22 junho 2005

dimensões

O infinito,
tem,
entre outros,
dois tamanhos e um é MAIOR que o outro…
Não há infinito como o de uma criança…
Quando crescemos, ele encolhe, mingua, nos filtros que usamos no abuso de o olharmos por dentro, o nosso infinito passa a ter o tamanho do nosso “por dentro”…
Só o infinito de uma criança salta dos olhos…e é esse salto que o transforma em ENORME

21 junho 2005

na corda de um peão


Desenhei a fantasia,
numa flor…
Pintei-a de cor,
de uma cor…

Uma.

Só.

Musiquei-me a ouvi-la,
(nos
pingos
que pingam
o
tempo,
e
as
esperanças
),
todas as histórias,
que
ela
tinha,
nas
lembranças,
mais
os segredos
que
não
dizia
a
quem não lhe soubesse
a
dor,,,
Eu,
sabia,
desenhei
a
fantasia
num dia
de
sombras-vazias,
nas
curvas
de
um
peão
que girava
sem
asas,
nas linhas
da minha vida.

17 junho 2005

história mal contada, ou como nem todas as histórias servem a uma criança

Tentei contar a uma criança que o céu, durante o dia tem mil e uma estrelas, não uma.
"Nem todas tinham nome, era certo, que a que se via, escondia as outras e quase nos cegava quando olhada, olhos nos olhos, era também verdade, mas elas estavam ali, como anjos a brilhar"…
Duvidou, o menino que me ouvia, com tanto desacreditar que tive que arregaçar as mangas, pegar em escadote e uma por uma , até mil, repintar todas as estrelas-anjo que se envergonhavam nos azuis claros do dia.
Não sei se foi por causa do Sol ter derretido todo o meu trabalho, ou por não ter escolhido os amarelos-brilho certos, o certo certo é que ouvi com todo o desdém , Isso é batota! Disse-o assim sem mais, com os dentes todos, poucos, mas todos, num sorriso de troça…
Não é nada batota, insisti com a imaginação toda aflita…
Voltei a subir a escada e furei o céu em mil e uma alfinetada a pedir-quase-reza, às sortes que acertasse em cada uma das estrelas que se divertiam escondidas de mim.
E agora? Perguntei sem abrir os olhos, tal era o meu desacreditar…
Estragas-te o céu todo! Vou dizer à minha Mãe! Vai-se esvaziar todo! Estúpido!
Fiquei a vê-lo ir em corrida de medo sem olhar para o atrás …
Só reabri os olhos à noitinha.
O céu estava todo divertido, às gargalhadas de luzes…

16 junho 2005

15 junho 2005

Mestre


Não nos deixaste,
ficaste inteiro no VER,
na invenção dos dias claros que se escreveram no desenho com todas as cores da HUMANIDADE…

Somos orpheus de ti

há 35 anos(*) eu era criança , tu….também…

(*) anos da morte de José Almada Negreiros

a forma de uma intimidade

Não sei em que pedaço
do espaço
que
me
abraça,
encontre a suavidade
de
uma
intimidade…
( aquela coisa estranha que nos aquece até ao (des)fim …),
se em gota de sal,
pingada num sorriso,
se em seio,
desenhado,
visto,
de mulher,
desvestida no baloiço da brisa,
ou em orvalho de rosa,
flor,
perdida,
na cor…
Não sei em que forma de lágrima,
ou em que forma,
procure…
Seja ela o que for,
molde,
pintura
risco,
escultura,
esboço,
sonho,
delírio,
loucura,
apenas nuvem,
ou amor,
que surja
do
aqui
ou
do
além…
mas que seja intima.
Sem dor…

14 junho 2005

coisas simples

O sonho mais simples de um homem, é dizer "amanhã" com um enorme sorriso no olhar...os outros são muito mais complexos (não nos cabem no corpo*)...têm por inteiro toda a emoção do Universo!


(*) o que nos cabe no corpo inclui até onde o olhar nos leva...

não uso tempos, nem agendas ou instrumentos outros que meçam pedaços do existir. é jeito meu. por isso passar de um ano para o outro é cousa...