Desenhei uma árvore pendurada no céu com as raízes abraçadas à lua…
Vesti-a de borboletas…
Eu,
em silhueta chinesa, a imitar estátuas,
tocava flauta-de-Pain, para encantar estrelas que bailavam quase cisnes,
quase fadas,
quase letras…
06 setembro 2005
05 setembro 2005
alísios
Irrequieto-me nos alísios de um dia quente que se esvai em gotículas dançarinas,
folheio a vida em soluços enleados numa aguarela cinza de sombras amarelas
e
o espelho finge-se de mim,
mas estou evaporado em silêncios que ecoam batuques-de-fogo e fumos-de-alma.
O dia esculpiu-se xistoso e o vento levou todas as cores num passeio sem retorno…
Há vozes ao longe…
Minhas.
Musicas e lamentos,
ladainhas antigas…
Só o barco me navega,
bailarino,
lento…
Já não sinto.
Inquieto-me e mergulho,
sozinho,
neste imenso vazio de um dia que se apressa mais que o vento,
sem história,
nem livro…
Só o desenho me lava,
e
leva
leve,
na ondulação das dunas,
desta linha deserta,
sem caminhos…
folheio a vida em soluços enleados numa aguarela cinza de sombras amarelas
e
o espelho finge-se de mim,
mas estou evaporado em silêncios que ecoam batuques-de-fogo e fumos-de-alma.
O dia esculpiu-se xistoso e o vento levou todas as cores num passeio sem retorno…
Há vozes ao longe…
Minhas.
Musicas e lamentos,
ladainhas antigas…
Só o barco me navega,
bailarino,
lento…
Já não sinto.
Inquieto-me e mergulho,
sozinho,
neste imenso vazio de um dia que se apressa mais que o vento,
sem história,
nem livro…
Só o desenho me lava,
e
leva
leve,
na ondulação das dunas,
desta linha deserta,
sem caminhos…
02 setembro 2005
no vermelho-sangue de terra que grita
A terra estremeceu,
soluçou gritos feiticeiros e emulou-se em desesperanças...
Asfixiou-se em respirares de fumos negros...
Lá,
onde o horizonte se azula,
o mar paralisou-se em tristezas e os navegares fantasmas deixaram de gerar ondas…
No fim,
o fogo suspendeu-se em queixumes de lágrimas secas e pairou impune nas nuvens sem sentidos,
nem ventos,
nem sombras,
nem destinos...
soluçou gritos feiticeiros e emulou-se em desesperanças...
Asfixiou-se em respirares de fumos negros...
Lá,
onde o horizonte se azula,
o mar paralisou-se em tristezas e os navegares fantasmas deixaram de gerar ondas…
No fim,
o fogo suspendeu-se em queixumes de lágrimas secas e pairou impune nas nuvens sem sentidos,
nem ventos,
nem sombras,
nem destinos...
01 setembro 2005
hibernações do Ver
Vou olhar a lua,
como uma gaivota que navega sem voares,
transformada em falua,
sem ventos,
nem estrelas,
nem azuis,
nem lugares…
Guarda-me a chave da gaveta…
Podes perdê-la
Tanto faz.
Vou (re)inventar tudo …outra vez...
como uma gaivota que navega sem voares,
transformada em falua,
sem ventos,
nem estrelas,
nem azuis,
nem lugares…
Guarda-me a chave da gaveta…
Podes perdê-la
Tanto faz.
Vou (re)inventar tudo …outra vez...
31 agosto 2005
a pairar em planuras e mesmo assim, existir...
Estranho-me da ausência.
Irreconheço-me ao andar por aí sem mim.
Sem palavras,
sem desenho
nem cores.
Sou invólucro andante,
pedinte?
pedante?
Autómato de fuga,
de pausa,
de intervalo.
Suspendi-me no existir de mim.
O relógio parou...
Destemperado.
Durmo em gaveta,
baú fechado,
parado...
Irreconheço-me ao andar por aí sem mim.
Sem palavras,
sem desenho
nem cores.
Sou invólucro andante,
pedinte?
pedante?
Autómato de fuga,
de pausa,
de intervalo.
Suspendi-me no existir de mim.
O relógio parou...
Destemperado.
Durmo em gaveta,
baú fechado,
parado...
30 agosto 2005
ciúmes
hoje,
o mar revestiu-se de andorinhas e de pescadores de estrelas...
as gaivotas enciumadas,
ficaram a olhar futuros,
com todos os azuis a dançar emoções numa planura serena de brisas ...
o mar revestiu-se de andorinhas e de pescadores de estrelas...
as gaivotas enciumadas,
ficaram a olhar futuros,
com todos os azuis a dançar emoções numa planura serena de brisas ...
29 agosto 2005
quando o horizonte se refugia bem perto de nós e nos abraça desconfortado por se transmutar em muro de cinza
O mar escondeu-se numa névoa de fogo,
densa,
escura,
de cinza...
de bruma
e o horizonte fugiu…
Acoitou-se na praia, desenhado em ondas brancas,
tímidas,
medrosas…
Só ao dormir-do-sol, caíram pós-de-pirilampo,
e o mar sorriu de cócegas…
O dia fica pequeno com o horizonte tão perto do olhar.
Há uma espécie de muro na existência, que paira perene, suspenso no (des)tempo de se ser Mar,
por inteiro…
densa,
escura,
de cinza...
de bruma
e o horizonte fugiu…
Acoitou-se na praia, desenhado em ondas brancas,
tímidas,
medrosas…
Só ao dormir-do-sol, caíram pós-de-pirilampo,
e o mar sorriu de cócegas…
O dia fica pequeno com o horizonte tão perto do olhar.
Há uma espécie de muro na existência, que paira perene, suspenso no (des)tempo de se ser Mar,
por inteiro…
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