Não encontro ninguém…
O corpo está,
Vazio.
Vejo-me apenas,
Ao fundo…
Estou no caminho, entre os olhos e a alma,
A descansar os sentidos,
Estou,
Entre o aqui e o além...
25 outubro 2005
24 outubro 2005
(des) orientações
A sombra de um barco, não navega.
Finge-se em transparências e na ilusão de ir com o vento…
Só a vela vai,
no diante,
Mas,
só o leme sabe o que sente a alma do navegante…
In “apontamentos para um manual da serenidade” ou como para além do vento, para além do caminho, o importante é o querer…
Finge-se em transparências e na ilusão de ir com o vento…
Só a vela vai,
no diante,
Mas,
só o leme sabe o que sente a alma do navegante…
In “apontamentos para um manual da serenidade” ou como para além do vento, para além do caminho, o importante é o querer…
21 outubro 2005
feitiços-da-terra ( desenhos-da-terra)
Risco,
o desenho-da-terra,
sulcos,
soluços-de-cor, que me embaraçam, o ver,
no bailado do sol,
a renascer…
Risco,
o riso-sorriso-da-terra,
que me afaga em ondas de mar,
e
pinto, de asa-flor,
com olhos de amar,
uma tela,
em tons meus,
de aguarela,
castanha, vermelha, verde, lilás,
Amarela…
Risco,
pós-de-cor,
de giz,
cinzelado-ao-vento,
o poema que diz,
lento,
a forma que fiz,
do rio que passa,
a dançar feliz
nos cabelos-mouros de uma cigana,
enlaçados,
em flores-de-liz,
quase linda,
quase bela…
Risco,
a-cor-da-terra-que-me-leva
e
lava,
enfeitiçado,
no barco que me navega,
ao som do mar,
ao som da vela,
neste dia que me foge,
em sonho,
singelo,
alado…
o desenho-da-terra,
sulcos,
soluços-de-cor, que me embaraçam, o ver,
no bailado do sol,
a renascer…
Risco,
o riso-sorriso-da-terra,
que me afaga em ondas de mar,
e
pinto, de asa-flor,
com olhos de amar,
uma tela,
em tons meus,
de aguarela,
castanha, vermelha, verde, lilás,
Amarela…
Risco,
pós-de-cor,
de giz,
cinzelado-ao-vento,
o poema que diz,
lento,
a forma que fiz,
do rio que passa,
a dançar feliz
nos cabelos-mouros de uma cigana,
enlaçados,
em flores-de-liz,
quase linda,
quase bela…
Risco,
a-cor-da-terra-que-me-leva
e
lava,
enfeitiçado,
no barco que me navega,
ao som do mar,
ao som da vela,
neste dia que me foge,
em sonho,
singelo,
alado…
19 outubro 2005
conversares
Há acordares que nos morrem no dia e na poesia
e
o que sobra são cinzentos fingidos de sombra.
Todos os dias têm cores e sentires, escusas de insistir com essa tua tristeza, foge do poema que te arrasta na melancolia, deixa que as cores se aguarelem no caminho!
Não vês tu que elas estão lá?
Esperam-te!
Não as vês tu, a dançar?
Pobre de ti se te mascaras no tu que te foge do eu…
Deixa A poesia,
e
embebeda-te do dia.
Não A escrevas,
não A sintas,
não A pintes.
VIVE-A!
Ama-A !
Ai!
Quando o Ulmeiro me abraça e se põe a sussurrar,
não sei o que faço,
não sei que diga,
entrelaço-me,
adormeço
e
esqueço
o
Eu,
que não acorda
e
me fadiga…
e
o que sobra são cinzentos fingidos de sombra.
Todos os dias têm cores e sentires, escusas de insistir com essa tua tristeza, foge do poema que te arrasta na melancolia, deixa que as cores se aguarelem no caminho!
Não vês tu que elas estão lá?
Esperam-te!
Não as vês tu, a dançar?
Pobre de ti se te mascaras no tu que te foge do eu…
Deixa A poesia,
e
embebeda-te do dia.
Não A escrevas,
não A sintas,
não A pintes.
VIVE-A!
Ama-A !
Ai!
