15 junho 2005

Mestre


Não nos deixaste,
ficaste inteiro no VER,
na invenção dos dias claros que se escreveram no desenho com todas as cores da HUMANIDADE…

Somos orpheus de ti

há 35 anos(*) eu era criança , tu….também…

(*) anos da morte de José Almada Negreiros

a forma de uma intimidade

Não sei em que pedaço
do espaço
que
me
abraça,
encontre a suavidade
de
uma
intimidade…
( aquela coisa estranha que nos aquece até ao (des)fim …),
se em gota de sal,
pingada num sorriso,
se em seio,
desenhado,
visto,
de mulher,
desvestida no baloiço da brisa,
ou em orvalho de rosa,
flor,
perdida,
na cor…
Não sei em que forma de lágrima,
ou em que forma,
procure…
Seja ela o que for,
molde,
pintura
risco,
escultura,
esboço,
sonho,
delírio,
loucura,
apenas nuvem,
ou amor,
que surja
do
aqui
ou
do
além…
mas que seja intima.
Sem dor…

14 junho 2005

coisas simples

O sonho mais simples de um homem, é dizer "amanhã" com um enorme sorriso no olhar...os outros são muito mais complexos (não nos cabem no corpo*)...têm por inteiro toda a emoção do Universo!


(*) o que nos cabe no corpo inclui até onde o olhar nos leva...

13 junho 2005

os passeios de uma árvore

Encontrei uma árvore que se espreguiçava em mil-braços-de-palhaço-aposentado, espécie rara, porque pastora, guardiã de pássaros-folha…
Tinha momentos de futuros e sorrisos, porque quando os seus pássaros voavam, transformava-se em nuvem.
Gostava de viajar, esta arvore-de-babel de cores muitas e mil cantares…
Descansou na minha sombra…tinha cousas para me contar…sabes, disse-me em sinceridades, já percorri o Mundo, levantada pelos meus pássaros, mas tenho saudades da Terra, estou cansada de me levarem. Perdi raízes. Sequei-me nos sonhos e nas cores de um ir que não me coube no acaso. Tenho-me sede de árvore, de sentir o vento ir com afagos de carícias de penteares. Tenho saudade de sombra, de me passear na sombra em rodares de saia bailarina ao sabor da estrela, ao ritmo da luz. Tenho saudades dos meus passos…só me passeio em sombra…
Guarda os meus voares…quero sentir as minhas folhas

Eugénio

os poetas não morrem...
vão com as aves


caro Eugénio,

Dias há em que as palavras ficam presas entre o olhar e a garganta, agrilhoadas numa dor suave que não grita mas que nos perfura a alma...Estilhaçam-se, fragmentadas em lágrimas que já não existem, porque se choram, vazias.
Dias há em que os poetas partem nas nuvens, sem palavras, só com poesia…
um abraço,

12 junho 2005

as cores que o escuro esconde

A noite levou-me nos desdormires como se todas as inquietudes se concentrassem em ebulições descontroladas do existir e só coubessem fora de mim.
Levantei-me e fui com ela à procura do escuro ...

09 junho 2005

mimicas esquecidas

A cidade-grande vestiu-se de violetas-fortes.
Parecia uma cidade a retirar o luto, com quase-sorrisos-coloridos escondidos entre muros e paredes de casas que me desconheceram os passos.
Senti-me visitante-intruso nas ruas que se esqueceram de mim…
Tentei guardar o sentir dos violetas-fortes ( com todo o brilho que uma cor nova tem, sem águas), mas estavam presos ás árvores e nem elas me falaram com mímicas de ventos…
Tenho que as percorrer mais vezes, talvez assim elas ( árvores e ruas ) se recordem de abraços e histórias antigas que trocávamos com o olhar.

não uso tempos, nem agendas ou instrumentos outros que meçam pedaços do existir. é jeito meu. por isso passar de um ano para o outro é cousa...