore, desprendida…
Ah, isto de se querer mais do que a vida é um desencontro ininterrupto, sem tamanho que cabe inteiro na contradição de estarmos presos no tempo em voares de colibri...
letra
por
letra,
toda a poesia que se pinta-de-olhares na minha estante-inclinada, gravada no sentir por linhas finas,
fundas,
como que pendurada no estendal a dançar,
colorida
qual folha de Outono a pingar da árvore, desprendida…
Ah, isto de se querer mais do que a vida é um desencontro ininterrupto, sem tamanho que cabe inteiro na contradição de estarmos presos no tempo em voares de colibri...
13 maio 2005
quando as minhas lágrimas ( também elas), choram
As lágrimas ausentam-se de mim,
uma
a
uma,
gotas de tempo
sem espaço.
No rosto,
laminas frias de aço,
uma
e
uma,
todas,
num mar de sargaço
sem fim …
Aguada de cor,
pintada na dor,
sem abraço.
Rio sem destino
nem memória,
gaivota ferida,
caída,
assim
no branco-cal,
em folha que escrevi,
sem história.
Ver que não vivi,
desenho-te,
esboço
de
risco fosco,
sinal-sombra em mar acido…
Fel
que
tomba
na
pele
que tece
e arde
no sal
que desaparece
em mim…
uma
a
uma,
gotas de tempo
sem espaço.
No rosto,
laminas frias de aço,
uma
e
uma,
todas,
num mar de sargaço
sem fim …
Aguada de cor,
pintada na dor,
sem abraço.
Rio sem destino
nem memória,
gaivota ferida,
caída,
assim
no branco-cal,
em folha que escrevi,
sem história.
Ver que não vivi,
desenho-te,
esboço
de
risco fosco,
sinal-sombra em mar acido…
Fel
que
tomba
na
pele
que tece
e arde
no sal
que desaparece
em mim…
12 maio 2005
aveiro, hoje
É dia da cidade.
De festa.
Dia de Joana.
Santa.
Tocam os sinos, a fanfarra…
Há perfume a pipocas,
algodão,
foguetes.
Discursos aqui,
ali,
com sentido e não
palmas ali,
aqui,
sentidas,
ou sem emoção,
joguetes...
É dia de festa,
de cores,
procissão.
Pandeiretas,
pandas,
como velas,
ao vento…
Afasto-me,
lento.
Sou moliceiro navegante,
enfunado de levante,
barco perdido,
distante,
ao relento..
De festa.
Dia de Joana.
Santa.
Tocam os sinos, a fanfarra…
Há perfume a pipocas,
algodão,
foguetes.
Discursos aqui,
ali,
com sentido e não
palmas ali,
aqui,
sentidas,
ou sem emoção,
joguetes...
É dia de festa,
de cores,
procissão.
Pandeiretas,
pandas,
como velas,
ao vento…
Afasto-me,
lento.
Sou moliceiro navegante,
enfunado de levante,
barco perdido,
distante,
ao relento..
11 maio 2005
terras de memórias
Caí em abismo, nos sons de África, a cavalo numa trovoada que me “tempestou” a noite em sonho escondido do Eu.
Batuque
longo
no fundo da noite,
feiticeira monge,
num
tuque
tuque
que foge
se tinge,
em sangue de sangue
ao longe,
Espreitei a magia que me abraça em cores-de-terra-memória, com o desejo de me esfumar lento-longe nos seu horizonte.
Finjo-me vento,
sinto-me terra.
Vermelha-de-dor a evaporar-se em Vidas.
Formigas.
Caí em abismo,
desamparado,
estilhaçado em relâmpago perdido na noite que não foi dia,
foi “cousa” rasgada, ferida…
Batuque
longo
no fundo da noite,
feiticeira monge,
num
tuque
tuque
que foge
se tinge,
em sangue de sangue
ao longe,
Espreitei a magia que me abraça em cores-de-terra-memória, com o desejo de me esfumar lento-longe nos seu horizonte.
Finjo-me vento,
sinto-me terra.
Vermelha-de-dor a evaporar-se em Vidas.
Formigas.
Caí em abismo,
desamparado,
estilhaçado em relâmpago perdido na noite que não foi dia,
foi “cousa” rasgada, ferida…
10 maio 2005
inaptidão
Saí cedo para a escola, ia com o ver à frente dos passos, pejado de importância e de sentido.
Era o meu primeiro dia.
Razão havia que transbordasse, afinal ia aprender a falar com o vento.
Triste ilusão, não estava habilitado!
Disse-me o Mestre, num s-o-l-e-t-r-a-r vagaroso , que sou muito novo, para a aprendizagem de talha tão complicada. Primeiro tenho que saber falar com os pássaros (afinal os pássaros voam , não por ter asas, mas por saberem falar como vento, os malandros…), só depois estou apto para o estágio . Mesmo assim, não garante, disse-me, porque o ideal mesmo, era saber pintar a linguagem das nuvens…
Era o meu primeiro dia.
Razão havia que transbordasse, afinal ia aprender a falar com o vento.
Triste ilusão, não estava habilitado!
Disse-me o Mestre, num s-o-l-e-t-r-a-r vagaroso , que sou muito novo, para a aprendizagem de talha tão complicada. Primeiro tenho que saber falar com os pássaros (afinal os pássaros voam , não por ter asas, mas por saberem falar como vento, os malandros…), só depois estou apto para o estágio . Mesmo assim, não garante, disse-me, porque o ideal mesmo, era saber pintar a linguagem das nuvens…
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