Quando o Ulmeiro me abraça e se põe a sussurrar,
não sei o que faço,
não sei que diga,
entrelaço-me,
adormeço
e
esqueço
o
Eu,
que não acorda
e
me fadiga…
18 outubro 2005
no caminho que faço
Sinto
o
passo que passo,
piso-o,
risco-o,
descalço,
como quem escreve,
febril,
e
bebe água que ferve...
Marco-o,
passo a passo,
como quem cinzela na pedra,
corpo de mulher,
ou
flor de Abril…
Sangro-o,
de passo em passo,
como rio que nasce,
e
morre nuvem,
longe do mar...
Sinto-o
no tempo que tomba,
como quem amassa o pão
como quem vai,
e
não para,
nem que caia
no chão…
Sinto, passo a passo os passos que passo no chão…
o
passo que passo,
piso-o,
risco-o,
descalço,
como quem escreve,
febril,
e
bebe água que ferve...
Marco-o,
passo a passo,
como quem cinzela na pedra,
corpo de mulher,
ou
flor de Abril…
Sangro-o,
de passo em passo,
como rio que nasce,
e
morre nuvem,
longe do mar...
Sinto-o
no tempo que tomba,
como quem amassa o pão
como quem vai,
e
não para,
nem que caia
no chão…
Sinto, passo a passo os passos que passo no chão…
17 outubro 2005
outonos
Arvorei-me sob um Castanheiro, sem procura de cor, nem sombra.
Sentei-me apenas para O sentir e deixar que o tempo se extinguisse num nada e se transformasse em quietude.
Silenciámos segredos na cumplicidade da nossa fantasia, embalados nas folhas que se coloriam de Outonos…
O dia desbarulhou-se , só para não nos incomodar e ali ficamos a fingir-nos vivos em transparências de vento, até ao regresso do tempo…
Sentei-me apenas para O sentir e deixar que o tempo se extinguisse num nada e se transformasse em quietude.
Silenciámos segredos na cumplicidade da nossa fantasia, embalados nas folhas que se coloriam de Outonos…
O dia desbarulhou-se , só para não nos incomodar e ali ficamos a fingir-nos vivos em transparências de vento, até ao regresso do tempo…
13 outubro 2005
estar
Onde estás?
No eu!
No qual?
No teu!
In “apontamentos para um manual da serenidade” ou como o amor pode ser uma simbiose que nos equilibra o sentir e o existir, sem que se perca o olhar…
No eu!
No qual?
No teu!
In “apontamentos para um manual da serenidade” ou como o amor pode ser uma simbiose que nos equilibra o sentir e o existir, sem que se perca o olhar…
12 outubro 2005
intensidade
Dói-me,
a angústia de não-me-ser-inteiro-no-Eu, (como a calçada da minha cidade que se desenha nas sombras, entre os brancos-e-negros que lhe existem no Ser…)
Dói-me,
o sentir…
São dores do re-nascer…
a angústia de não-me-ser-inteiro-no-Eu, (como a calçada da minha cidade que se desenha nas sombras, entre os brancos-e-negros que lhe existem no Ser…)
Dói-me,
o sentir…
São dores do re-nascer…
11 outubro 2005
no desenho da calçada...
Passeio-me sem destinos, nas ruas da cidade grande, na cidade que me nasceu no Eu…
Procuro respirares e com eles o sentir da cor e do ir…
Sento-me,
onde os poetas sofreram, onde poetizaram a dor do existir e deixo-me abraçar, envolver, como quem pousa o cansaço no regaço de mãe.
Fico, entre a chuva e o vento…
Ah,
quando morrer quero ir com este vento e renascer na cor do rio-mar que me olha o horizonte.
Ah,
como queria, com desejo quase animal, ser o vento que leva a vela da nau, a bolinar…a bolinar no céu…
Passeio-me nesta cidade, onde a luz reinventa os cinzentos e as sombras em azuis, nas calçadas…
Sento-me,
onde os poetas choraram e deixo-me diluir na chuva que procura o mar e o fecunda…
Procuro respirares e com eles o sentir da cor e do ir…
Sento-me,
onde os poetas sofreram, onde poetizaram a dor do existir e deixo-me abraçar, envolver, como quem pousa o cansaço no regaço de mãe.
Fico, entre a chuva e o vento…
Ah,
quando morrer quero ir com este vento e renascer na cor do rio-mar que me olha o horizonte.
