Encontrei uma árvore que se espreguiçava em mil-braços-de-palhaço-aposentado, espécie rara, porque pastora, guardiã de pássaros-folha…
Tinha momentos de futuros e sorrisos, porque quando os seus pássaros voavam, transformava-se em nuvem.
Gostava de viajar, esta arvore-de-babel de cores muitas e mil cantares…
Descansou na minha sombra…tinha cousas para me contar…sabes, disse-me em sinceridades, já percorri o Mundo, levantada pelos meus pássaros, mas tenho saudades da Terra, estou cansada de me levarem. Perdi raízes. Sequei-me nos sonhos e nas cores de um ir que não me coube no acaso. Tenho-me sede de árvore, de sentir o vento ir com afagos de carícias de penteares. Tenho saudade de sombra, de me passear na sombra em rodares de saia bailarina ao sabor da estrela, ao ritmo da luz. Tenho saudades dos meus passos…só me passeio em sombra…
Guarda os meus voares…quero sentir as minhas folhas
13 junho 2005
Eugénio
os poetas não morrem...
vão com as aves
caro Eugénio,
Dias há em que as palavras ficam presas entre o olhar e a garganta, agrilhoadas numa dor suave que não grita mas que nos perfura a alma...Estilhaçam-se, fragmentadas em lágrimas que já não existem, porque se choram, vazias.
Dias há em que os poetas partem nas nuvens, sem palavras, só com poesia…
um abraço,
zé
vão com as aves
caro Eugénio,
Dias há em que as palavras ficam presas entre o olhar e a garganta, agrilhoadas numa dor suave que não grita mas que nos perfura a alma...Estilhaçam-se, fragmentadas em lágrimas que já não existem, porque se choram, vazias.
Dias há em que os poetas partem nas nuvens, sem palavras, só com poesia…
um abraço,
zé
12 junho 2005
as cores que o escuro esconde
A noite levou-me nos desdormires como se todas as inquietudes se concentrassem em ebulições descontroladas do existir e só coubessem fora de mim.
Levantei-me e fui com ela à procura do escuro ...
09 junho 2005
mimicas esquecidas
A cidade-grande vestiu-se de violetas-fortes.
Parecia uma cidade a retirar o luto, com quase-sorrisos-coloridos escondidos entre muros e paredes de casas que me desconheceram os passos.
Senti-me visitante-intruso nas ruas que se esqueceram de mim…
Tentei guardar o sentir dos violetas-fortes ( com todo o brilho que uma cor nova tem, sem águas), mas estavam presos ás árvores e nem elas me falaram com mímicas de ventos…
Tenho que as percorrer mais vezes, talvez assim elas ( árvores e ruas ) se recordem de abraços e histórias antigas que trocávamos com o olhar.
Parecia uma cidade a retirar o luto, com quase-sorrisos-coloridos escondidos entre muros e paredes de casas que me desconheceram os passos.
Senti-me visitante-intruso nas ruas que se esqueceram de mim…
Tentei guardar o sentir dos violetas-fortes ( com todo o brilho que uma cor nova tem, sem águas), mas estavam presos ás árvores e nem elas me falaram com mímicas de ventos…
Tenho que as percorrer mais vezes, talvez assim elas ( árvores e ruas ) se recordem de abraços e histórias antigas que trocávamos com o olhar.
08 junho 2005
07 junho 2005
os meus lápis
Hoje não desenhei, não encontrei os meus lápis de cor. Saltitaram todos, em viagem que não sei. Fazem-me falta, os lápis, porque as cores, tenho-as sempre, mesmo no escuro…principalmente no escuro. É no negro ( com ou sem sombras) que lhes dou o contorno do sentir e este só é intenso quando me cego.
Mas são os lápis que me brincam e me jogam a vida.
Os meus lápis não têm embalagem, por isso nunca os afio. Eles gostam de se empoeirar nos meus dedos ( é a nossa intimidade, os nossos sussurros, reduzidos ao mais simples, ao elemento, ao pó). A espessura do traço é com eles. Por isso gosto do desenho, ando sempre a adivinhar a forma e o peso do sentir. Todos os meus lápis me são pele por isso não ouso usar borracha...
São uma enorme responsabilidade, ter lápis que se alimentam do meu sentir. Vezes há, que me fogem e eu fico a perguntar-me se foram desenhar sozinhos a história que me descobriram nos dedos...
Quando conseguir decidir-me no nome que hei-de dar a cada um, deixo-os partir sem me interrogar…
Mas são os lápis que me brincam e me jogam a vida.
Os meus lápis não têm embalagem, por isso nunca os afio. Eles gostam de se empoeirar nos meus dedos ( é a nossa intimidade, os nossos sussurros, reduzidos ao mais simples, ao elemento, ao pó). A espessura do traço é com eles. Por isso gosto do desenho, ando sempre a adivinhar a forma e o peso do sentir. Todos os meus lápis me são pele por isso não ouso usar borracha...
São uma enorme responsabilidade, ter lápis que se alimentam do meu sentir. Vezes há, que me fogem e eu fico a perguntar-me se foram desenhar sozinhos a história que me descobriram nos dedos...
Quando conseguir decidir-me no nome que hei-de dar a cada um, deixo-os partir sem me interrogar…
06 junho 2005
mão
Abri a mão e tentei lembranças sobre as linhas que lhe gravaram os caminhos que a dobra.
Sorri…
Estão lá todas, as de menino e as outras.
Posso fazer o desenho!
De uma, a outra está ocupada com as cores que os olhos lhe dizem…
Sorri…
Estão lá todas, as de menino e as outras.
Posso fazer o desenho!
De uma, a outra está ocupada com as cores que os olhos lhe dizem…
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