25 junho 2005

irrequietudes de um caminho

Sempre que me aproximo do horizonte ele inquieta-se e transforma-se em montanha.
Só na distância da planura sinto o infinito de uma linha que me acalma em serenidades longínquas e me sinto em mim...
Quando me aproximo, quando saio de mim, tudo se agiganta em perguntas que se perdem sem resposta ...

In “ apontamentos para um manual da serenidade” ou como só te deves aproximar do horizonte se estiveres preparado para a subida, porque o teu horizonte, a linha que procuras, encontra-se para de lá da ilusão ...

24 junho 2005

um só nome...o nosso

Desenho o teu corpo de linha só, dos cabelos nasce a linha que te percorre os traços de mulher.
Tens um só traço,
um só nome,
Beijo-te os seios, em vento-seda-de-carícia,
sorris…
é como beijar a felicidade…

23 junho 2005

(em) sombra

Sento-me no Sol,
ensandecido,
queimado no desmim,
gota de um nada,
ferido
na
asa,
quebrada
num alar esquecido,
do fim…
Vou
no
que
sou
em voo,
sem
ali…
Ah, fosse eu Só,
sombra-oculta
na penumbra
de mim
e era vento-vela
no mar,
solto
do além
do aqui…

22 junho 2005

dimensões

O infinito,
tem,
entre outros,
dois tamanhos e um é MAIOR que o outro…
Não há infinito como o de uma criança…
Quando crescemos, ele encolhe, mingua, nos filtros que usamos no abuso de o olharmos por dentro, o nosso infinito passa a ter o tamanho do nosso “por dentro”…
Só o infinito de uma criança salta dos olhos…e é esse salto que o transforma em ENORME

21 junho 2005

na corda de um peão


Desenhei a fantasia,
numa flor…
Pintei-a de cor,
de uma cor…

Uma.

Só.

Musiquei-me a ouvi-la,
(nos
pingos
que pingam
o
tempo,
e
as
esperanças
),
todas as histórias,
que
ela
tinha,
nas
lembranças,
mais
os segredos
que
não
dizia
a
quem não lhe soubesse
a
dor,,,
Eu,
sabia,
desenhei
a
fantasia
num dia
de
sombras-vazias,
nas
curvas
de
um
peão
que girava
sem
asas,
nas linhas
da minha vida.

17 junho 2005

história mal contada, ou como nem todas as histórias servem a uma criança

Tentei contar a uma criança que o céu, durante o dia tem mil e uma estrelas, não uma.
"Nem todas tinham nome, era certo, que a que se via, escondia as outras e quase nos cegava quando olhada, olhos nos olhos, era também verdade, mas elas estavam ali, como anjos a brilhar"…
Duvidou, o menino que me ouvia, com tanto desacreditar que tive que arregaçar as mangas, pegar em escadote e uma por uma , até mil, repintar todas as estrelas-anjo que se envergonhavam nos azuis claros do dia.
Não sei se foi por causa do Sol ter derretido todo o meu trabalho, ou por não ter escolhido os amarelos-brilho certos, o certo certo é que ouvi com todo o desdém , Isso é batota! Disse-o assim sem mais, com os dentes todos, poucos, mas todos, num sorriso de troça…
Não é nada batota, insisti com a imaginação toda aflita…
Voltei a subir a escada e furei o céu em mil e uma alfinetada a pedir-quase-reza, às sortes que acertasse em cada uma das estrelas que se divertiam escondidas de mim.
E agora? Perguntei sem abrir os olhos, tal era o meu desacreditar…
Estragas-te o céu todo! Vou dizer à minha Mãe! Vai-se esvaziar todo! Estúpido!
Fiquei a vê-lo ir em corrida de medo sem olhar para o atrás …
Só reabri os olhos à noitinha.
O céu estava todo divertido, às gargalhadas de luzes…

16 junho 2005

não uso tempos, nem agendas ou instrumentos outros que meçam pedaços do existir. é jeito meu. por isso passar de um ano para o outro é cousa...