Ah,
como queria, com desejo quase animal, ser o vento que leva a vela da nau, a bolinar…a bolinar no céu…
Passeio-me nesta cidade, onde a luz reinventa os cinzentos e as sombras em azuis, nas calçadas…
Sento-me,
onde os poetas choraram e deixo-me diluir na chuva que procura o mar e o fecunda…
10 outubro 2005
sou
Procuro nas nuvens que passam,
as lágrimas que verti,
olho-as ao vento,
disformes,
brancas,
negras,
e
procuro atento,
pedaços de mim.
Sou,
arqueólogo,
sem história,
que anda sem rumo, por ali.
Sou,
lágrima esculpida ,
azul,
verde,
carmim…
Ah, velas sem navio,
mar sem fim,
deixem-me ser nuvem,
palhaço-criança,
jardim...
Procuro no céu,
a ave migrante
que fugiu de mim...
Sou,
flamingo azul,
que anda por aí,
perdido,
réu,
navegante...
Ah,
Sou,
poema sem véu,
peregrino sem (a)deus,
pintor sem tela,
sem Tempo,
Livro
esquecido,
evaporado,
queimado-vivo…
Sou,
sem chama,
neste mundo,
letra só,
sem sentido!
as lágrimas que verti,
olho-as ao vento,
disformes,
brancas,
negras,
e
procuro atento,
pedaços de mim.
Sou,
arqueólogo,
sem história,
que anda sem rumo, por ali.
Sou,
lágrima esculpida ,
azul,
verde,
carmim…
Ah, velas sem navio,
mar sem fim,
deixem-me ser nuvem,
palhaço-criança,
jardim...
Procuro no céu,
a ave migrante
que fugiu de mim...
Sou,
flamingo azul,
que anda por aí,
perdido,
réu,
navegante...
Ah,
Sou,
poema sem véu,
peregrino sem (a)deus,
pintor sem tela,
sem Tempo,
Livro
esquecido,
evaporado,
queimado-vivo…
Sou,
sem chama,
neste mundo,
letra só,
sem sentido!
07 outubro 2005
as mãos
Tenho duas mãos que se abrem e fecham, como flor, mas só uma vida inteira as ensina a ser cor…
Fecho as mãos como quem fecha os olhos, mas o universo escorrega entre os dedos que rezam…
Só o olhar sabe guardar o Universo, vendo-O…
In “ Apontamentos para um manual da serenidade” ou como para sentirmos devemos sobretudo, estar de fora
Fecho as mãos como quem fecha os olhos, mas o universo escorrega entre os dedos que rezam…
Só o olhar sabe guardar o Universo, vendo-O…
In “ Apontamentos para um manual da serenidade” ou como para sentirmos devemos sobretudo, estar de fora
06 outubro 2005
dar passos
Quando te sentires cego, fecha os olhos e vai…
In “ Apontamentos para um manual da serenidade” ou como mais vale caminhar com o sentir do que desenhar passos de sombras que nos invadem o Eu...
In “ Apontamentos para um manual da serenidade” ou como mais vale caminhar com o sentir do que desenhar passos de sombras que nos invadem o Eu...
05 outubro 2005
cores
A terra, tem todas as cores do arco-íris…
As cores todas do arco-íris , são de um castanho febril…
Os gira-sois,
As rosas,
As violetas,
O alecrim
As papoilas,
Os narcisos,
As dálias,
O jasmim...
Ah e as outras,
Sobretudo as outras que nascem flor…
Trituram os sais da terra,
E vestem-se da sua cor…
As cores todas do arco-íris , são de um castanho febril…
Os gira-sois,
As rosas,
As violetas,
O alecrim
As papoilas,
Os narcisos,
As dálias,
O jasmim...
Ah e as outras,
Sobretudo as outras que nascem flor…
Trituram os sais da terra,
E vestem-se da sua cor…
04 outubro 2005
astrolábio(s)
Acendo o olhar, como quem se perde no fumo, escondido na chama que se desfaz numa acendalha, diluído na luz…
Queimo os passos, no mergulho que dou, nos acasos da vida, guiado pelos astrolábios do sentir…
Acendo o olhar , qual fósforo do existir…
E
Vou…
Queimo os passos, no mergulho que dou, nos acasos da vida, guiado pelos astrolábios do sentir…
Acendo o olhar , qual fósforo do existir…
E
Vou…
03 outubro 2005
sede
Bebi um verso,
Sôfrego de cor,
No calor-do-não-estar-aqui…
Bebi-o!
