06 outubro 2005

dar passos

Quando te sentires cego, fecha os olhos e vai…

In “ Apontamentos para um manual da serenidade” ou como mais vale caminhar com o sentir do que desenhar passos de sombras que nos invadem o Eu...

05 outubro 2005

cores

A terra, tem todas as cores do arco-íris…
As cores todas do arco-íris , são de um castanho febril…
Os gira-sois,
As rosas,
As violetas,
O alecrim
As papoilas,
Os narcisos,
As dálias,
O jasmim...
Ah e as outras,
Sobretudo as outras que nascem flor…
Trituram os sais da terra,
E vestem-se da sua cor…

04 outubro 2005

astrolábio(s)

Acendo o olhar, como quem se perde no fumo, escondido na chama que se desfaz numa acendalha, diluído na luz…
Queimo os passos, no mergulho que dou, nos acasos da vida, guiado pelos astrolábios do sentir…
Acendo o olhar , qual fósforo do existir…
E
Vou…

03 outubro 2005

sede

Bebi um verso,
Sôfrego de cor,
No calor-do-não-estar-aqui…
Bebi-o!
Todo,
para respirar
e
perder-me no olhar,
sem dor,
por ali…

30 setembro 2005

versões

Versão do sentir (1)
Papá, papá diz-me quantos anos tem um poema?
Um poema? Não sei…depende de quem o escreveu, ou quando…
Que pena papá, queria tanto saber quantos anos tem um poema…Deve ser infinitos, não deve papá?
Infinitos? Porquê?
Porque as letras, papá, têm tantos anos…

Versão do sentir (2)
Os filósofos, os poetas ou as crianças tem destas cousas fúteis de se perderem no pensar, nas sobras da vida, e de se porem a contar a idade que um poema tem…
Têm tantos anos as letras, que não chegam a saber quantos anos tem uma folha de poemas….

29 setembro 2005

ventos

Há um vento que me arvoreia verdes
e
segreda,
nas florestas sem luz,
palavras desabridas,
feridas,
cegas,
vindas do nada,
sangradas,
perdidas…

Há um vento que dança
desfolhando,
palavras roucas
desavindas,
esquartejadas
pela lança,
de um grito de criança…

Há um vento que esmorece…
que morre
sem esperança

28 setembro 2005

paragens

O Pião parou,
Caído,
inanimado nos desequilíbrios…
Só o menino chorou,
e
esculpida no chão,
nasceu uma gota-árvore,
adormecida,
com um menino
de corda pendida da mão…

não uso tempos, nem agendas ou instrumentos outros que meçam pedaços do existir. é jeito meu. por isso passar de um ano para o outro é cousa...