23 maio 2005

silêncios

Pintei o silêncio a pó-de-giz.
Negro.
Fragmentado.
Há silêncios que se colam à pele como o nevoeiro-de-áfrica, denso, pesado e ferem a alma com uma lámina-sabre. Carniceira!
Despedaçam-nos, vivos-sangue sem uma única lágrima no olhar e um desprezo INTEIRO…

No entanto vou,
cego,
numa planura disfarçada de horizonte,
ébrio de VER…

22 maio 2005

puzzle do eu

Se estás incompleto, só existes nas partes…
Procura-te nos fragmentos e soma-te no UM…

In “ apontamentos para um manual da serenidade” ou como há dias em que o importante é encontrarmos pedaços do Eu, reconhecidamente nossos e não perdermos tempo em dizer-lhes “ sejas bem vindo”…

21 maio 2005

queda(s)

A Vida é uma espécie de QUEDA inconstante, em permanente transmutação e que finge fugir da Morte…

Levanta-te!
Dá um passo!
UM!

Fizeste FUTURO!

20 maio 2005

19 maio 2005

bancos-de-jardim

Espalhei passos (meus) em acasos de fim-de-tarde, cansado, em Jardim-Pintado-de-Novidade (com salpicos-coloridos, a espreitar os verdes e a murmurarem conversas soltas como só eles, o vento e os poetas-pintores entendem e sabem).
Sentei-me em Banco-de-Jardim.
Branco-Pedra.
Frio.
Os bancos de jardim, mesmo novos ( como este que me abraçou o olhar e o cansaço) são ouvintes, ao acaso, nos ocasos dos destinos que soluçam, engasgados, os desencontros da vida, num jogo de dados ou de cartas, ou em jogo nenhum, porque a solidão afinal não o é (jogo), é sim uma pergunta contínua que joga à escondida com a resposta. ( desculpem, os que têm o azar de se passear nestes labirintos escritos, mas quando nos paramos, mesmo sentados, o pensar não pára e confunde-se na inércia do existir).
Sentei-me.
Repito...
Cansado (ainda) no banco-branco do jardim…

Os bancos dos jardins, mesmo os de pedra, novos, são desenhadores de rugas…

As rugas escorregam-se quando nos sentamos nos bancos dos jardins a olhar o horizonte que nos passou no Ver quando não nos sentávamos, cansados, nos bancos de Jardim…

18 maio 2005

engano(s)

Recortei, as minhas sombras, uma a uma com tesoura e bisturi.
D e s c o l e i – a s .
Não me sabia tantas !
Entornei-lhes transparências e joguei-as no mar (sempre tiveram tendências navegantes, estas "alter-sombras")…
Olhei-as, sopradas pelas ondas e imaginei no desenho, uma nuvem de gaivotas a segui-las em manto-branco-trompetista, até ao horizonte, mas não vi nenhuma gaivota, nem mesmo no longe…devo-me ter enganado nas sombras…

17 maio 2005

interlúdio poetico

A Cláudia , capitão Mantras do Nautilus vai dizer poesia ( como só ela sabe), dita com o olhar no , dia 21 de Maio, pelas 18 horas, na Fnac do NorteShopping, no lançamento do livro de poesia A NUVEM PRATEADA DAS PESSOAS GRAVES, de RUI COSTA , das Quasi Edições.
Apareçam, porque tenho a certeza de que vão gostar muito do livro e da forma ouvida em que se transforma a poesia sentida pela Cláudia.




também podem aparecer em Aveiro no próximo dia 25 ás 21,30 na Feira do Livro

não uso tempos, nem agendas ou instrumentos outros que meçam pedaços do existir. é jeito meu. por isso passar de um ano para o outro é cousa...