24 maio 2005

de pernas para o ar

Nasci ao contrário ( com os olhos a fugir para dentro, numa tentativa vã de não existir na Luz).
Todos o sabem?
Não! Não todos, a mãe sabe, eu também, disse-o ela em grito de parto engasgado. Cansada.
Talvez por isso me sinta bem no Ver que se desenha no olhar, de pernas para o ar…
Só assim entendo e descodifico o Ser-Me…o resto do Todo, é artificial, articulado no Ver-em-câmara-escura ( sei eu e todos que na câmara escura a imagem anda por ali em bolandas de pernas para o ar para ser vista)
Eu vejo o sentir em fenómeno óptico…tudo de pernas para o ar, sem câmara escura…

23 maio 2005

A quem vai tendo a paciência de me ler fica o aviso que retirei a possibilidade de comentários em todos os espaços que criei…
Por cobardia,
dirão uns...
aceito ( digo eu, com a convicção que me assiste),
censura? Sim, assumidamente,
mas a verdade é que não me sinto com vontade nem disposição para receber insultos.
Que me inventem o EU, não quero saber. Não me interessa. Que o façam noutros espaços, é direito vosso, também não me interessa, mas não o permitirei que o façam neste espaço.
Este espaço, e os outros em que me escrevo ou pinto foram criados com um enorme prazer e existirão até ao momento em que me derem prazer.
É um direito meu.
Sou como sou, tenho sobretudo defeitos, por isso me isolo, por isso escrevo na minha solidão, no meu canto.
Fica um obrigado a todos os que me foram comentando, esperando que entendam que não tenho outra intenção que a de conseguir continuar a rever-me neste espaço, como meu, como reflexo do meu olhar e que só o conseguirei fazer se para tal tiver vontade.

silêncios

Pintei o silêncio a pó-de-giz.
Negro.
Fragmentado.
Há silêncios que se colam à pele como o nevoeiro-de-áfrica, denso, pesado e ferem a alma com uma lámina-sabre. Carniceira!
Despedaçam-nos, vivos-sangue sem uma única lágrima no olhar e um desprezo INTEIRO…

No entanto vou,
cego,
numa planura disfarçada de horizonte,
ébrio de VER…

22 maio 2005

puzzle do eu

Se estás incompleto, só existes nas partes…
Procura-te nos fragmentos e soma-te no UM…

In “ apontamentos para um manual da serenidade” ou como há dias em que o importante é encontrarmos pedaços do Eu, reconhecidamente nossos e não perdermos tempo em dizer-lhes “ sejas bem vindo”…

21 maio 2005

queda(s)

A Vida é uma espécie de QUEDA inconstante, em permanente transmutação e que finge fugir da Morte…

Levanta-te!
Dá um passo!
UM!

Fizeste FUTURO!

20 maio 2005

19 maio 2005

bancos-de-jardim

Espalhei passos (meus) em acasos de fim-de-tarde, cansado, em Jardim-Pintado-de-Novidade (com salpicos-coloridos, a espreitar os verdes e a murmurarem conversas soltas como só eles, o vento e os poetas-pintores entendem e sabem).
Sentei-me em Banco-de-Jardim.
Branco-Pedra.
Frio.
Os bancos de jardim, mesmo novos ( como este que me abraçou o olhar e o cansaço) são ouvintes, ao acaso, nos ocasos dos destinos que soluçam, engasgados, os desencontros da vida, num jogo de dados ou de cartas, ou em jogo nenhum, porque a solidão afinal não o é (jogo), é sim uma pergunta contínua que joga à escondida com a resposta. ( desculpem, os que têm o azar de se passear nestes labirintos escritos, mas quando nos paramos, mesmo sentados, o pensar não pára e confunde-se na inércia do existir).
Sentei-me.
Repito...
Cansado (ainda) no banco-branco do jardim…

Os bancos dos jardins, mesmo os de pedra, novos, são desenhadores de rugas…

As rugas escorregam-se quando nos sentamos nos bancos dos jardins a olhar o horizonte que nos passou no Ver quando não nos sentávamos, cansados, nos bancos de Jardim…

não uso tempos, nem agendas ou instrumentos outros que meçam pedaços do existir. é jeito meu. por isso passar de um ano para o outro é cousa...