Todo,
para respirar
e
perder-me no olhar,
sem dor,
por ali…
Sôfrego de cor,
No calor-do-não-estar-aqui…
Bebi-o!
Todo,
para respirar
e
perder-me no olhar,
sem dor,
por ali…
30 setembro 2005
versões
Versão do sentir (1)
Papá, papá diz-me quantos anos tem um poema?
Um poema? Não sei…depende de quem o escreveu, ou quando…
Que pena papá, queria tanto saber quantos anos tem um poema…Deve ser infinitos, não deve papá?
Infinitos? Porquê?
Porque as letras, papá, têm tantos anos…
Versão do sentir (2)
Os filósofos, os poetas ou as crianças tem destas cousas fúteis de se perderem no pensar, nas sobras da vida, e de se porem a contar a idade que um poema tem…
Têm tantos anos as letras, que não chegam a saber quantos anos tem uma folha de poemas….
Papá, papá diz-me quantos anos tem um poema?
Um poema? Não sei…depende de quem o escreveu, ou quando…
Que pena papá, queria tanto saber quantos anos tem um poema…Deve ser infinitos, não deve papá?
Infinitos? Porquê?
Porque as letras, papá, têm tantos anos…
Versão do sentir (2)
Os filósofos, os poetas ou as crianças tem destas cousas fúteis de se perderem no pensar, nas sobras da vida, e de se porem a contar a idade que um poema tem…
Têm tantos anos as letras, que não chegam a saber quantos anos tem uma folha de poemas….
29 setembro 2005
ventos
Há um vento que me arvoreia verdes
e
segreda,
nas florestas sem luz,
palavras desabridas,
feridas,
cegas,
vindas do nada,
sangradas,
perdidas…
Há um vento que dança
desfolhando,
palavras roucas
desavindas,
esquartejadas
pela lança,
de um grito de criança…
Há um vento que esmorece…
que morre
sem esperança
e
segreda,
nas florestas sem luz,
palavras desabridas,
feridas,
cegas,
vindas do nada,
sangradas,
perdidas…
Há um vento que dança
desfolhando,
palavras roucas
desavindas,
esquartejadas
pela lança,
de um grito de criança…
Há um vento que esmorece…
que morre
sem esperança
28 setembro 2005
paragens
O Pião parou,
Caído,
inanimado nos desequilíbrios…
Só o menino chorou,
e
esculpida no chão,
nasceu uma gota-árvore,
adormecida,
com um menino
de corda pendida da mão…
Caído,
inanimado nos desequilíbrios…
Só o menino chorou,
e
esculpida no chão,
nasceu uma gota-árvore,
adormecida,
com um menino
de corda pendida da mão…
27 setembro 2005
resistências...
Espero,
sem resistir…
Dissolvo-me,
nuvem,
no Sol-poente,
doente…
Sou,
pedaço de vento,
demente…
Espero,
sem resistir,
entrelaçado nas raízes,
e volto do nada,
semente...
sem resistir…
Dissolvo-me,
nuvem,
no Sol-poente,
doente…
Sou,
pedaço de vento,
demente…
Espero,
sem resistir,
entrelaçado nas raízes,
e volto do nada,
semente...
26 setembro 2005
pedra angular
Desenhei uma pedra…
Angular!
Tem cor violeta,
quase azul…
Foi a cor que me voo no olhar,
podia ser outra, mas a vida,
é
roleta,
sem números par…
Esta pedra,
minha
e
tua
é
assim,
violeta,
quase azul,
como as asas de um colibri
ou
borboleta,
desenhadas ao luar…
Angular!
Tem cor violeta,
quase azul…
Foi a cor que me voo no olhar,
podia ser outra, mas a vida,
é
roleta,
sem números par…
Esta pedra,
minha
e
tua
é
assim,
violeta,
quase azul,
como as asas de um colibri
ou
borboleta,
desenhadas ao luar…
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não uso tempos, nem agendas ou instrumentos outros que meçam pedaços do existir. é jeito meu. por isso passar de um ano para o outro é cousa...
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