pinto, de lápis e cores de água.
suave ,
não vá o lápis revoltar-se.
os olhos do lápis partem-se em lágrimas se lhe transmito a dor disforme que me salta do ver.
aguarelo-me inteiro,
dessalinado,
em ossadas-andantes-na-negritude-do-sangue-fome.
não tenho ódios,
nem raivas,
nem palavras,
nem gritos,
sou indignação.
por inteiro.
afiado, como o lápis que me escreve,
sem poesia nem perdão.
pinto,
suave,
com o cuspo da ilusão.
parem o tempo!
já!
ah se desse, parava-o eu,
a cada segundo morre uma criança sem (a)deus .
parem o tempo já.
agora!
para que não morra a criança que ainda não nasceu…
já não grito.
já não choro.
sangro sal.
uivo ,
sou animal.
29 junho 2005
28 junho 2005
desencontros
Encontrei nuvem que me contou coisas que só o céu sabe. Disse-me assim sem vergonha e com escárnio que nos olha um a um e se põe a imaginar um desenho para cada qual. Disse (faladora dos diabos esta nuvem…) que me viu palhaço quando eu ainda era só coisa pequena, mas que agora estava disforme…
Estou à espera que te desenhes, sublinhou num sussurro arrogante e sem sorrisos.
Vou falar com outra nuvem…esta não tem imaginação nenhuma.
Estou à espera que te desenhes, sublinhou num sussurro arrogante e sem sorrisos.
Vou falar com outra nuvem…esta não tem imaginação nenhuma.
27 junho 2005
25 junho 2005
irrequietudes de um caminho
Sempre que me aproximo do horizonte ele inquieta-se e transforma-se em montanha.
Só na distância da planura sinto o infinito de uma linha que me acalma em serenidades longínquas e me sinto em mim...
Quando me aproximo, quando saio de mim, tudo se agiganta em perguntas que se perdem sem resposta ...
In “ apontamentos para um manual da serenidade” ou como só te deves aproximar do horizonte se estiveres preparado para a subida, porque o teu horizonte, a linha que procuras, encontra-se para de lá da ilusão ...
Só na distância da planura sinto o infinito de uma linha que me acalma em serenidades longínquas e me sinto em mim...
Quando me aproximo, quando saio de mim, tudo se agiganta em perguntas que se perdem sem resposta ...
In “ apontamentos para um manual da serenidade” ou como só te deves aproximar do horizonte se estiveres preparado para a subida, porque o teu horizonte, a linha que procuras, encontra-se para de lá da ilusão ...
24 junho 2005
um só nome...o nosso
Desenho o teu corpo de linha só, dos cabelos nasce a linha que te percorre os traços de mulher.
Tens um só traço,
um só nome,
Beijo-te os seios, em vento-seda-de-carícia,
sorris…
é como beijar a felicidade…
Tens um só traço,
um só nome,
Beijo-te os seios, em vento-seda-de-carícia,
sorris…
é como beijar a felicidade…
23 junho 2005
(em) sombra
Sento-me no Sol,
ensandecido,
queimado no desmim,
gota de um nada,
ferido
na
asa,
quebrada
num alar esquecido,
do fim…
Vou
no
que
sou
em voo,
sem
ali…
Ah, fosse eu Só,
sombra-oculta
na penumbra
de mim
e era vento-vela
no mar,
solto
do além
do aqui…
ensandecido,
queimado no desmim,
gota de um nada,
ferido
na
asa,
quebrada
num alar esquecido,
do fim…
Vou
no
que
sou
em voo,
sem
ali…
Ah, fosse eu Só,
sombra-oculta
na penumbra
de mim
e era vento-vela
no mar,
solto
do além
do aqui…
22 junho 2005
dimensões
O infinito,
tem,
entre outros,
dois tamanhos e um é MAIOR que o outro…
Não há infinito como o de uma criança…
Quando crescemos, ele encolhe, mingua, nos filtros que usamos no abuso de o olharmos por dentro, o nosso infinito passa a ter o tamanho do nosso “por dentro”…
Só o infinito de uma criança salta dos olhos…e é esse salto que o transforma em ENORME
tem,
entre outros,
dois tamanhos e um é MAIOR que o outro…
Não há infinito como o de uma criança…
Quando crescemos, ele encolhe, mingua, nos filtros que usamos no abuso de o olharmos por dentro, o nosso infinito passa a ter o tamanho do nosso “por dentro”…
Só o infinito de uma criança salta dos olhos…e é esse salto que o transforma em ENORME
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